Mês da Mulher: no CineSesc, mulheres transformam o cinema em espaço de debate sobre saúde, diversidade e direitos

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Em uma cidade marcada pela velocidade e pelo excesso de informação, poucos espaços conseguem interromper o fluxo para propor reflexão coletiva. O CineSesc é um desses lugares.

Mais do que uma sala de exibição, o espaço tem se consolidado como um território de debate público — onde o cinema se transforma em ferramenta para discutir temas urgentes como saúde, diversidade, direitos humanos e HIV/aids.

Por trás dessa construção estão duas mulheres que articulam, nos bastidores, uma programação que ultrapassa a tela: Simone Yunes e Graziela Marcheti.

Simone Yunes: gestão cultural como mediação e escuta

À frente da gerência do CineSesc, Simone Yunes atua em um dos pontos mais sensíveis da cultura contemporânea: a reconstrução da relação entre público e cinema em um cenário pós-pandemia.

Mas sua atuação não se limita à recuperação de plateia. Há, em sua gestão, uma compreensão de que ocupar a sala de cinema hoje exige mais do que exibir filmes — exige criar sentido.

Sob sua condução, o CineSesc tem fortalecido sessões seguidas de debates, encontros com especialistas, realizadores e representantes da sociedade civil. São conversas que ampliam a experiência cinematográfica e conectam as narrativas exibidas com questões concretas da vida social.

Temas como saúde pública, diversidade sexual, direitos da população LGBTQIA+ e o enfrentamento ao HIV/aids passaram a integrar de forma consistente a programação. O cinema, nesse contexto, deixa de ser apenas linguagem artística e se afirma como dispositivo de escuta e reflexão coletiva.

Essa mediação com o público — cuidadosa e intencional — é uma das marcas de sua gestão.

Graziela Marcheti: curadoria que provoca e conecta realidades

Se a gestão estabelece diretrizes, é na curadoria que o discurso ganha corpo. Como coordenadora de programação, Graziela Marcheti é responsável por construir uma agenda que dialogue com o presente sem abrir mão da diversidade estética e narrativa.

Sua atuação vai além da seleção de filmes. Trata-se de pensar o cinema como linguagem capaz de atravessar temas complexos e, ao mesmo tempo, aproximá-los do público.

Ao articular mostras, festivais e ciclos temáticos, Graziela contribui para posicionar o CineSesc como um espaço onde diferentes agendas se encontram: do cinema autoral às discussões sociais mais urgentes.

Eventos como o tradicional “Sesc Melhores Filmes” e mostras conectadas a circuitos como Tiradentes são exemplos dessa curadoria que equilibra reconhecimento crítico e relevância contemporânea.

Mas é sobretudo na escolha de obras que abordam questões como gênero, sexualidade, desigualdades e saúde que sua atuação ganha contornos mais políticos — no sentido de ampliar vozes e narrativas historicamente marginalizadas.

O cinema como ferramenta de saúde e cidadania

Em um contexto onde o debate sobre HIV/aids ainda enfrenta estigma e desinformação, espaços culturais como o CineSesc assumem um papel estratégico.

Ao exibir filmes que abordam o tema — e promover conversas que incluem profissionais de saúde, ativistas e pessoas vivendo com HIV — o espaço contribui para atualizar o debate público e ampliar o acesso à informação.

Essa abordagem dialoga com uma tradição brasileira em que cultura e saúde caminham juntas, especialmente no enfrentamento à epidemia.

Mais do que informar, o cinema, nesse contexto, humaniza. Dá rosto, voz e história a experiências que muitas vezes permanecem invisibilizadas.

E é nesse ponto que a curadoria e a gestão se encontram: na construção de um espaço onde assistir a um filme pode ser também um ato de aprendizado, empatia e transformação.

Sob a atuação de Simone Yunes e Graziela Marcheti, o CineSesc aposta em uma experiência que não pode ser replicada fora da sala: o encontro.

Encontro com o filme, com o outro e com o debate. Localizado na Rua Augusta, um dos eixos culturais mais simbólicos de São Paulo, o espaço se reafirma como ponto de convergência entre diferentes públicos, gerações e repertórios.

No Mês da Mulher, reconhecer suas trajetórias é também reconhecer que a cultura se constrói no detalhe: na escolha de um filme, na mediação de um debate, na escuta do público.

E, no caso do CineSesc, é esse conjunto de decisões que transforma a sala escura em um espaço de luz — onde histórias não apenas são contadas, mas discutidas, sentidas e ressignificadas coletivamente.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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