Mês da Mulher: três trajetórias que sustentam o cuidado, a resistência e o afeto no Instituto Vida Nova

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Em um espaço onde o acolhimento salva vidas, são também as histórias de mulheres que sustentam, diariamente, o sentido do cuidado. No Instituto Vida Nova, que completou 25 anos de atuação em São Paulo, três trajetórias ajudam a contar não apenas a história da instituição, mas da própria resposta comunitária ao HIV/aids no Brasil.

Ariana Luiza Rosa Wruck, Eliane Nazaret Muniz de Câmara e Gislaine Nunes Sousa representam diferentes fases, funções e formas de cuidar — mas compartilham o mesmo compromisso: fazer do Vida Nova um espaço de pertencimento, dignidade e transformação.

Ariana Wruck: o cuidado que atravessa gerações

Leonina, 64 anos, mãe de cinco filhos e avó de 11 netos, Ariana Wruck carrega em sua trajetória a história de quem ajudou a construir o Instituto desde os seus primeiros passos.

Presente há mais de duas décadas, participou da diretoria, do conselho fiscal e hoje atua como agente de prevenção, conduzindo rodas de conversa sobre ISTs, HIV/aids e tuberculose — espaços fundamentais de escuta, informação e troca.

Cozinheira de profissão, Ariana traduz o cuidado também nos gestos cotidianos. É na cozinha, nas conversas e no acolhimento direto que sua presença ganha forma. No Vida Nova, ela não apenas trabalha: ela pertence.

“Vestir a camisa” da instituição, para ela, é um compromisso vivido com respeito e admiração — algo que se reflete na forma como acolhe quem chega fragilizado e ajuda a reconstruir caminhos.

Entre sonhos e lutas, Ariana guarda desejos simples e potentes: fazer uma viagem de navio e reencontrar a filha que vive em Portugal. Enquanto isso, segue firme, transformando a própria história em ferramenta de cuidado coletivo.

Eliane Câmara: liderança que nasce do afeto e da permanência

A trajetória de Eliane Câmara é marcada por continuidade — e por uma relação profunda com o Instituto Vida Nova.

Aos 50 anos, ariana, mãe de Caique e apaixonada por seus animais de estimação, ela chegou ao IVN há mais de 20 anos. Desde então, percorreu praticamente todas as funções possíveis dentro da organização: começou como agente de prevenção e, ao longo do tempo, assumiu a diretoria.

Sua liderança não se construiu de forma distante, mas a partir da vivência direta com as pessoas atendidas. É alguém que conhece o cotidiano, os desafios e as urgências do território — e que transformou essa experiência em gestão comprometida.

Eliane também carrega sonhos e desejos que dialogam com a realidade de muitas brasileiras: conquistar a casa própria, viajar, viver com mais estabilidade. Ainda assim, há algo inegociável em sua trajetória.

No Vida Nova, sua permanência é quase um pacto. “Peça tudo, menos sair daqui”, dizem aqueles que convivem com ela — uma frase que sintetiza não apenas vínculo, mas propósito.

Gislaine Sousa: uma nova geração que articula cuidado e futuro

Aos 38 anos, Gislaine Nunes Sousa representa uma geração que dá continuidade ao trabalho do Instituto, ao mesmo tempo em que aponta para o futuro.

Diretora do IVN e estudante de Medicina do Trabalho, ela atua desde 2016 na instituição, conciliando gestão, articulação política e ações diretas como agente de prevenção.

Sua atuação amplia o alcance do Vida Nova para além do atendimento cotidiano, fortalecendo diálogos com políticas públicas e estratégias de enfrentamento às vulnerabilidades sociais que atravessam o HIV/aids.

Mesmo com a intensidade do trabalho, Gislaine preserva no cotidiano espaços de afeto e cuidado pessoal. Seus momentos de lazer são dedicados à filha e, sempre que possível, à praia — lugar de descanso e reconexão.

Entre seus sonhos está conhecer Portugal e se conectar com a história de seus avós paternos, reafirmando como passado, presente e futuro se entrelaçam em sua trajetória.

Mulheres que fazem o Vida Nova acontecer

O Instituto Vida Nova nasceu da urgência, cresceu com solidariedade e se mantém, há 25 anos, como um espaço onde o cuidado é coletivo e contínuo.

Nesse percurso, mulheres como Ariana, Eliane e Gislaine não apenas ocuparam funções — elas construíram, sustentaram e reinventaram o Instituto ao longo do tempo.

São lideranças que não se definem apenas por cargos, mas por presença. Que atuam na escuta, no acolhimento, na organização e na luta diária contra o estigma, a desinformação e as desigualdades.

No Mês da Mulher, homenageá-las é reconhecer que a resposta ao HIV/aids também se faz com afeto, compromisso e permanência. E que, em espaços como o Vida Nova, são essas mulheres que garantem que ninguém enfrente essa caminhada sozinho.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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