Mês da Mulher: Conheça a história de mulheres que, nos bastidores do SUS, fazem a diferença na vida de quem vive com HIV/aids

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No Brasil, milhares de mulheres atuam nos bastidores do Sistema Único de Saúde (SUS), transformando realidades e garantindo dignidade a quem vive com HIV/aids. Seja na pesquisa, no atendimento ou no ativismo, essas mulheres deixam um legado inestimável na luta contra o HIV/aids. Elas enfrentam desafios diários para fortalecer a prevenção, o tratamento e os direitos humanos.  Seus esforços não apenas salvam vidas, mas também transformam o SUS em um espaço mais inclusivo e eficiente. Neste Mês da Mulher, a Agência Aids celebra essas trajetórias e reforça a importância da equidade na saúde pública. 

Dra Adele Benzaken

Dentre as grandes mulheres que brilham na ciência, no SUS e na pesquisa, está a Dra. Adele Benzaken, que há décadas dedica sua vida ao enfrentamento do HIV/aids, com foco em populações mais vulneráveis. Com uma atuação importante junto às comunidades ribeirinhas do Amazonas, sua terra natal, ela tem dedicado seus dias à luta contra a aids.

Nascida na capital Manaus, Adele tem uma trajetória profissional inteiramente dedicada à Saúde Pública, sempre marcada pelo estímulo à construção, consolidação e efetivação do SUS. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Amazonas, em 1978, e concluiu doutorado na própria Fiocruz Amazônia/Escola Nacional de Saúde Pública, em 2009.

Foi diretora da Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta, atuou na gestão da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e foi vice-presidente do comitê de especialistas da Organização Mundial da Saúde. Além disso, a médica segue integrando o comitê de certificação da eliminação da sífilis e do HIV da OPAS, diretora regional para América Latina da International Union Against Sexually Transmitted Infections (IUSTI), membro da diretoria da International Society for Sexually Transmitted Diseases Research (ISSTDR), entre suas outras frentes de trabalho.

Dra Maria Felipe Medeiros

Formada pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP) e em Infectologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Dra. Maria Felipe Medeiros, ou Dra. Mafe, integra o corpo clínico do CRT DST/Aids. A médica atua como infectologista, com ênfase em Infecções Sexualmente Transmissíveis, incluindo o HIV/aids. Sua prática médica não deixa para trás a luta contra o preconceito contra as pessoas vivendo com HIV/aids.

Especialista em Saúde da comunidade LGBTQIAPN+, Mafe também tem pesquisado o campo do HIV, com foco especial nas pessoas trans e travestis. Ela que também se identifica como uma mulher trans, tem levado para dentro dos serviços de saúde toda sua experiência profissional, de vida e militância.

Dra Mafe ainda atua como médica plantonista e diarista do Pronto-Socorro do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, como sub-investigadora em pesquisa clínica de Infectologia na Casa da Pesquisa – CRT DST/AIDS São Paulo, participando de ensaios clínicos como PURPOSE 2 – Ensaio clínico de fase 3 para avaliação do Lenacapavir como metodologia de PrEP para homens que fazem sexo com homens, mulheres e homens trans, travestis e pessoas não-binárias.

Já teve passagens como médica voluntária nos Médicos Sem Fronteiras, é cofundadora do Infectocast, o maior podcast de infectologia do Brasil, além de recentemente ter sido destaque na Billboard Brasil na lista Over 30, figurando como uma das 30 pessoas que chegaram aos 30 anos e segue transformando o mundo.

Nas redes sociais, Mafe dissemina a palavra da prevenção para ampliar a comunicação sobre HIV e aids.

Dra Rosa Alencar

Dra. Rosa Alencar é médica infectologista e desempenha um papel fundamental na resposta à epidemia de HIV/aids no Estado de São Paulo como diretora adjunta do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids (CRT). Comprometida, sua atuação tem sido essencial para garantir que os pacientes que dependem do SUS no Estado tenham acesso a tratamento antirretroviral, diagnóstico precoce e prevenção às IST/aids.

Com uma trajetória marcada pelo fortalecimento das políticas públicas, a médica tem se dedicado à ampliação do acesso ao tratamento antirretroviral e à articulação de estratégias que melhorem o cuidado às pessoas vivendo com HIV. Mestre em Gestão de Tecnologia e Inovação em Saúde, antes de assumir a vice-direção do programa estadual, fez carreira no Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa e, em 2015, defendeu seu trabalho sobre a organização da gestão e do trabalho em saúde no CRT, propondo a implantação da clínica ampliada como modelo de cuidado.

Formada em medicina e com especialização em infectologia, fez residência no Hospital Heliópolis entre 1986 e 1988. Ao longo dos anos, sua experiência e dedicação ajudaram a fortalecer o enfrentamento da epidemia, sempre com um olhar atento à saúde coletiva e ao bem-estar integral das pessoas.

Cássia Dantas

Cássia Dantas, 54, filha do policial Wilson Oliveira e da lavadeira Vilma Dantas, é nascida e criada em Itabuna, na Bahia. Com cinco irmãos paternos e uma irmã materna, Cássia teve uma infância tranquila, cercada de bons amigos. Mulher negra, que sempre se apoiou em sua ancestralidade para enfrentar os desafios e as adversidades de viver com HIV.

Sua trajetória é permeada por ensinamentos que reforçaram sua consciência do seu lugar de pertencimento, que deveria lutar para ocupar estes espaços de aquisição do conhecimento e que somente através da educação alcançaria seus objetivos e conquistaria um espaço de poder libertário para contribuir com a coletividade.

Cássia descobriu sua sorologia positiva para o HIV em 2002. Naquele mesmo ano, sua adesão ao tratamento foi cheia de medos, insegurança e receios, por conta da falta de informação, conhecimento, preconceito e da discriminação da época. A ativista passou por momentos dolorosos, julgada pela grande maioria, mas pôde contar com o apoio de amigos fiéis e verdadeiros que a trataram com amor, respeito e solidariedade. Foi preciso muita resiliência para que chegasse onde chegou, vencendo seus medos.

Vivendo já há mais de 20 anos com HIV, hoje Cássia é uma ativista incansável, sendo uma das referências no Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP), onde transformou toda sua dor e vivência em acolhimento para outras mulheres que vivem com HIV.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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