Mês da Mulher: Engajadas, elas provam que ativismo em HIV/aids se faz com defesa do SUS

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No mês dedicado à valorização das mulheres, a Agência Aids traz histórias de figuras inspiradoras que transformam a luta contra o HIV/aids no Brasil. Elas são militantes, pesquisadoras, gestoras e ativistas que dedicam suas vidas à defesa do SUS e dos direitos das pessoas vivendo com HIV. Em diferentes frentes de atuação, enfrentam desafios, rompem barreiras e constroem um futuro mais inclusivo e livre do estigma. Conheça as trajetórias dessas mulheres que fazem a diferença.

Keila Simpson

Keila Simpson é uma ativista trans brasileira de vanguarda. Com um legado de muita resistência, luta e dedicação, seu reconhecimento nacional e internacional faz com que essa trajetória justifique os diversos títulos, prêmios e diplomas por conta da experiência que acumula.

Ativista desde a década de 1990, Keila fundou a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e, atualmente, continua como presidente da organização. Além disso, ela foi pioneira no trabalho de prevenção ao HIV/aids no país e já foi vice-presidenta da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT).

Em 2013, recebeu o Prêmio Nacional de Direitos Humanos das mãos da então presidenta Dilma Rousseff. Considerada uma das mais importantes lideranças trans mais importantes do Brasil, lidera inúmeras atividades e projetos de proteção aos direitos das pessoas trans através de 127 instituições pelo país.

Referência para milhares de pessoas trans e travestis, Keila também enfrentou e enfrenta o peso da transfobia, mas segue firme para construir uma história de dignidade e inclusão. Em 2022, recebeu o título de doutora honoris causa pelo Conselho Universitário da UERJ, que aprovou por unanimidade a titulação de Keila.

Keila nasceu em Pedreiras, no interior do Maranhão, mas hoje vive em Salvador (BA). Foi na capital baiana que sua militância ganhou corpo ao fundar a Associação de Travestis de Salvador, em 1995, no auge da pandemia do HIV.

Em 2004, por causa de sua atuação política, Keila conseguiu tornar possível o Dia da Visibilidade Trans, ao lado de outras figuras memoráveis.

A vitória veio através da histórica campanha “Travesti e Respeito”, que em Brasília tomou o Congresso Nacional, exigindo dignidade à população trans. O ato deu origem ao dia 29 de janeiro, que é a data em que é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans.

Carla Almeida

Os desafios são muitos para quem luta contra a aids em uma região que acumula graves problemas. Com uma epidemia diferenciada do restante do Brasil, o Sul do país há anos enfrenta uma grave epidemia de HIV. Estudos indicam que a chance de uma pessoa morrer em decorrência da aids nessa região chega a ser cinco vezes maior. Lá, Carla Almeida é uma das vozes mais ativas.

A cientista social é conhecida por sua intensa atuação nas políticas públicas voltadas à tuberculose e ao HIV/aids. Feminista, contribui tanto na academia quanto no movimento social.

No Brasil e no mundo, a ativista tem participado de fóruns internacionais, levando a perspectiva da sociedade civil.

O machismo que vulnerabilizam ainda mais as mulheres no acesso à saúde e nos cuidados preventivos são desafios que Carla enfrenta diariamente, mas Carla Almeida segue determinada por um ativismo que não deixe nenhuma mulher para trás.

Pesquisadora cultural e de comportamento, Carla Almeida conduz pesquisas em Saúde, sendo especialista em gênero, direitos humanos, diversidade e inclusão social. Além disso, é presidente do Grupo de Apoio à Prevenção da Aids no Rio Grande do Sul (GAPA/RS), aluna do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Medicina Social da UFRJ e integrante da Coordenação Executiva da Articulação Nacional de Luta contra a Aids.

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No ano de 2020, coordenou um estudo internacional, apoiado pela Organização Mundial da Saúde e pela Organização Pan-Americana da Saúde, intitulado “O impacto da Pandemia de Covid-19 nas Políticas de HIV, Aids e Tuberculose no Brasil: um inquérito da sociedade civil brasileira”. Além disso, participou de outras pesquisas e também foi consultora técnica da OMS.

O GAPA/RS foi a primeira ONG situada no Sul do país voltada ao acolhimento psicossocial e jurídico de pessoas atingidas pelo vírus do HIV. Trata-se de uma organização não-governamental, fundada em 1989.

Marta McBritton

Marta McBritton é mais uma aliada da luta, promovendo saúde, prevenção e a defesa dos direitos humanos no Brasil. Presidente do Instituto Cultural Barong, uma organização sem fins lucrativos sediada em São Paulo, lidera ações voltadas à educação e prevenção em saúde sexual e reprodutiva.

Apesar de estar sediada em São Paulo, a ONG atua também em outras cidades e estados do Brasil, levando informações e insumos de prevenção às Infecções Sexualmente Transmissíveis, por meio de ações itinerantes. Esse trabalho de décadas tem sido fundamental para reduzir a vulnerabilidade, especialmente da população trans.

Sob a liderança de Marta, o Instituto Cultural Barong ainda tem se destacado por suas iniciativas que unem arte, diversidade e informação acessível para a promoção da saúde.

Para ela, a prevenção é o melhor caminho.

Renata Souza

De Presidente Prudente, Renata Souza encontrou no movimento social um espaço de força e acolhimento. Para a assistente social, que enfrenta o HIV desde 1999, o maior desafio que encontrou no caminho foi o preconceito.

Hoje, feliz, saudável e consciente de que um diagnóstico não lhe define, ela vive em Presidente Prudente, interior de São Paulo.

A ativista faz parte do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas, lutando pela vida das mulheres. No mesmo movimento que lhe acolheu quando mais precisou, agora segue ocupando o secretariado. Renata também é conselheira de saúde, o que tem lhe permitido pautar as demandas das mulheres vivendo com HIV/aids para a formulação de políticas públicas no SUS.

Redação da Agência de Notícias da Aids

Dica de entrevista

MNCP (Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas)
E-mail: secretarianacionalmncp@gmail.com

Instituto Cultural Barong
Tel.: (11) 96636-3897

Antra
Site: www.antra.gov.br

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