Quando o trabalho invisível é, na verdade, essencial
Encerrando as homenagens do Mês da Mulher, este reconhecimento se volta para quem, muitas vezes, não aparece — mas faz tudo acontecer. As secretárias são presença constante nos bastidores das instituições, organizando fluxos, acolhendo demandas, conectando pessoas e garantindo que o cuidado chegue a quem precisa.
Mais do que funções administrativas, seus trabalhos carregam escuta, sensibilidade e compromisso. Em áreas estratégicas como saúde pública, educação e assistência, elas sustentam estruturas inteiras — e, no caso da resposta ao HIV/aids no Brasil, também contribuem diretamente para que políticas, ações e cuidados cheguem à população.
As trajetórias de Ieda Maria Oliveira Fornazier, Izabel Cristina Petronieri da Rocha e Marinilce Assis Pereira Bilac revelam a dimensão desse papel.
Uma vida dedicada ao SUS: compromisso com a vida e com a equidade

Admitida no Ministério da Saúde em 11 de setembro de 1984, Ieda Maria Oliveira Fornazier construiu uma trajetória que se confunde com a própria história da saúde pública brasileira. Atualmente, atua na Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), onde segue contribuindo para o fortalecimento das políticas públicas em saúde.
Ao longo de décadas de trabalho, ela acompanhou o nascimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e testemunhou de perto sua expansão e consolidação.
“Sinto-me profundamente realizada profissionalmente, porque trabalhar na saúde pública é, acima de tudo, um ato de compromisso com a vida. Independentemente da função que exercemos, cada ação carrega o propósito de construir um sistema de saúde mais justo, mais acessível e livre de estigmas e discriminações”, afirma.
Sua experiência revela que o impacto do trabalho vai muito além do cuidado direto. Para ela, cada avanço no SUS representa uma porta que se abre, levando cuidado e esperança a lugares antes inalcançáveis.
“Salvar vidas vai além do cuidado direto — é reconhecer histórias, valorizar experiências que deram certo e, principalmente, garantir que cada pessoa tenha seus direitos respeitados, independentemente de raça, cor ou gênero.”
Ieda também destaca o papel estratégico de quem atua nos bastidores, especialmente em áreas como vigilância em saúde, onde informação, organização e articulação são fundamentais para responder a desafios como epidemias.
“É também ter sensibilidade para orientar, informar e apoiar gestores, acreditando que, a cada novo amanhecer, sempre podemos fazer mais, sempre podemos cuidar melhor. Prevenir e cuidar vão muito além do que podemos planejar. Cada novo amanhecer traz seus próprios desafios — e a coragem de enfrentá-los é o que nos fortalece.”
Educar, cuidar e prevenir: instituições que fazem a diferença na resposta ao HIV/aids

Com 40 anos de atuação no Senac, Izabel Cristina Petronieri da Rocha construiu uma carreira pautada pela formação e pelo aprendizado contínuo. A instituição, reconhecida por sua atuação em educação profissional, também desempenha papel importante na promoção da saúde e na disseminação de conhecimento — aspectos fundamentais na resposta ao HIV/aids.
Graduada em Pedagogia e Secretariado, ela enxerga sua trajetória como um processo constante de construção.
“Me sinto em constante aprendizado”, resume.
Para Izabel, trabalhar com saúde e educação é lidar com duas dimensões inseparáveis da vida coletiva — especialmente quando se trata de prevenção, informação e formação de profissionais preparados.
“Trabalhar com saúde e educação, vejo como duas ações que andam juntas, que trabalham conscientemente para o coletivo, capacitando constantemente o ato de educar para o saber fazer.”
Sua fala evidencia uma visão ampla do trabalho: mais do que executar tarefas, trata-se de contribuir para a formação de pessoas, fortalecer conhecimentos e ampliar possibilidades — elementos essenciais no enfrentamento de epidemias como a do HIV.
Cuidado que transforma: o impacto social do Sesc

Há 34 anos e meio no Sesc, Marinilce Assis Pereira Bilac construiu sua trajetória como secretária acompanhando de perto a evolução de uma das instituições mais relevantes na promoção do bem-estar social no país — inclusive com ações voltadas à saúde e à qualidade de vida, fundamentais na luta contra a aids.
Formada em Ciências Contábeis e Secretariado, ela viu, ao longo do tempo, o impacto concreto das ações desenvolvidas.
“Sinto uma grande realização em atuar no Sesc. Tenho orgulho de fazer parte de uma instituição que coloca as pessoas no centro e promove bem-estar, cidadania e desenvolvimento humano por meio da saúde, da educação, da cultura e do lazer.”
Sua experiência é marcada pelo contato direto com os resultados do trabalho coletivo.
“Ver o impacto desse trabalho na vida do comerciário, de suas famílias e de todos os frequentadores me motiva diariamente.”
Para Marinilce, cada atendimento é mais do que uma tarefa — é uma oportunidade de transformação.
“Cada atividade e cada atendimento mostram como o acesso ao cuidado, ao conhecimento e às diversas formas de expressão transforma vidas e fortalece vínculos.”
Muito além da organização: o trabalho que sustenta
As histórias de Ieda, Izabel e Marinilce mostram que o trabalho das secretárias vai muito além da organização administrativa. Ele é estruturante, estratégico e profundamente humano — especialmente em contextos como a saúde pública e a resposta ao HIV/aids, onde cada detalhe pode fazer a diferença.
São profissionais que garantem que políticas públicas saiam do papel, que ações educativas aconteçam, que serviços cheguem à população. São elas que acolhem, orientam, conectam e, muitas vezes, resolvem — mesmo quando ninguém está olhando.
Encerrar o Mês da Mulher com essa homenagem é reconhecer que transformar realidades não é apenas estar na linha de frente. Ao homenagear essas trajetórias, homenageamos também todas as mulheres que atuam nos bastidores — e que, todos os dias, fazem a diferença de forma silenciosa, mas essencial.
Redação da Agência de Notícias da Aids



