Mês da Mulher: Cidadãs Posithivas esperam que o ministro Alexandre Padilha priorize na saúde políticas públicas para mulheres, com foco em prevenção, fortalecimento social e comunicação sobre HIV/aids

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No Mês da Mulher, lideranças do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP) ressaltaram a urgência de políticas públicas voltadas às mulheres que vivem com HIV. Na noite desta terça-feira (11), durante a live “Mulheres Vivendo: Enfrentamento do HIV entre Mulheres no Brasil”, mediada pela jornalista Roseli Tardelli, diretora desta Agência, ativistas apontaram a necessidade de fortalecer a prevenção, o acesso ao tratamento e a comunicação sobre o tema. O encontro também discutiu a troca no comando da saúde do Brasil e a nomeação da médica sanitarista Dra. Mariângela Simão para a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde e as expectativas para a nova gestão.

Enfrentamento do HIV entre mulheres

Embora o número de novas infecções por HIV entre mulheres e meninas tenha caído globalmente nos últimos anos, elas continuam sendo um dos grupos mais vulneráveis. A cada semana, cerca de 4 mil jovens mulheres e meninas são infectadas pelo vírus, em todo o mundo. Aproximadamente 3.100 delas estão na África subsaariana.

No Brasil, a desigualdade de acesso aos serviços de saúde persiste, impactando especialmente as mulheres na prevenção, testagem e tratamento.

Diante desse cenário, as participantes da live discutiram o impacto da recente nomeação de Dra. Mariângela Simão para a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde. A escolha foi bem recebida, já que a especialista tem uma longa trajetória na luta contra o HIV/aids.

Expectativas para a nova gestão

Para a empreendedora social Silvia Almeida, representante do MNCP em São Paulo, a nomeação do infectologista Alexandre Padilha como ministro da Saúde e da dra. Mariângela Simão para a Secretaria de Vigilância representa um passo importante para o avanço das políticas públicas voltadas às mulheres. “Eu recebo com muitas boas expectativas. Que possa colocar algumas políticas públicas na área que ainda não foram colocadas”, afirmou.

Renata Souza, representante do MNCP no Conselho Nacional de Saúde, reforçou a relevância da experiência da nova secretária. “Acredito que ela só vem a agregar nesse time que o Padilha organizou para enfrentar os desafios que temos aí no Ministério e no atual cenário que estamos vivendo”, disse.

Outro ponto abordado foi o reconhecimento do novo ministro à ex-ministra Nísia Trindade durante sua cerimônia de nomeação. Renata Souza destacou as contribuições de Nísia para a saúde pública brasileira. “Nísia trouxe a experiência excelente que tinha em seu cotidiano, então vejo como positivo e acredito que o ministro Padilha é muito feliz em ter Nísia como sua antecessora, pois ele vai conseguir continuar todos os importantes projetos”, afirmou.

Compromisso com o SUS e fortalecimento das políticas públicas

A professora Jenice Pizão, que compõe a Secretaria Política do MNCP,  considera que o trabalho de Nísia foi fundamental na reestruturação do Ministério da Saúde após um período de desmonte. “Nísia chegou no Ministério em um momento desmantelado, com desafios muito sérios, mas ela foi reconstruindo aos poucos. Nísia Trindade foi montando sua equipe e tocando, como dirigir um carro e ir trocando o pneu, porque não pode parar. Talvez, ela tenha tido uma falha na comunicação, mas vemos que essa é uma falha geral de todo o governo”, ponderou.

Ela também elogiou Padilha: “O fato do ministro Padilha ter visualizado o seu comprometimento, é muito positivo, pois mostra que ele respeita e entende a profunda experiência de uma defensora do SUS.”

De Catanduva, a ativista Fabiana Oliveira, responsável pela comunicação do MNCP, destacou a importância do comprometimento do novo ministro com os movimentos sociais e a população vulnerável. “O ministro Padilha já tem muita familiaridade no campo da saúde e sempre teve uma relação muito positiva com os movimentos sociais. Para nós, que dependemos exclusivamente do SUS, tenho sim certeza que ele vai implementar muitos esforços ao SUS e à política [de enfrentamento ao HIV] entre as mulheres. Nós mulheres temos muitas demandas.”

O papel do Brasil no cenário internacional

O debate abordou ainda as recentes decisões do atual presidente dos EUA, Donald Trump, como o fim da parceria global de combate à aids e a saída da OMS, que vem gerandor preocupação mundial.

No discurso de posse, o ministro Padilha ressaltou que o Brasil segue comprometido com a OMS e com o fortalecimento das políticas de enfrentamento às ISTs e ao HIV/aids.

Silvia Almeida celebrou esse compromisso. “É muito bom ter um ministro que acredita na ciência. Quando temos um ministro que não rompe [com o que já foi feito], mas que agrega a essa parceria com a OPAS/OMS, é um grande avanço. Comprometido e excelente, com essa parceria, vamos conseguir andar mais alguns passos”, disse.

O bate-papo encerrou com um apelo pelo fortalecimento do controle social e por um olhar político que coloque as mulheres no centro do debate sobre HIV/aids.

Assista o bate-papo na íntegra

Kéren Morais (keren@agenciaaids.com.br)

Dica de entrevista

MNCP
Site: www.mncp.org.br

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