MÊS DA MULHER: Duas lideranças médicas e uma ativista dedicadas ao combate à aids e ao preconceito

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11/03/2014 – 19h

Com o perfil de mais três mulheres, damos continuidade à série de matérias em homenagem às personagens femininas que lutam para melhorar as condições de vida das pessoas vivendo com HIV. Uma delas, Mariângela Simão, esteve á frente do Programa Nacional de DST/Aids, atual Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais e, hoje, coordena a área de Prevenção do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), na Suíça. Rosa de Alencar, também médica, é coordenadora adjunta do Programa Estadual DT/Aids de São Paulo. E Jenice Pizão, uma ativista do Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas

Mariângela Simão, médica com atuação de liderança no combate à aids

Mariângela Batista Galvão Simão é médica pediatra sanitarista, com mestrado em saúde materno-infantil pelo Institute of Child Health da Universidade de Londres (atual University College). Mãe de dois filhos, atua em saúde pública desde 1983. Começou como pediatra em unidades básicas de saúde, passou a diretora do Departamento de Assistência à Saúde de Curitiba, diretora do Departamento de Vigilância e Pesquisa da Secretaria de Saúde do Paraná e diretora do Centro de Informação e Planejamento em Saúde de Curitiba.

Em 2004, Mariângela passou a integrar o então Programa Nacional de DST/Aids — era responsável pela Unidade de Cooperação Externa. Assumiu a função de diretora adjunta e, posteriormente, diretora geral.

Em 2010, a médica passou a coordenar a área de prevenção do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), em Genebra, na Suíça, onde está atuando hoje.

Rosa de Alencar, a paraense que atende pessoas vivendo com HIV desde 1989

Rosa de Alencar Souza formou-se em medicina pela Universidade Federal do Pará, em 1984. Iniciou sua atuação profissional no Centro de Referência em DST/Aids de São Paulo (CRT) em 1989, após a especialização em infectologia no Hospital Heliópolis. Nessa época , integrava a equipe do ambulatório, tendo sob seus cuidados grande número de pessoas vivendo com HIV/aids. Além disso, realizava atividades para a capacitação de profissionais da saúde que estavam ingressando nos serviços de atendimento a portadores de aids em todo Estado.

Em 1993, foi convidada para assumir o Serviço de Assistência à Saúde do CRT. A partir de 1995, passou a ter uma importante atuação na estruturação e na ampliação da rede de serviços especializados e das modalidades assistenciais, como implantação de hospitais-dia e assistência domiciliar terapêutica, além dos ambulatórios especializados, conhecidos como Serviço de Assistência Especializada (SAE).

Rosa de Alencar coordenou em 1995, dentro do CRT, o campo de pesquisa do primeiro estudo clínico multicêntrico realizado no Brasil para avaliação da eficácia de um inibidor da protease. Iniciava-se o processo de estruturação da atual unidade de ensaios clínicos, referência para o Estado, que tem desenvolvido importantes estudos de novos medicamentos.

Ao longo desses anos, Rosa de Alencar vem realizando seu trabalho à frente da Gerência de Assistência Integral à Saúde do CRT, constituída por vários núcleos: ambulatório, hospital-dia, internação, especialidades, núcleo de DST, Centro de Testagem e Aconselhamento, Ambulatório para Saúde Integral de Travestis e Transexuais.

Desde 2007, a infectologista integra o Conselho Gestor da instituição como conselheira representante dos gestores e, desde 2009, coordena a comissão de políticas públicas do mesmo conselho. Integra ainda a equipe da Coordenação do Programa Estadual DST/Aids de São Paulo, contribuindo para o estabelecimento de diretrizes e ações na busca da melhoria da qualidade da assistência, assim como para desenvolvimento de tecnologias de monitoramento e avaliação de serviços. Foi gerente da área de Assistência Integral à Saúde de 2006 a 2011. Atualmente, é coordenadora adjunta do Programa Estadual DT/Aids de São Paulo.

Jenize Pizão é uma das fundadoras do Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas

A pedagoga aposentada Jenice Pizão tem 53 anos, nasceu em Campinas (SP), é mãe e avó.

Infectada pelo HIV há quase 22 anos, Jenice se envolveu na luta contra a aids quando conheceu outras pessoas que viviam com o mesmo vírus. Segundo ela, foi nesse momento que percebeu a necessidade de lutar por uma vida completa, saudável e alegre.

Seu ativismo político começou com a fundação do núcleo Campinas da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids (RNP+). Na época, Jenice se envolveu também com o Movimento Latino-Americano e Caribenho de Mulheres Positivas (MLCM+) e ajudou a coordenar o primeiro projeto no Brasil para mulheres com HIV e aids, resultando no Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas (MNCP), em 2005.

Durante quase dois anos, Jenice trabalhou como consultora da Unidade de Articulação com a Sociedade Civil e de Direitos Humanos do Programa Brasileiro de Aids. Hoje, ela e a também ativista Nair Brito representam o Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas no projeto “Saber Para Reagir em Língua Portuguesa”.

Redação da Agência da Aids

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