
O Ministério da Saúde abriu nesta semana uma consulta pública sobre a possível inclusão da vacina meningocócica do tipo B (meningo B) no Sistema Único de Saúde (SUS). O imunizante protege contra a infecção provocada pelo meningococo do sorogrupo B, bactéria responsável por causar meningite e outras doenças graves. Atualmente, a vacina está disponível apenas na rede privada, enquanto o SUS oferece proteção contra os sorogrupos A, C, W e Y.
A proposta de incorporação da vacina meningo B foi apresentada à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) pela farmacêutica GSK, responsável pela produção do imunizante. Segundo o dossiê técnico submetido, o custo estimado da inclusão no calendário público é de R$ 6,1 bilhões ao longo de cinco anos. No entanto, a empresa argumenta que os investimentos seriam compensados com redução de gastos com internações, tratamentos e sequelas* da doença.
Alta letalidade e risco de sequelas
A meningite meningocócica é uma infecção grave que atinge as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, podendo evoluir rapidamente e levar à morte. A transmissão ocorre pelo ar, por gotículas de saliva ou secreções respiratórias.
Somente em 2025, o Brasil já registrou 2.357 casos de meningite bacteriana, com 454 mortes. De acordo com os dados mais recentes, 138 casos foram causados especificamente pelo meningococo do tipo B, com 21 óbitos. Os especialistas alertam que os números podem ser ainda maiores, pois muitos casos notificados não apresentam identificação do sorotipo da bactéria.
Entre os sobreviventes da meningite meningocócica, de 10% a 20% desenvolvem sequelas graves, como surdez, amputações e comprometimentos neurológicos permanentes. Diante da gravidade do quadro, sociedades médicas recomendam a inclusão da meningo B no calendário vacinal infantil, com esquema de três doses: aos 3, 5 e 12 meses de idade.
Como participar da consulta
A consulta pública estará disponível por 20 dias no site Participa + Brasil, onde qualquer cidadão pode enviar opiniões, sugestões ou críticas sobre a proposta. As contribuições serão analisadas pela equipe técnica da Conitec, responsável por elaborar o relatório final que recomendará — ou não — a incorporação da vacina ao SUS.
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A decisão final será tomada com base em critérios técnicos, econômicos e epidemiológicos, além das contribuições da população. A participação social é essencial para garantir transparência e representatividade nas escolhas que impactam diretamente a saúde coletiva.
Redação da Agência de Notícias da Aids


