
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, originou-se da luta por direitos trabalhistas e igualdade de gênero. Mais de um século depois, a data simboliza resistência e celebração das conquistas femininas em diversas áreas da sociedade e do conhecimento. Contudo, um único dia não é suficiente para representar a força da mulher. Ao longo de todo o mês de março, destacamos trajetórias inspiradoras de mulheres que trabalham diariamente com dedicação e compartilham um sonho comum: um Sistema Único de Saúde (SUS) mais forte e o fim da discriminação contra pessoas vivendo com HIV. Essas mulheres são exemplos de força e dedicação, lutando por um Brasil onde a ciência, o respeito e a dignidade humana prevaleçam.
Dra. Nísia Trindade

Nísia Trindade fez história ao ser a primeira mulher a presidir a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e, posteriormente, a primeira mulher a assumir o cargo de Ministra da Saúde do Brasil. Cientista e pesquisadora reconhecida internacionalmente, ela foi presidente da Fiocruz entre 2017 e 2022. Durante sua gestão na Fiocruz, Nísia liderou ações emergenciais no enfrentamento da pandemia de Covid-19, incluindo a criação de novos centros hospitalares, coordenação de ensaios clínicos e a produção de kits de diagnóstico. Ela também foi responsável pela criação do Observatório Covid-19 e pela articulação de acordos tecnológicos para a produção de vacinas contra o coronavírus no Brasil.
Em 1º de janeiro de 2023, Nísia foi nomeada Ministra da Saúde pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em sua gestão, defendeu o SUS e trabalhou para revogar decretos e políticas do governo anterior que, segundo ela, prejudicavam a ciência e os direitos humanos. Durante sua gestão, Nísia Trindade enfrentou diversos desafios, como a crise humanitária na terra Yanomami, a luta contra a baixa taxa de vacinação no Brasil, o aumento exponencial dos casos de dengue e a crise das enchentes no Rio Grande do Sul.
Dra. Márcia Rachid

Médica formada em 1982 pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), dra. Márcia Rachid é mestre em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Coordenadora da Câmara Técnica de Aids do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ), é cofundadora do Grupo Pela Vidda – RJ, uma das mais conhecidas e importantes ONGs de HIV/aids, fundada na década de 1989.
Além de sua atuação na medicina, dra. Márcia também se dedica à arte, cultura e literatura. Ela é coautora do livro “Manual de HIV/Aids”, escrito com Mauro Schechter, e autora do livro “Sentença de Vida”, publicado em 2020 pela Editora Máquina de Livros. Desde 1984, sua história é marcada pela assistência humanizada às pessoas que vivem com HIV e aids, mantendo uma relação próxima com seus pacientes e os movimentos sociais. Dra. Márcia acredita que o preconceito relacionado ao HIV é um dos maiores desafios nesta luta e tem se dedicado a combater a desinformação sobre o tema, seja no consultório, na literatura ou nas redes sociais.
Bruna Benevides

Bruna Benevides é uma ativista trans que enfrentou diversas dificuldades ao longo de sua vida, incluindo violência física, bullying e discriminação devido à sua identidade de gênero. Nascida em uma família tradicional cristã, ela ingressou na Marinha do Brasil aos 18 anos, iniciando sua carreira militar em Olinda, Pernambuco, e posteriormente transferindo-se para Niterói, no Rio de Janeiro. Em 2011, Bruna assumiu sua identidade como mulher trans, enfrentando processos discriminatórios dentro da instituição militar, sendo afastada de suas funções.
Em 2014, Bruna encontrou seu lugar no ativismo e, atualmente, é presidenta da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), responsável por mapeamentos sobre violência contra a população trans. Ela também fundou o Fórum Estadual de Travestis e Transexuais do Rio de Janeiro e coordena um cursinho popular para pessoas trans em Niterói. Além disso, Bruna participa do Conselho Municipal dos Direitos da População LGBT de Niterói, contribuindo significativamente para a luta pelos direitos humanos e pela visibilidade trans no Brasil.
Dra. Zarifa Khoury

A infectologista Zarifa Khoury é uma das pioneiras no tratamento de HIV/aids no Brasil, atuando desde os primeiros casos diagnosticados no país. Graduada em medicina pela Universidade de Mogi das Cruzes e com mestrado em infectologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), ela coordenou o ambulatório do Hospital Emílio Ribas e atua como preceptora de alunos residentes.
Dra. Zarifa desempenhou um papel importante no projeto “Consultório na Rua”, que leva atendimento médico a pessoas em situação de vulnerabilidade social em São Paulo. Além disso, ela trabalha como docente na Universidade de Santo Amaro e em outros hospitais de referência no tratamento de HIV/aids. Sua dedicação e compromisso com a saúde pública contribuíram para avanços significativos no atendimento e na qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV no Brasil.



