
Vencendo desafios e rompendo paradigmas, as mulheres seguem desbravando novos caminhos todos os dias. Com esse espírito de homenagem à força feminina, a Agência Aids lança sua série especial em alusão ao Mês da Mulher, destacando a trajetória de mulheres que trabalham incansavelmente na luta contra a aids e o preconceito. Mulheres que enfrentam desafios, mas que, com determinação, transformam a vida de quem vive com HIV.

Com resistência, seja no SUS, em suas comunidades ou em suas casas, cada uma delas se dedica à causa, desafiando estigmas e barreiras. Cientistas, professoras, médicas, gestoras e voluntárias: elas estão por toda parte. Para iniciar esta série, compartilhamos a história de quatro mulheres inspiradoras: as médicas e pesquisadoras Dra. Beatriz Grinsztejn e Dra. Mariângela Simão, a ativista e historiadora Nair Brito e a oficial do Programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), Ariadne Ribeiro.
Nair Brito

Ativista, professora aposentada e mãe, Nair Brito descobriu seu diagnóstico de HIV na década de 1990, aos 33 anos. Ao invés de se abater, decidiu lutar por si e por outras mulheres vivendo com HIV/aids.
Nascida no Paraná, mudou-se para São Paulo ainda criança. Divorciada e cuidando do filho pequeno quando recebeu o diagnóstico, tornou-se uma das fundadoras do Movimento Nacional das Cidadãs Positivas (MNCP), dedicado a apoiar e empoderar mulheres vivendo com HIV/aids.

Liderou uma das primeiras ações judiciais no Brasil exigindo que o Estado garantisse tratamento com medicamentos a pessoas com HIV/aids. Em 1996, a vitória garantiu o acesso universal aos antirretrovirais.
Participou de protestos e mobilizações, integrando redes como a ICW (Rede Internacional de Mulheres com HIV/aids) e o Projeto Saber para Reagir, que apoiava mulheres vivendo com HIV/aids nos países lusófonos. Seu legado segue inspirando a luta pelos direitos das mulheres e contra o estigma do HIV/aids.
Dra. Beatriz Grinsztejn

Dra. Beatriz Grinsztejn é médica infectologista, pesquisadora, professora e a primeira mulher latino-americana a ocupar a presidência da International Aids Society (IAS). Sua carreira é marcada pela dedicação à pesquisa e ao tratamento do HIV/aids, contribuindo significativamente para o avanço das políticas de saúde pública no Brasil.

Ela é uma das principais referências na pesquisa clínica. Com colegas, ajudou a fundar os serviços de HIV/aids da Fiocruz, principal centro de tratamento do Rio de Janeiro. Desde 1999, atua como diretora da Unidade de Pesquisa Clínica em HIV/Aids no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas – Fiocruz. Também é pesquisadora principal de uma unidade de ensaios clínicos há mais de 13 anos e integra diversos comitês consultivos de organizações como o Ministério da Saúde, OPAS e Unaids.
Liderou e participou de estudos globais sobre prevenção e tratamento do HIV, incluindo o estudo HPTN 083 sobre cabotegravir injetável para PrEP. Foi também a PI do estudo PrEP Brasil, que subsidiou a incorporação da PrEP ao sistema de saúde pública brasileiro.

Atualmente, coordena a primeira clínica de saúde trans do Rio de Janeiro e é PI do estudo PrEParadas, voltado à PrEP para mulheres trans. É também co-pesquisadora principal do Brasil para o estudo imPrEP, financiado pela Unitaid, que visa expandir a PrEP no Brasil, Peru e México.
Com mais de 300 publicações científicas, dra. Beatriz iniciou sua carreira após o fim da ditadura militar no Brasil, integrando medicina e questões sociais, com foco em equidade na saúde e defesa dos direitos das pessoas vivendo com HIV/aids e da comunidade LGBTQIAPN+.
Dra. Mariângela Simão
Médica pediatra e sanitarista, dra. Mariângela Simão transformou a saúde pública com seu olhar técnico e humano. Nascida no Sul do Brasil, inicialmente sonhava com a astronomia, mas acabou se apaixonando pela medicina e pela saúde pública.

Foi diretora-geral adjunta da OMS para Acesso a Medicamentos entre 2017 e 2022. Com quase 30 anos de experiência no SUS, atuou nas secretarias de Saúde de Curitiba e do Paraná e dirigiu o Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.

Atuou na prevenção do HIV entre adolescentes e mulheres jovens e na luta contra a criminalização da transmissão do HIV/aids. Sua atuação tem sido fundamental para o desenvolvimento de políticas que combatem o estigma e a discriminação no Brasil e no mundo.
Dra. Ariadne Ribeiro
Aos 43 anos, Ariadne Ribeiro tem uma história marcada por resiliência. Mulher trans vivendo com HIV, ela trabalha no Unaids Brasil, dedicando-se a transformar vidas.
Aos 13 anos, enfrentando severa transfobia, foi forçada a sair de casa. Aos 18, soube que um hospital local oferecia cirurgias de redesignação sexual pelo Estado. Pouco tempo depois, testou positivo para o HIV após um episódio de violência sexual. Apesar do trauma, iniciou o tratamento e seguiu sua vida com força e determinação.

Aos 24 anos, completou sua transição e foi legalmente registrada como mulher. Investiu na educação, concluindo graduação, especialização, mestrado e doutorado.

Trabalhou em Itanhaém (SP) em um programa de educação entre pares e em projetos para pessoas em situação de rua. Em 2019, integrou o Unaids, onde segue lutando pelos direitos das pessoas trans e vivendo com HIV.
Dica de entrevista
MNCP
secretarianacionalmncp@gmail.com
INI/Fiocruz
www.ini.fiocruz.br
(0xx21) 3865-9595
OMS
www.who.int
UNAIDS
www.unaids.org.br


