Mês da Mulher: quem são as mulheres que lideram a resposta às epidemias no Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis

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No centro da resposta brasileira a algumas das principais epidemias do país, estão mulheres que ocupam posições estratégicas na condução de políticas públicas de saúde. À frente de coordenações que compõem o Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi), do Ministério da Saúde, elas atuam diretamente na formulação, implementação e monitoramento de ações que estruturam a resposta nacional a esses agravos.

Vinculado à Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), o Dathi é o órgão responsável por desenvolver diretrizes, estratégias e planejamentos que orientam o Sistema Único de Saúde (SUS) na prevenção, diagnóstico e tratamento dessas infecções. É nesse campo que se definem políticas que impactam desde a ampliação da testagem até a incorporação de tecnologias, passando pela vigilância epidemiológica e pela organização do cuidado em todo o país.

Mais do que ocupar cargos de liderança, essas profissionais atuam em um espaço onde ciência, gestão e compromisso público se articulam para enfrentar desafios históricos, ainda atravessados por desigualdades e estigmas. Seu trabalho sustenta ações contínuas de prevenção combinada, cuidado integral e produção de dados estratégicos — elementos centrais para a redução da morbimortalidade associada ao HIV/aids, à tuberculose, às hepatites virais e às infecções sexualmente transmissíveis.

Pâmela Cristina Gaspar: vigilância, ciência e inovação na resposta às ISTs

Pâmela Cristina Gaspar — Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis

À frente da Coordenação-Geral de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis (CGIST) do Ministério da Saúde, Pâmela Cristina Gaspar atua na formulação e implementação de estratégias que estruturam a resposta nacional às ISTs no Brasil.

Farmacêutica com formação em bioquímica e análises clínicas, é mestre em Farmácia pela Universidade Federal de Santa Catarina e doutora em Saúde Coletiva pela Universidade de Brasília. Sua trajetória no Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi) começa em 2014, passando por funções técnicas e de coordenação até assumir o cargo atual, em 2023.

Ao longo desse percurso, consolidou uma atuação marcada pela produção de conhecimento e pela incorporação de tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS), com destaque para a implementação de novos métodos diagnósticos, como biologia molecular, autotestes e estratégias de autocoleta. Também contribui para a elaboração de protocolos clínicos, diretrizes terapêuticas e ações de vigilância epidemiológica, incluindo o monitoramento da resistência do gonococo aos antimicrobianos.

Sua atuação articula pesquisa, gestão e políticas públicas, fortalecendo a capacidade do SUS de responder às ISTs com base em evidências, inovação e qualificação do cuidado.

Fernanda Dockhorn Costa Johansen: integração entre cuidado e gestão na resposta à tuberculose

Quem é Quem — Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis

Na Coordenação-Geral de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Micobactérias Não Tuberculosas (CGTM), Fernanda Dockhorn Costa Johansen atua na articulação de estratégias que integram assistência, vigilância e políticas públicas no enfrentamento da tuberculose no Brasil.

Médica com residência em Clínica Médica pela Universidade Federal do Espírito Santo e mestrado em doenças infecciosas pela Universidade de Brasília, construiu uma trajetória que combina experiência clínica, gestão e atuação internacional. Antes de assumir a coordenação no Ministério da Saúde, trabalhou em serviços públicos e privados e atuou como supervisora clínica do ICAP-Columbia University, em Moçambique, onde coordenou programas voltados ao cuidado e à prevenção do HIV, além da integração com ações de tuberculose.

No Brasil, sua atuação inclui a colaboração com organismos internacionais e o desenvolvimento de estratégias para integração entre tuberculose e HIV, monitoramento de programas e fortalecimento da resposta à doença em diferentes níveis do sistema de saúde. Também integra o Global Laboratory Initiative (GLI), grupo internacional que contribui para recomendações técnicas em diagnóstico da tuberculose em parceria com a Organização Mundial da Saúde.

Seu trabalho evidencia a importância da articulação entre diferentes áreas e territórios para enfrentar uma doença que ainda representa um desafio central para a saúde pública.

Tiemi Arakawa: planejamento, evidências e articulação na vigilância das hepatites virais

Quem é Quem — Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis

À frente da Coordenação-Geral de Vigilância das Hepatites Virais (CGHV) do Ministério da Saúde, Tiemi Arakawa atua na construção de estratégias que articulam planejamento, monitoramento e políticas públicas voltadas ao enfrentamento das hepatites no Brasil.

Enfermeira formada pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), é doutora e pós-doutora em Ciências da Saúde, com trajetória marcada pela atuação em vigilância em saúde, gestão de projetos e produção de evidências. Ao longo de sua carreira, acumulou experiência em iniciativas nacionais e internacionais, incluindo projetos de cooperação técnica, pesquisa clínica e ações de engajamento comunitário.

No Ministério da Saúde, atuou em diferentes frentes antes de assumir a coordenação-geral, com destaque para o planejamento estratégico, monitoramento de políticas públicas e apoio à implementação de ações em estados e municípios. Sua atuação envolve ainda a elaboração de documentos técnicos, articulação intersetorial e fortalecimento de iniciativas voltadas à participação social e ao controle das hepatites virais.

Seu trabalho reforça o papel da gestão orientada por dados e evidências na consolidação de respostas eficazes e sustentáveis no campo da vigilância em saúde.

A construção cotidiana de uma resposta pública baseada em ciência, gestão e compromisso social

Apesar de trajetórias distintas, as três profissionais compartilham um ponto de convergência: atuam na linha de frente da organização de políticas públicas que estruturam a resposta do país a doenças historicamente marcadas por desigualdades, estigma e desafios persistentes.

Em comum, está a capacidade de articular conhecimento técnico, gestão estratégica e compromisso com o Sistema Único de Saúde para transformar diretrizes em ações concretas, que chegam aos territórios e impactam diretamente a vida da população.

No Mês da Mulher, reconhecer essas histórias é também reconhecer o papel fundamental das mulheres na condução das políticas públicas de saúde no Brasil — e na sustentação de respostas que exigem continuidade, inovação e compromisso permanente com o cuidado.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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