Mês da Mulher: Dra. Marinella Della Negra e dra. Zarifa Khoury, médicas pioneiras na resposta brasileira ao HIV/aids

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A história da resposta brasileira ao HIV/aids também foi construída por mulheres que estavam na linha de frente quando pouco se sabia sobre a doença. Em um período marcado pelo medo, pela falta de tratamento e pelo estigma, médicas e profissionais de saúde assumiram o desafio de cuidar, pesquisar e defender a dignidade das pessoas afetadas pela epidemia.

Entre essas pioneiras estão Marinella Della Negra e Zarifa Khoury. Com trajetórias que atravessam décadas da epidemia, ambas ajudaram a construir caminhos de assistência, prevenção e acolhimento para pessoas vivendo com HIV no Brasil.

Suas histórias refletem não apenas dedicação à medicina, mas também um compromisso profundo com o cuidado humanizado e com o fortalecimento das políticas públicas de saúde.

Dra. Marinella Della Negra: referência no cuidado de crianças e adolescentes com HIV

Formada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo em 1971, Marinella Della Negra iniciou sua trajetória no Instituto de Infectologia Emílio Ribas justamente no período em que os primeiros casos de HIV/aids começaram a ser registrados no país. Hoje, atua como supervisora de equipe técnica da instituição.

Ao longo de sua carreira, tornou-se uma das principais referências no atendimento a crianças e adolescentes vivendo com HIV, área que exigiu não apenas conhecimento médico, mas também sensibilidade para lidar com famílias impactadas pela epidemia.

Em 1989, fundou a Associação de Auxílio à Criança Portadora de HIV (AACPHIV), iniciativa voltada ao apoio social, educacional e psicológico de crianças e adolescentes afetados pela doença. A organização nasceu em um momento em que o diagnóstico ainda era cercado por medo e desinformação, oferecendo suporte essencial para famílias que enfrentavam o impacto da epidemia.

Com doutorado em Ciências da Saúde pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, concluído em 2004, Marinella também se dedicou à pesquisa científica. Sua tese investigou alterações hepáticas na aids pediátrica, ampliando o conhecimento sobre os efeitos da doença em crianças.

Ao longo dos anos, participou de pesquisas clínicas, debates científicos e iniciativas voltadas à melhoria das políticas de prevenção e tratamento do HIV no país.

Sua trajetória ajudou a consolidar o cuidado especializado para crianças vivendo com o vírus — contribuindo para que muitas delas pudessem crescer com qualidade de vida e perspectivas de futuro.

Dra. Zarifa Khoury: na linha de frente dos primeiros casos da epidemia

A trajetória de Zarifa Khoury também se confunde com os primeiros capítulos da história do HIV no Brasil.

Formada em Medicina pela Universidade de Mogi das Cruzes em 1982, Zarifa participou do atendimento de alguns dos primeiros pacientes diagnosticados com a doença no país, ainda como residente no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na década de 1980.

Naquele período, quando ainda havia poucas respostas científicas e muito estigma, médicos e profissionais de saúde precisavam lidar com um cenário de incertezas e desafios inéditos.

Ao longo de sua carreira, Zarifa dedicou-se ao cuidado de pessoas vivendo com HIV e ao desenvolvimento de estratégias de prevenção e assistência, participando de iniciativas voltadas ao atendimento de populações em situação de maior vulnerabilidade.

Entre essas ações estão projetos de saúde pública direcionados a pessoas em situação de rua e a grupos com maior risco de exposição ao vírus, reforçando a importância de estratégias que integrem assistência, prevenção e inclusão social.

Além da atuação clínica, também contribuiu para a formação de novos profissionais de saúde como professora da Universidade de Santo Amaro e vem atuando junto a Coordenadoria de IST/Aids da Cidade de São Paulo.

Mesmo após décadas de atuação na área, Zarifa segue destacando a importância da informação, da prevenção e do acesso universal ao diagnóstico e ao tratamento como pilares centrais da resposta à epidemia.

Mulheres que ajudaram a transformar a resposta à epidemia

As trajetórias de Marinella Della Negra e Zarifa Khoury revelam o papel fundamental das mulheres na construção da resposta brasileira ao HIV/aids.

Em um período em que a epidemia ainda era cercada por incertezas, foram profissionais como elas que ajudaram a construir caminhos de cuidado, pesquisa e solidariedade — muitas vezes enfrentando o medo, o preconceito e a escassez de recursos.

No Mês da Mulher, reconhecer suas histórias é também reconhecer a contribuição de tantas profissionais de saúde que, ao longo das últimas décadas, ajudaram a transformar o enfrentamento do HIV em uma resposta baseada em ciência, acolhimento e direitos humanos.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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