
O Ministério da Saúde lamenta profundamente a morte da dra Lair Guerra de Macedo Rodrigues, 81 anos, que ocorreu nesta quarta-feira (13). Lair é irmã do médico brasileiro Carlyle Guerra de Macedo, que presidiu a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) de 1983 até 1995.
Lair Guerra foi pioneira na construção de políticas públicas no Brasil para o enfrentamento da Aids, tendo sido nomeada para coordenar o programa do país para controle da doença na década de 80.
Sob a coordenação de Guerra, surgiram as campanhas nacionais de rádio, televisão e mídia impressa para informar a população e qualificar profissionais para o combate às DST/Aids. O trabalho da biomédica lhe rendeu a indicação ao Prêmio Nobel da Paz por tornar o programa brasileiro exemplo para o mundo.
Nascida no Piauí, a biomédica lecionou Microbiologia na Universidade Federal do Piauí (UFPI). Também foi professora da Universidade de Brasília (UnB). Ela fez pós-graduação no Centro de Controle de Doenças (CDC) em Atlanta, nos Estados Unidos.
A Pasta se solidariza com os amigos e familiares de Lair Guerra.
Quem foi Lair Guerra
Nascida em 28 de março de 1943 no povoado Gety, antes pertencente ao município de Parnaguá, hoje Curimatá (a 775 km de Teresina), Lair Guerra, graduou-se na Universidade Federal de Pernambuco. Casou-se em 1962.
Em 1977 começou a lecionar Microbiologia na Universidade Federal do Piauí (UFPI) e a administrar o laboratório da universidade. Ela também foi professora da UnB (Universidade de Brasília). A piauiense fez pós-graduação no Centro de Controle de Doenças (CDC) e em Harvard, nos Estados Unidos.
Ao obter bolsa da Organização Pan-americana de Saúde foi morar em Atlanta, na Geórgia (EUA), com a família. Na cidade americana atuou como pesquisadora visitante na área de doenças sexualmente transmissíveis no Center for Disease Control (Centro de Controle de Doenças). Paralelamente, cursou o mestrado em Microbiologia na Georgia State University, enquanto acompanhava as primeiras pesquisas sobre o vírus HIV.
Ao retornar ao Brasil dirigiu o Programa de Saúde Materno-Infantil do Ministério da Saúde. Devido à sua experiência, não só idealizou, como foi nomeada para coordenar o programa brasileiro de controle DST/Aids, que virou um exemplo para todo o mundo.
Incansável, Lair Guerra de Macedo, enfrentou a burocracia, falta de recursos e o preconceito. De barco, carro ou avião, ela percorreu o Brasil e o exterior intensificando campanhas de esclarecimento e popularizando palavras como “preservativo” e “combate ao HIV”.
Mobilizou o país para as fiscalizações dos bancos de sangues e se aliou às organizações não-governamentais para adotar políticas públicas de enfretamento à doença e pelo direito dos portadores. Uniu ciência às questões sociais.
A persistência de Lair Guerra também foi fundamental para a universalização dos medicamentos retrovirais, o popular coquetel, contra a aids, contando com apoio de ONGs. Com isso, os pacientes passaram a receber de forma gratuita os medicamentos.
Pioneira no que fez
Lair estabeleceu ainda centros de referência para o tratamento de pacientes, incentivou a criação e manutenção de organizações não-governamentais e representou o Brasil em reuniões da Assembleia Mundial de Saúde, em Genebra. Comandou o programa por 10 anos.
Aliando estratégias de comunicação e conhecimento cientifico, Lair Guerra, conseguiu mobilizar o país e reduziu os casos em uma devastadora epidemia que em 2005 tinha mais de 360 mil casos notificados de Aids.
Em agosto de 1996, o destino pregou mais uma peça: quando estava a caminho de um congresso brasileiro de infectologia, e iria dar uma palestra, o táxi que levava a piauiense teve uma colisão com um ônibus. No acidente, ela teve traumatismo e passou dois meses entre a vida e a morte. Recuperou-se lentamente, mas não pôde reassumir as suas funções devido às sequelas.
Mãe de cinco filhos, Lair Guerra é irmã de Carlyle Guerra de Macedo, ex-diretor e Diretor Emérito da Organização Pan-Americana de Saúde e de Alvimar, clínico de Brasília. Ela também é irmã da médica e ex-prefeita de Curimatá, Estelita Guerra, que morreu em acidente de trânsito em 2012. Lair tem 11 irmãos, cinco deles vivos.
Redação da Agência de Notícias da Aids com informações


