Mês da Mulher: Dra. Rosana Del Bianco e Dra. Maria Clara Gianna, mulheres que ajudaram a construir a resposta brasileira ao HIV/aids

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Quando os primeiros casos de HIV/aids começaram a surgir no Brasil, nos anos 1980, pouco se sabia sobre a doença. O medo, o estigma e a ausência de tratamento eficaz marcaram uma geração de profissionais de saúde que precisaram aprender, na prática, a lidar com uma epidemia desconhecida — e profundamente atravessada por desigualdades.

É nesse contexto que se inscrevem as trajetórias de Rosana Del Bianco e Maria Clara Gianna. Com décadas dedicadas à saúde pública, elas não apenas acompanharam a evolução da resposta ao HIV/aids no Brasil — ajudaram a construí-la, em diferentes frentes, da assistência clínica à formulação de políticas públicas.

Dra. Rosana Del Bianco: o cuidado como resposta em tempos de incerteza

A história de Rosana Del Bianco se confunde com os primeiros capítulos da epidemia no país. Desde 1982, no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, ela esteve na linha de frente do atendimento a pacientes em um período em que diagnósticos eram tardios, tratamentos inexistentes e o estigma social, devastador.

Naquele cenário, o cuidado não se limitava à medicina. Era também acolhimento, escuta e resistência diante de uma doença cercada por medo e preconceito.

Com formação consolidada e mestrado em Saúde Pública, Rosana construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a assistência e pela formação de profissionais — dois pilares fundamentais para a consolidação da resposta ao HIV no Brasil.

Ao longo dos anos, acompanhou transformações profundas: da ausência de terapias à chegada dos antirretrovirais, da alta mortalidade à possibilidade de viver com qualidade. Em cada etapa, sua atuação esteve voltada à melhoria do cuidado e à adaptação dos serviços às novas realidades da epidemia.

Hoje, como diretora de internação do Centro de Referência e Treinamento em DST/AIDS de São Paulo, segue atuando na assistência e na qualificação de equipes. Também exerce papel estratégico na coordenação do programa de genotipagem, fundamental para orientar tratamentos mais eficazes.

Sua trajetória evidencia um aspecto muitas vezes invisível da resposta ao HIV: o trabalho contínuo dentro dos serviços de saúde, sustentando o cuidado ao longo de décadas.

Dra. Maria Clara Gianna: a construção de políticas que transformaram o país

Se a dra. Rosana representa a linha de frente do cuidado, a dra. Maria Clara Gianna é uma das vozes centrais na construção das políticas públicas que estruturaram a resposta brasileira ao HIV/aids.

Formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, iniciou sua atuação em 1988, já inserida no campo da vigilância epidemiológica, em um momento em que compreender a dinâmica da epidemia era um desafio urgente.

Desde então, sua trajetória esteve ligada à formulação, implementação e fortalecimento de estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento no Sistema Único de Saúde.

À frente do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo por quase duas décadas, dra. Maria Clara liderou uma das experiências mais relevantes do país, consolidando políticas de acesso ao diagnóstico e ao tratamento, além de iniciativas voltadas à prevenção combinada e à redução do estigma.

Em 2023, após deixar a coordenação estadual, passou a atuar como consultora técnica do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (Dathi), ampliando sua contribuição para o âmbito nacional.

Nesse novo papel, sua experiência acumulada ao longo de décadas passa a dialogar diretamente com a formulação de estratégias em nível federal, contribuindo para o fortalecimento das políticas públicas em todo o país.

Sua atuação ajuda a fortalecer um modelo de resposta que se tornou referência internacional — baseado na universalidade do acesso, na integração entre vigilância e assistência e na participação social.

Duas trajetórias, uma mesma história

Embora tenham atuado em frentes diferentes, dra. Rosana Del Bianco e dra. Maria Clara Gianna compartilham um mesmo compromisso: construir uma resposta ao HIV que vá além da dimensão biomédica.

Seja no cuidado direto aos pacientes ou na formulação de políticas públicas, ambas contribuíram para transformar o enfrentamento da epidemia no Brasil em uma estratégia estruturada, baseada em ciência, direitos humanos e saúde pública.

Suas trajetórias também revelam o papel central das mulheres nesse processo — muitas vezes liderando, articulando e sustentando respostas em contextos de crise e incerteza.

No Mês da Mulher, reconhecer suas histórias é também reconhecer uma geração que enfrentou o desconhecido, rompeu barreiras e transformou a saúde pública no Brasil.

Um legado que permanece vivo — no cuidado, nas políticas e nas vidas que seguem sendo protegidas todos os dias.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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