Mês da Mulher: onde a vida acontece, mulheres do Instituto Cultural Barong constroem a resposta ao HIV

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Em uma resposta à epidemia de HIV/aids construída também fora dos grandes centros institucionais, nas ruas, nas escolas, nos eventos e nos territórios, o trabalho de organizações da sociedade civil segue sendo essencial para garantir informação, cuidado e direitos.

É nesse campo que atua o Instituto Cultural Barong, organização que, desde 1996, constrói uma forma própria de fazer saúde: próxima, itinerante e baseada no diálogo direto com a população.

Por trás dessa trajetória, estão mulheres que sustentam, no cotidiano, o funcionamento e o impacto dessas ações. Entre elas, Regiane Garcia, Fernanda Peres Guidolin e Eneida Carvalho — profissionais que, em diferentes frentes, ajudam a manter viva uma resposta que acontece onde muitas vezes o Estado não chega.

Regiane Garcia: escuta, educação e transformação

A trajetória de Regiane Garcia é atravessada por temas que sempre estiveram no centro da resposta ao HIV: sexualidade, informação e acolhimento.

Psicóloga formada pela Universidade Metodista de São Paulo, com especialização em sexualidade pela SBRASH e formação em psicodrama pelo Instituto Brasileiro de Psicodrama, Regiane construiu uma atuação que conecta clínica, educação e intervenção social.

No Barong, sua prática se materializa em rodas de conversa, palestras e atividades educativas que abordam temas muitas vezes cercados por silêncio e estigma. Ao tratar de sexualidade e saúde de forma aberta e acessível, contribui diretamente para a prevenção e para a construção de autonomia das pessoas sobre seus corpos e suas escolhas.

Sua formação também em História, pelo Instituto Claretiano, amplia esse olhar, incorporando uma dimensão crítica sobre as desigualdades sociais que atravessam o acesso à saúde.

Mais do que transmitir informação, seu trabalho está centrado na escuta — elemento fundamental em uma resposta ao HIV que se pretende, de fato, humanizada.

Fernanda Peres Guidolin: a estrutura que sustenta o cuidado

Se a atuação do Barong é visível nas ruas e nas ações educativas, ela também depende de uma base sólida de organização e gestão — e é nesse campo que atua Fernanda Peres Guidolin.

À frente da gestão financeira da organização há mais de uma década, Fernanda é responsável por uma área estratégica e muitas vezes invisibilizada: a viabilização dos projetos.

Com formação pelo Centro Universitário Senac, sua atuação envolve desde a prestação de contas de projetos governamentais até a gestão de recursos, compras e logística — processos fundamentais para garantir que as ações aconteçam de forma contínua e transparente.

Sua trajetória anterior, marcada pela atuação em eventos e logística, contribuiu para consolidar uma visão operacional que hoje sustenta o funcionamento do Barong.

Em um cenário em que organizações da sociedade civil frequentemente enfrentam instabilidade de financiamento, esse trabalho se torna ainda mais central: sem gestão, não há projeto; sem projeto, não há impacto.

Eneida Carvalho: cuidar de quem cuida

No funcionamento de uma organização como o Instituto Cultural Barong, o impacto das ações externas depende diretamente de uma estrutura interna sólida — e é nesse campo que atua Eneida Carvalho.

Responsável pela gestão de recursos humanos, Eneida desempenha um papel estratégico na sustentação das equipes que estão na linha de frente das ações de prevenção, educação e cuidado. Sua atuação envolve o acompanhamento de profissionais, a organização de processos internos e a garantia de condições adequadas para o desenvolvimento do trabalho em campo.

Em uma organização formada por equipes multidisciplinares — que incluem agentes de saúde, psicólogas, educadores e assistentes sociais —, a gestão de pessoas se torna um elemento central para garantir a qualidade e a continuidade das ações.

Mais do que uma função administrativa, seu trabalho está diretamente ligado à manutenção do cuidado: é ele que possibilita que as equipes estejam preparadas, estruturadas e apoiadas para atuar em contextos muitas vezes desafiadores.

Ao fortalecer quem está na ponta, Eneida contribui para que o Barong siga cumprindo sua missão de levar informação, acolhimento e saúde a diferentes territórios.

O Barong e a presença onde a vida acontece

Desde sua criação, o Instituto Cultural Barong desenvolveu uma metodologia própria baseada na itinerância — estar presente em espaços de grande circulação, dialogando diretamente com as pessoas.

Essa escolha não é apenas operacional, mas política: reconhecer que o acesso à informação e à saúde precisa chegar a todos, especialmente àqueles que historicamente ficam à margem das políticas públicas.

Ao longo de quase तीन décadas, a organização já passou por mais de 50 municípios, impactou mais de um milhão de pessoas e produziu materiais educativos que circulam dentro e fora do Brasil.

Mulheres que sustentam a resposta todos os dias

As trajetórias de Regiane Garcia, Fernanda Peres Guidolin e Eneida Carvalho mostram que a resposta ao HIV/aids é construída por muitas mãos — e nem sempre nos espaços mais visíveis.

São mulheres que atuam na escuta, na gestão, na educação e na defesa de direitos, garantindo que o cuidado aconteça de forma contínua, concreta e acessível.

No Mês da Mulher, reconhecer essas histórias é também reconhecer o papel fundamental das organizações da sociedade civil e das mulheres que, todos os dias, seguem fazendo da resposta ao HIV uma prática viva — presente onde a vida, de fato, acontece.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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