Nova unidade integra rede nacional que reúne dados climáticos e epidemiológicos para antecipar riscos, fortalecer o SUS e ampliar a resposta a eventos extremos, em meio à previsão de intensificação do El Niño
O Ministério da Saúde colocou em operação nesta sexta-feira (10) o Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC) de Porto Alegre (RS), estrutura que passa a monitorar, em tempo real, os impactos de eventos climáticos extremos sobre a saúde da população. A iniciativa integra uma rede nacional criada para fortalecer a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) diante de desastres ambientais cada vez mais frequentes e intensificados pelas mudanças climáticas.
A nova unidade reúne informações climáticas, epidemiológicas, demográficas e socioeconômicas para identificar áreas de maior vulnerabilidade, subsidiar alertas e orientar ações de vigilância, assistência e proteção civil.
Durante o anúncio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o centro permitirá maior preparo das equipes de saúde e da população diante dos efeitos do clima.
“O Centro de Informação em Saúde e Clima de Porto Alegre, integrado a essa rede nacional, vai produzir informações que permitirão aos profissionais de saúde se prepararem melhor. Também ajudará no planejamento das unidades de saúde e permitirá que a população compreenda como o clima pode afetar a saúde”, afirmou.
Rede nacional de monitoramento
Porto Alegre passa a integrar uma rede de oito Centros de Informação em Saúde e Clima. Além da capital gaúcha, haverá unidades em Belo Horizonte (MG), Belém (PA), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Santarém (PA) e Salvador (BA).
Na Amazônia Legal, o monitoramento continuará sendo realizado pelo Centro de Informação em Clima e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), localizado em Porto Velho (RO), com atuação específica para a região amazônica.
Os centros acompanham fenômenos como ondas de calor, chuvas intensas, enchentes, secas, estiagens, incêndios florestais e períodos de baixa umidade do ar. O objetivo é reduzir o tempo entre a identificação de um risco e a adoção de medidas para proteger a população.
Foco nos eventos extremos do Sul
Em Porto Alegre, o monitoramento será voltado principalmente para chuvas intensas, enchentes, inundações, movimentos de massa, elevação dos níveis dos rios e episódios de calor extremo — riscos que ganharam maior relevância após as enchentes históricas registradas no Rio Grande do Sul em 2024.
As análises produzidas pelo centro deverão apoiar o planejamento dos serviços de saúde, a organização da vigilância epidemiológica e a mobilização de equipes e insumos em situações de emergência, priorizando a proteção das populações mais vulneráveis.
A metodologia utilizada foi adaptada a partir de experiências brasileiras de integração entre saúde e clima, entre elas o Centro de Operações e Resiliência do Rio de Janeiro, desenvolvido em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
El Niño preocupa autoridades de saúde
A entrada em operação do novo centro ocorre em um momento de atenção para as autoridades. Segundo o Ministério da Saúde, o fenômeno El Niño já está instalado e deve permanecer até o início de 2027.
Dados da agência meteorológica norte-americana NOAA apontam mais de 90% de probabilidade de continuidade do fenômeno nos próximos meses, com possibilidade de atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
Para o trimestre entre julho e setembro, a previsão indica chuvas acima da média na Região Sul, enquanto o Centro-Norte do país deverá enfrentar precipitações abaixo do esperado. Também são esperadas temperaturas superiores à média em praticamente todo o território nacional.
Esse cenário favorece a ocorrência de ondas de calor, estiagens prolongadas e aumento do risco de incêndios florestais em áreas mais secas. Já no Sul, cresce a possibilidade de enchentes, deslizamentos, inundações e outros eventos associados ao excesso de chuva.
Historicamente, episódios de El Niño alteram o regime de chuvas e temperaturas no Brasil, embora seus impactos variem conforme a intensidade do fenômeno e as características de cada região.
Ferramenta para antecipar riscos
Como parte da estratégia nacional de vigilância climática, o Ministério da Saúde também mantém o Painel de Excesso de Calor, plataforma que acompanha diariamente as condições térmicas nos municípios brasileiros.
As informações produzidas pelo painel permitem identificar áreas sob maior risco para a saúde, subsidiando a emissão de alertas e o planejamento de ações preventivas durante períodos de calor intenso.
Redação da Agência de Notícias da Aids




