23/07/2014 – 13h
Na 20ª Conferência Internacional de Aids, que acontece em Melbourne, na Austrália, uma das questões que surgem é: “Onde devemos focar nossa atenção na resposta à aids?”. No relatório divulgado antes da Conferência, o Unaids destacou a importância da localização e da população. O relatório mostrou que 15 países concentram mais de 75% das 2.1 milhões de novas infecções por HIV que ocorreram em 2013. Todos os países – Brasil, Camarões, China, India, Indonésia, Quênia, Moçambique, Nigéria, Rússia, África do Sul, Uganda, Tanzânia, Estados Unidos, Zâmbia e Zimbábue – podem ter um impacto positivo com a expansão dos serviços de HIV onde eles mais precisam, para reduzir as novas infecções.
Essa foi uma das questões levantadas pelo diretor executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas Para o HIV/Aids (Unaids), Michel Sidibé, em seu encontro com Nafsiah Mboi, a ministra da Saúde da Indonésia – que está trabalhando para aumentar o acesso à testagem e ao tratamento precoce – durante a Conferência.
“Sei que a Indonésia pode mudar sua trajetória rapidamente”, disse Sidibé. “O governo está comprometido e tem a capacidade de acelerar a expansão, e eu espero que vejamos os resultados em breve”.
Os países frequentemente enfrentam múltiplas epidemias e, consequentemente, há um aumento da urgência em se concentrar nas cidades e distritos para efetivamente alcançar as pessoas que estão sendo deixadas para trás. “Países mais afetados têm que fazer um trabalho pesado para acabar com a epidemia de aids e fornecer serviços a todos os afetados – lugar por lugar, população por população”, disse Sidibé.
Populações com risco maior de HIV são comumente mais difíceis de alcançar. A Índia tem mantido investimentos em populações-chave por mais de uma década e expandido o alcance em mais de mil lugares dentro do país. Na Rússia, apesar da evidência científica clara do impacto dos serviços de redução de danos, pouquíssimas pessoas que usam drogas injetáveis têm acesso à terapia de substituição de opiáceos e programas de seringa.
O Brasil, que foi pioneiro na resposta à aids, tem visto recentemente um aumento nas infecções entre homens gays jovens e outros homens que fazem sexo com homens. As autoridades de saúde e a sociedade civil estão explorando novos caminhos para obter informações e tratamento a fim de salvar a vida de uma nova geração de jovens que não sabem que estão em maior risco de se infectarem.
Em Moçambique, novas análises de dados mostram que os distritos com maior concentração de pessoas vivendo com HIV estão localizados em rotas de transporte e em importantes portos marítimos nas regiões central e sul do país, e o país começa agora a expandir o acesso aos serviços de HIV nessas áreas.
Na Nigéria, uma análise similar trouxe o foco para 13 estados, incluindo o Território da Capital Federal, que inclui Abuja, para intensificar a expansão. A África do Sul, país que tem o maior número de pessoas infectadas pelo vírus, tem tido ganhos significativos para parar a epidemia de aids. Uma campanha nacional de testagem, combinada com a intensa mobilização da sociedade civil, trouxe mais de 2,5milhões para o tratamento com a terapia antiretroviral.
“É por isso que trocar ideias é tão importante”, disse Sidibé. “Quando nós podemos compartilhar dados as melhores práticas, nós podemos fechar os buracos nos programas”.


