Mês da Mulher: ciência, coragem e compromisso — mulheres que constroem a resposta ao HIV no Brasil e no mundo

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Em um cenário global onde desigualdades ainda determinam quem adoece, quem acessa tratamento e quem sobrevive, histórias como as de Aranaí Guarabyra e Ariadne Ribeiro revelam o papel central das mulheres na construção de respostas mais justas, eficazes e humanas ao HIV. De Brasília ao Panamá, suas trajetórias se entrelaçam na defesa da saúde pública, dos direitos humanos e da vida.

Aranaí Guarabyra: a construção das políticas que salvam vidas

A trajetória de Aranaí Guarabyra é marcada por consistência, profundidade técnica e um compromisso contínuo com o fortalecimento do sistema de saúde. Bióloga sanitarista, ela construiu uma formação sólida que articula ciência, cuidado e compreensão das dinâmicas sociais que atravessam a saúde.

Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade de São Paulo, Aranaí também é graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e possui extensão em Sexualidade Humana pela Universidade Estadual de Campinas. Sua formação inclui ainda o psicodrama, pelo Instituto de Psicodrama e Psicoterapia de Grupo de Campinas — um diferencial que imprime sensibilidade à sua atuação técnica, ampliando o olhar sobre os sujeitos para além dos indicadores.

Essa combinação entre rigor científico e escuta qualificada se refletiu em sua atuação no Ministério da Saúde, onde foi consultora técnica em um dos processos mais estratégicos da resposta brasileira ao HIV: a certificação subnacional da eliminação da transmissão vertical do HIV e da sífilis. Trata-se de uma conquista complexa, que envolve vigilância epidemiológica, qualificação da assistência e articulação entre diferentes níveis do sistema de saúde — e que, na prática, significa impedir que crianças nasçam com infecções evitáveis.

O impacto desse trabalho é profundo, ainda que muitas vezes invisível. Ao atuar na formulação e implementação dessas políticas, Aranaí contribuiu diretamente para salvar vidas e reduzir desigualdades históricas no acesso ao cuidado.

Atualmente, como consultora nacional de HIV, infecções sexualmente transmissíveis e eliminação da transmissão vertical na Organização Pan-Americana da Saúde, ela segue na linha de frente do fortalecimento das respostas institucionais, apoiando o Brasil na implementação de estratégias alinhadas às metas globais de saúde.

Ariadne Ribeiro: quando ciência, vivência e direitos se encontram

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Se Aranaí representa a base que sustenta e organiza as políticas públicas, Ariadne Ribeiro simboliza a força que tensiona, amplia e transforma essas mesmas estruturas a partir das pessoas.

Atualmente Oficial Regional de Programas para a América Latina e o Caribe do Unaids, com atuação baseada no Panamá, Ariadne ocupa um espaço estratégico na resposta global ao HIV, articulando países, evidências científicas e políticas voltadas à equidade.

Sua trajetória acadêmica é marcada pela excelência. Doutora e mestre em Psiquiatria e Psicologia Médica pela Universidade Federal de São Paulo, desenvolveu pesquisas centradas em HIV, sífilis, hepatites virais e uso de substâncias — temas que revelam as interseções entre saúde, vulnerabilidade social e acesso ao cuidado. Seu doutorado investigou o seguimento de pacientes testados para essas infecções em serviços especializados, enquanto o mestrado lançou luz sobre a realidade de usuários de crack na Cracolândia, em São Paulo, evidenciando desafios concretos da política pública.

Antes de sua atuação internacional, Ariadne percorreu caminhos importantes no Brasil, como pesquisadora na SPDM – Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina e consultora no Hospital Israelita Albert Einstein. No Unaids, construiu uma trajetória ascendente, passando por funções ligadas a comunidades, gênero e direitos humanos, até chegar à posição regional que ocupa hoje.

Mas sua liderança não se explica apenas pelo currículo. Ariadne é uma mulher trans e vive com HIV — e faz dessa vivência um instrumento político e transformador. Ao falar abertamente sobre sua condição, ela desafia estigmas históricos, rompe silêncios e reposiciona o debate público sobre a epidemia.

Sua atuação evidencia que o HIV não é apenas uma questão biomédica, mas profundamente social. Racismo, desigualdade de gênero, transfobia e exclusão econômica são fatores que determinam vulnerabilidades e precisam estar no centro das respostas. Ao levar essa perspectiva para espaços de decisão global, Ariadne contribui para uma mudança de paradigma: de respostas centradas em intervenções para abordagens centradas nas pessoas.

Diferentes trajetórias, um mesmo compromisso

Embora atuem em frentes distintas, Aranaí Guarabyra e Ariadne Ribeiro compartilham um compromisso essencial: construir respostas ao HIV que sejam, ao mesmo tempo, eficazes e justas.

De um lado, a formulação de políticas, a implementação de estratégias e o fortalecimento do sistema de saúde. De outro, a incidência política, a vivência e a defesa de direitos que garantem que essas políticas alcancem, de fato, quem mais precisa.

Juntas, suas trajetórias revelam que o enfrentamento ao HIV exige múltiplas dimensões — técnica, social, política e humana. Não há resposta possível sem ciência, mas também não há resposta eficaz sem equidade.

Neste Mês da Mulher, olhar para histórias como as de Aranaí e Ariadne é reconhecer que o protagonismo feminino na saúde pública vai muito além da presença — trata-se de liderança, transformação e compromisso com a vida.

Redação da Agência de Notícias da Aids

 

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