Mês da Mulher: Com resiliência, elas fortalecem o SUS e a luta contra a aids; conheça a trajetória de mulheres inspiradoras

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Com garra, as mulheres fortalecem o Sistema Único de Saúde. Elas têm tornado a equidade, de fato, uma realidade nas políticas públicas. Com determinação, também lutam todos os dias pelas pessoas vivendo com HIV/aids. Conheça mais mulheres inspiradoras que compõem a série especial da Agência Aids em homenagem ao Mês da Mulher.

Silvia Almeida

Silvia Almeida – conhecida carinhosamente por Silvinha -, descobriu que vivia com HIV enquanto estava em um casamento estável, com dois filhos e uma vida tranquila. Dois anos depois, seu marido, já enfraquecido pelo vírus, faleceu em decorrência de uma tuberculose. Foi um período muito difícil, mas ela encontrou apoio no Grupo de Incentivo à Vida (GIV), onde começou a aprender a lidar com sua nova realidade. Com o tempo, passou a coordenar o projeto Toque de Mulher, uma atividade voltada para mulheres vivendo com HIV/aids. Também atuou como consultora do UNAIDS e no acolhimento de pessoas com HIV no Projeto Lá em Casa. Hoje, faz parte do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas em São Paulo, que ajudou a fundar.

Silvia se casou muito jovem, com o primeiro namorado. Aos 18 anos, já era casada e mãe de sua primeira filha. Para ela, isso reforça a importância de falar sobre saúde sexual e reprodutiva desde cedo. Dez anos depois, engravidou novamente e foi nesse período que o marido começou a adoecer. Como estavam em um relacionamento heteronormativo, nunca passou por sua cabeça que a aids poderia fazer parte de suas vidas. Naquela época, o diagnóstico de HIV levava meses para sair. Quando recebeu o resultado, já segurava nos braços seu bebê de um ano e dois meses. Teve parto normal e amamentou, o que aumentava o risco de transmissão vertical, mas, felizmente, o teste do bebê deu negativo.

Ela nunca soube se o marido se infectou antes ou durante o casamento. O que sabe é que a aids lhe ensinou sobre o amor incondicional. Ele conta que era o companheiro que escolheu, o pai de seus filhos, e vê-lo partir foi devastador. Apesar de todos os desafios, hoje vive bem e com saúde no interior de São Paulo. Além de mãe, é também avó e dedica seus dias à conscientização sobre o HIV/aids e a apoiar outras mulheres. Silvinha é conhecida por sua amorosidade, sempre acolhendo quem precisa, mas também por sua defesa firme e contundente das pessoas vivendo com HIV/aids.

Adriana Galvão

Adriana Galvão Ferrazini é mais uma voz feminina na luta contra a aids. Ativa na defesa das crianças e adolescentes vivendo com HIV/aids, afetadas pela epidemia, muitas enfrentam a pior face do preconceito, mas o trabalho de Adriana à frente da ONG Projeto Criança Aids tem levado conforto, acolhimento, informação e esperança para elas e suas famílias. Fundada em 1991, a ONG oferece acolhimento a famílias em situação de vulnerabilidade social.

A assistente social acredita que o apoio integral, tanto emocional quanto material, é essencial para garantir que essas crianças tenham acesso a um futuro digno e sem estigma.

Sua trajetória no PCA começou durante seu estágio acadêmico, após decidir cursar serviço social, motivada pelo desejo de ajudar o próximo. No estágio, deparou-se com uma história extremamente impactante. Ela permaneceu na organização, tornando-se voluntária após o término do estágio. Em 2021, Adriana foi convidada a assumir a presidência da instituição. Desde então, dedica-se voluntariamente a ampliar o alcance do projeto e a continuar a fortalecer o apoio às famílias assistidas. Durante a pandemia, sob sua liderança, o PCA manteve a entrega mensal de cestas básicas às famílias, graças ao apoio de colaboradores.

Além de suas funções administrativas, Adriana participa ativamente de campanhas de conscientização sobre HIV/aids, como o Dezembro Vermelho, destacando a importância de ações voluntárias e do papel da prevenção. No dia a dia, também se dedica a alertar sobre a importância do pré-natal na prevenção de novos casos de HIV por transmissão vertical.

Adriana é reconhecida por sua dedicação e sensibilidade no acolhimento de famílias afetadas pelo HIV e aids, sendo uma mulher inspiradora.

Dra. Rosana Del Bianco

Dra. Rosana Del Bianco é médica infectologista com mestrado em Saúde Pública pela Coordenação dos Institutos de Pesquisa (2004). Ela esteve na linha de frente nos anos mais difíceis da epidemia de HIV/aids. Atualmente, é Diretora da Internação do Centro de Referência e Treinamento em DST/aids do Estado de São Paulo. Sua experiência também passou pela assessoria clínica do programa municipal de São Paulo, sendo responsável pelo Programa de Genotipagem da Secretaria da Saúde do Município.

A infectologista tem experiência na área médica, atuando principalmente nos seguintes temas: HIV/aids, transmissão vertical de doenças infecciosas, cuidados de pré-natal e parto. Mas seu trabalho vai além das atribuições médicas, ela também é uma defensora incansável das pessoas vivendo com HIV/aids.

Sua atuação já lhe possibilitou estar em muitos espaços. Dra. Rosana participou do documentário Carta para Além dos Muros, que aborda a história do HIV e da aids no Brasil, destacando os desafios históricos da epidemia.

Márcia Leão

No ativismo, Márcia Leão tem levado seus conhecimentos para dentro dos espaços de decisão. Ela luta a favor de quem mais precisa, transformando realidades e ajudando a mudar o curso da história de muitas pessoas. A advogada e militante no movimento de luta contra a aids há mais de 20 anos, tem um trabalho amplamente reconhecido na defesa dos direitos humanos.

Dez ativistas entrevistam Fábio Mesquita, diretor do Departamento Nacional de DST/Aids e Hepatites Virais

A advogada, especialista em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania Global, é também coordenadora Executiva do Fórum ONG Aids RS, que tem papel fundamental no enfrentamento da epidemia de HIV/aids na região. Além disso, seu trabalho se estende como coordenadora da Parceria Brasileira Contra Tuberculose – Stop TB Brasil. O que a define é sua determinação incansável e sua luta incessante a favor da equidade e contra toda forma de discriminação.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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