Mês da Mulher: Unidas na luta contra a Aids elas enfrentam o preconceito e fortalecem a cidadania

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x


Em um mundo que tenta silenciar e limitar as mulheres a cada dia, elas seguem resistindo. Superando desafios, saem cedo de casa, encaram longas jornadas de trabalho e conciliam militância, carreira e maternidade. Seja na política ou no ativismo, estão na linha de frente na luta pelos direitos das pessoas vivendo com HIV e aids.

Ao longo deste mês, compartilhamos histórias inspiradoras de mulheres que fazem a diferença na saúde pública. Agora, convidamos você a conhecer algumas dessas verdadeiras heroínas do SUS:

Evalcilene dos Santos

Com mais de duas décadas vivendo com HIV, Evalcilene dos Santos – ou Val, como é carinhosamente chamada – sabe que viver com HIV/aids vai muito além da condição de saúde; é também enfrentar inúmeras barreiras sociais. Nessa jornada, dedica-se com afinco ao apoio e empoderamento de mulheres, combatendo o estigma e a discriminação.

Para Val, as mulheres vivendo com HIV/aids ainda são invisibilizadas pelas políticas públicas, mas têm muito a contribuir para a causa. Negra e indígena, sua trajetória na militância abriu caminhos: em 2022, recebeu um convite do PSOL para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa Estadual. Mais tarde, foi incentivada a concorrer à Câmara Federal. Sem recursos suficientes para a campanha, seguiu em frente, acreditando que pessoas como ela devem ocupar espaços de poder e decisão.

O HIV chegou à sua vida no mesmo período em que sua filha nasceu, em um contexto de estigma e desinformação. Mas foi no Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP) que encontrou acolhimento e transformação. Hoje, seus mais de 25 anos de sorologia são prova de que é possível viver com HIV e ter qualidade de vida.

Silvia Aloia

A história de Silvia começa no Uruguai, de onde sua família fugiu da ditadura militar quando ela ainda era uma menina. No Brasil, reconstruiu sua vida, mas desde cedo precisou ser forte. Aos 16 anos, saiu de casa para morar sozinha. Aos 21, engravidou de sua filha, Lauren, e encheu-se de esperança para o futuro. No entanto, sua jornada tomou rumos desafiadores após o diagnóstico de HIV.

Demissão, medo e discriminação marcaram seus primeiros anos vivendo com o vírus. O receio de contar sua sorologia a fez evitar o tratamento por quase oito anos, até que, com a saúde comprometida, percebeu que precisava agir. Hoje, com carga viral indetectável, retomou seus sonhos: ingressou no curso de Administração em Sistemas e Serviços de Saúde e tornou-se uma das lideranças do MNCP, lutando pelos direitos das mulheres vivendo com HIV.

Cristina Abbate

Cristina Abbate é a força por trás da Coordenadoria de IST/Aids de São Paulo, liderando estratégias que transformam a realidade da epidemia na cidade. São anos de dedicação que colocaram a capital paulista em destaque na prevenção e tratamento do HIV/aids. Pela sétima vez consecutiva, São Paulo reduziu o número de novos casos de HIV, além de implementar iniciativas inovadoras, como a instalação de máquinas automáticas de distribuição de PrEP, PEP e autoteste de HIV.

Psicóloga de formação, Cristina foi pioneira na criação de serviços especializados, como um dos primeiros Serviços de Assistência Especializada (SAE) nos anos 1990. Seu trabalho foi essencial para zerar a transmissão vertical do HIV na cidade e agora segue na meta de reduzir a transmissão horizontal. Com mais de três décadas de atuação, segue firme no fortalecimento do SUS e no combate ao preconceito.

Alicia Krüger

Alícia Krüger é uma mulher de muitas frentes: farmacêutica, sanitarista, epidemiologista, pesquisadora e ativista incansável pelos direitos humanos. Assessora de políticas de inclusão, diversidade e equidade em saúde do Ministério da Saúde, tem uma trajetória marcada por pioneirismo e luta pelos direitos da população trans.

Primeira pessoa trans a se formar em Farmácia pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), também foi a primeira a ocupar uma cadeira no Conselho Universitário da instituição, onde ajudou a implementar o uso do nome social em vestibulares e processos seletivos.

No Ministério da Saúde, participou da equipe que implementou as profilaxias pré e pós-exposição (PrEP/PEP) no SUS. No Distrito Federal, ajudou a estruturar o serviço de farmácia clínica do Ambulatório Trans. Com um histórico de engajamento desde o movimento estudantil, segue hoje no doutorado pela UNIFESP, sempre dedicada à inclusão e aos direitos das populações vulnerabilizadas.

Essas mulheres mostram que resistir é mais do que sobreviver: é lutar por um futuro mais justo e igualitário. Unidas, elas seguem firmes, inspirando novas gerações e transformando a história da saúde pública no Brasil.

Redação da Agência de Notícias da Aids

Dica de entrevista

MNCP (Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas)
E-mail: secretarianacionalmncp@gmail.com

Coordenadoria de IST/Aids da Cidade de São Paulo
Instagram: @istaidssp

Ministério da Saúde
E-mail: imprensa@saude.gov.br
Tel.: 11) 3291-8951

Apoios