Ministério da Saúde lança mobilização nacional para vacinar povos indígenas e mira 89 mil doses em 2026

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O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (13) o início do Mês de Vacinação dos Povos Indígenas (MVPI) 2026, uma das principais estratégias do país para ampliar a cobertura vacinal em territórios de difícil acesso. A ação foi lançada na aldeia Barão do Rio Branco, em Mâncio Lima, e prevê a aplicação de mais de 89 mil doses em 650 aldeias espalhadas pelo país.

Coordenada pela Secretaria de Saúde Indígena, a campanha mobilizará mais de 2,5 mil profissionais de saúde nos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). O objetivo é enfrentar um desafio histórico: levar vacinação a comunidades isoladas e com baixa cobertura imunológica.

O lançamento ocorreu no interior do Acre, região marcada por barreiras geográficas e logísticas. A escolha do local, segundo a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, é estratégica. “Estamos priorizando territórios com maiores dificuldades de acesso, onde a presença do Estado precisa ser mais efetiva”, afirmou.

A expectativa é ampliar a imunização em 73 polos-base, alcançando populações indígenas como Puyanawa, Nukini e Nawa, que somam cerca de dois mil habitantes apenas no município acreano.

Meta maior após avanço em 2025

O novo esforço amplia os resultados do último ciclo da campanha. Em 2025, o MVPI aplicou mais de 70 mil doses e imunizou cerca de 57 mil indígenas. Para este ano, a meta é mais ambiciosa, refletindo a necessidade de recuperar e expandir coberturas vacinais em áreas vulneráveis.

A campanha será realizada entre 25 de abril e 25 de maio e integra duas grandes mobilizações internacionais: a Semana de Vacinação nas Américas e a Semana Mundial de Imunização, promovidas pela Organização Pan-Americana da Saúde, com o lema “Sua decisão faz a diferença. Imunização para todos”.

Operação em áreas remotas

Levar vacinas a territórios indígenas exige uma operação complexa. Equipes percorrem longas distâncias por rios, estradas precárias e trilhas, muitas vezes com apoio aéreo. Além da logística diferenciada, a campanha aposta na busca ativa de não vacinados e no monitoramento contínuo dos indicadores de saúde.

Durante o MVPI, serão ofertadas todas as vacinas do Calendário Nacional de Imunização, incluindo proteção contra hepatites, poliomielite, sarampo, febre amarela, influenza e Covid-19, entre outras doenças.

Estratégia de saúde pública

Criado em 2010, o Mês de Vacinação dos Povos Indígenas se consolidou como uma das principais ações de equidade no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa busca reduzir desigualdades históricas no acesso à saúde e prevenir surtos em populações mais expostas a riscos epidemiológicos.

Especialistas apontam que campanhas como o MVPI são essenciais para proteger grupos prioritários — como crianças, gestantes e idosos — e evitar a reintrodução de doenças já controladas no país.

Com a nova mobilização, o governo tenta não apenas ampliar números, mas fortalecer a presença da atenção primária em territórios indígenas, onde a vacinação segue sendo uma das ferramentas mais eficazes de proteção coletiva.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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