Em um sistema de saúde cada vez mais complexo, onde inovação, políticas públicas e acesso caminham em tensão constante, algumas lideranças se destacam justamente por atuar nas conexões.
As trajetórias de Silvia Sfeir e Cinira Marcondes revelam como diferentes frentes — da estratégia na indústria farmacêutica à comunicação e articulação institucional — podem convergir para enfrentar desafios estruturais, como o acesso à saúde e o combate a estigmas históricos.
Mais do que carreiras paralelas, suas atuações ajudam a entender como decisões, narrativas e parcerias moldam, na prática, o alcance da saúde no Brasil.
Estratégia, acesso e influência
À frente de uma posição estratégica na Bayer, Silvia Sfeir construiu uma carreira sólida conectando ciência, mercado e políticas públicas. Sua atuação em Sales & Market Access a coloca em um dos pontos mais sensíveis do sistema: a mediação entre inovação e acesso real.
Com passagens por multinacionais como Novartis e Bristol Myers Squibb, Silvia acumulou experiência em áreas centrais para o funcionamento do setor — da precificação de medicamentos à incorporação de novas tecnologias e relacionamento governamental.
Em um país como o Brasil, onde o acesso a tratamentos depende de negociações complexas entre indústria e poder público, sua atuação exige não apenas visão estratégica, mas leitura apurada das dinâmicas sociais e institucionais.
Essa mesma capacidade de articulação se estende à formação de novas lideranças. Professora no Insper há mais de duas décadas, Silvia contribui para preparar profissionais em estratégia e marketing, além de participar de iniciativas como a Enactus, voltadas a projetos de impacto social.
Ao abordar temas como equidade de gênero e autonomia econômica, sua atuação também reforça um ponto essencial: ampliar a presença de mulheres em posições de decisão não transforma apenas estruturas corporativas — redefine prioridades dentro do próprio sistema de saúde.
Comunicação, articulação e impacto coletivo
Se Silvia atua na engrenagem estratégica da saúde, Cinira Marcondes se destaca por tornar esse sistema compreensível, viável e conectado.
Com mais de 30 anos de trajetória, Cinira construiu uma carreira na interface entre comunicação, relações institucionais e políticas públicas, atuando como ponte entre organizações, gestores, especialistas e sociedade civil.
Sua formação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo marca o início de um percurso que atravessa diferentes fases do setor farmacêutico no Brasil — desde a expansão de tratamentos nos anos 1990 até a consolidação de políticas públicas mais estruturadas.
Na Merck Sharp & Dohme (MSD), onde desenvolveu grande parte de sua trajetória, esteve à frente de iniciativas estratégicas voltadas à articulação entre setor privado e interesse público.
Um dos marcos desse percurso está na construção de parcerias que contribuíram para a incorporação de vacinas como HPV e hepatite A ao Programa Nacional de Imunizações, em 2014 — um avanço significativo na prevenção e no acesso à saúde no país.
Mais do que desenho de projetos, sua atuação envolve negociação, construção de consensos e coordenação entre múltiplos atores — elementos essenciais em um sistema marcado por desigualdades.
Paralelamente, Cinira também se destaca pela capacidade de traduzir temas complexos em narrativas acessíveis, especialmente em agendas sensíveis como HIV/aids, prevenção e enfrentamento do estigma.
Sua liderança se manifesta, muitas vezes, fora dos holofotes — sustentando conexões, viabilizando parcerias e ampliando o alcance de iniciativas que dependem, sobretudo, de diálogo.
Mulheres que ampliam o alcance da saúde
No Mês da Mulher, reconhecer trajetórias como essas é também reconhecer uma transformação em curso.
Cada vez mais presentes em posições estratégicas — seja na tomada de decisão, na formação de profissionais ou na mediação entre setores — mulheres têm ampliado o alcance e a qualidade das respostas em saúde.
As trajetórias de Silvia e Cinira mostram, na prática, que saúde não se constrói apenas com ciência ou gestão. Ela se constrói, sobretudo, na interseção entre estratégia, comunicação e compromisso coletivo.
Redação da Agência de Notícias da Aids




