
Até 2019, mais de 150 milhões de mulheres brasileiras — 7 em cada 10 — dependiam exclusivamente do SUS (Sistema Único de Saúde) para seus tratamentos, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do IBGE. Elas são maioria na população e na força de trabalho do SUS, desempenhando papéis essenciais na saúde pública. No entanto, são também as que mais sofrem discriminação, enfrentam condições precárias de trabalho, baixos salários e falta de reconhecimento.
Mas a história não termina aí. Quando as mulheres se unem, impulsionam mudanças. Suas lutas podem ser diferentes, mas a força coletiva abre caminhos para futuras gerações.
Muitas já ocupam espaços de destaque, lideram e inspiram. Entre elas, estão aquelas que dedicam suas vidas à luta contra o HIV/aids — seja na arte, na ciência ou na militância. Algumas expressam, por meio da cultura, o peso e a potência de viver com HIV, rompendo estigmas. Outras fazem da medicina uma ferramenta de acolhimento, enquanto algumas estão na academia, buscando respostas para os desafios que a ciência ainda não solucionou.
Suas histórias precisam ser contadas. Por isso, a Agência Aids amplifica essas vozes que mudam o mundo.
Micaela Cyrino

Micaela Cyrino é mais que uma artista que fala sobre HIV/aids. Sua obra transita entre vida, afeto, infância, ancestralidade e as violências que atravessam, especialmente, os corpos de mulheres pretas latino-americanas.
Nascida em 1988, na zona sul de São Paulo, desde pequena usou a arte como forma de enxergar e resistir ao mundo. Sua luta é garantir que a juventude preta possa sonhar com novos horizontes. A saúde, constantemente negada a essa população, é um dos pilares de sua produção artística e acadêmica.

Micaela não se cala. Sua vivência positiva — nasceu com HIV e cresceu no início da epidemia de aids no Brasil — moldou sua forma de ver a vida. Perdeu a mãe para a doença e passou parte da infância em um abrigo. Mas sua história não se resume à dor. Ela transformou o HIV em potência e o encara como uma forma de existir, apesar dos desafios.
Hoje, Micaela Cyrino milita pelo direito ao prazer, à saúde sexual e reprodutiva, inspirando outras mulheres a fazerem o mesmo.
Dra. Margareth Dalcolmo

Dra. Margareth Dalcolmo é uma das maiores cientistas brasileiras. Presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e pesquisadora da Fiocruz, dedicou sua carreira ao estudo da tuberculose e das doenças pulmonares. Foi também uma das principais vozes no combate à Covid-19 e uma pioneira na luta contra o tabagismo no Brasil.

Com mais de 120 artigos científicos publicados, ela se tornou doutora em Medicina pela Unifesp e é a nona mulher a integrar a Academia Nacional de Medicina. Além disso, atua como embaixadora do Movimento Nacional pela Vacinação, lançado por Nísia Trindade.
Defensora incansável da ciência, das vacinas e do SUS, Margareth Dalcolmo inspira mulheres e meninas a ocuparem a ciência com coragem e determinação.
Pisci Bruja
Pesquisadora e ativista, Pisci Bruja desafia paradigmas todos os dias. Mestra em Antropologia Social pela USP, estuda a criminalização da transmissão do HIV e suas conexões com política sexual, moralidades e regulação da sexualidade.

Graduada em Ciências Sociais pela Unicamp, com intercâmbio no Instituto de Estudos Europeus da Sorbonne Nouvelle, atua como educadora comunitária no Centro de Pesquisa do Hospital Dia do Emílio Ribas. Também é articuladora em saúde na ONG Casa Chama, redutora de danos na ONG É de Lei e integrante do coletivo Loka de Efavirenz.
Travesti vivendo com HIV, Pisci recebeu o diagnóstico aos 24 anos. Foi um terremoto que sacudiu sua vida, mas também a despertou para as desigualdades sociais e para os desafios do SUS. Desde então, dedica-se a criar estratégias que aproximem pessoas trans e racializadas da saúde pública.

Além de atuar na pesquisa sobre a vacina e a cura do HIV, sua militância se manifesta também na arte: no Loka de Efavirenz, produz performances, intervenções e projetos de políticas públicas voltadas para o enfrentamento do HIV e da aids.
Renata Carvalho

Atriz, diretora, roteirista e transpóloga, Renata Carvalho faz da arte um meio de resistência. Seu trabalho se conecta com vida, afeto e causas sociais, sempre com intensidade e propósito.
Em 2016, estreou “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”, interpretando Jesus Cristo como uma mulher trans. O espetáculo foi um sucesso de bilheteria, mas também alvo de censura e ataques violentos. Durante um período, Renata precisou usar colete à prova de balas para se proteger de ameaças de morte. Mesmo diante do linchamento virtual e do adoecimento mental causado pelo ódio, ela resistiu.

Nascida em Santos, chegou a se prostituir antes de ser acolhida pelo serviço social e se tornar agente de prevenção. Essa experiência a levou a rodar o país e o mundo com “Manifesto Transpofágico”, um espetáculo que mistura arte e ativismo.
No cinema, interpretou Rose em “Os Primeiros Soldados”, personagem que vive com HIV e enfrenta o adoecimento pela aids. Mas sua relação com o HIV/aids começou muito antes: durante 11 anos, trabalhou diretamente com a população trans em situação de prostituição, atuando na prevenção.
Renata mostra que a luta contra o HIV/aids pode acontecer de várias formas. Seja na arte ou no ativismo, o importante é ter compromisso, sensibilidade e respeito.
Adriana Bertini

Adriana Bertini, natural de Porto Alegre, é uma arthivista que transforma embalagens de antirretrovirais, preservativos e medicamentos vencidos ou defeituosos em matéria-prima para ser usada na confecção de obras de arte. Os materiais e instalações são criados para que o público reflita sobre diferentes temas que causam incômodo e motivam a artista. Esta é a forma que a Adriana encontrou para promover a conscientização e inspirar a reflexão sobre a importância da prevenção às IST/aids, destacando especialmente o uso de preservativos.

Adriana Bertini atua nas artes visuais há 30 anos e há mais de duas décadas no movimento de aids. Sua arte tem como objetivo central trazer uma perspectiva plural, diversa e multidisciplinar. Com essa narrativa, ela tem explorado novas formas de discutir sexualidade, saúde sexual e reprodutiva, além de combater o estigma, a discriminação e abordar as questões ambientais.
Seu trabalho tem sido uma fonte de inspiração. Ao longo de sua trajetória, Bertini já percorreu 54 países, exibindo suas obras.
Redação da Agência de Notícias da Aids
Dicas de entrevista
Micaela Cyrino
@micaelacyrino
Margareth Dalcolmo
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