Mês da Mulher: Carla Almeida e Márcia Leão, mobilização social e resistência na resposta ao HIV no Sul do país

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Em um dos cenários mais desafiadores da epidemia de HIV no Brasil, o Rio Grande do Sul se tornou também um território de forte mobilização da sociedade civil. Ao longo das últimas décadas, organizações comunitárias têm desempenhado papel fundamental na prevenção, no cuidado e na defesa de direitos — muitas vezes suprindo lacunas deixadas pelo poder público.

Nesse contexto, duas mulheres se destacam como lideranças históricas desse movimento: Carla Almeida e Márcia Leão. Integrantes do Coletivo Feminista Gabriela Leite, elas atuam na articulação política, na produção de conhecimento e na defesa de uma resposta ao HIV baseada em direitos humanos, participação social e fortalecimento do Sistema Único de Saúde.

Carla Almeida: entre a pesquisa, o ativismo e a incidência política

Do Grupo de Apoio à Prevenção da Aids do Rio Grande do Sul (GAPA/RS), Carla Almeida construiu uma trajetória que articula militância, produção acadêmica e atuação institucional.

Cientista social, pesquisadora e militante feminista, Carla atua há anos nas áreas de gênero, direitos humanos e saúde coletiva, participando de espaços estratégicos de incidência política — como audiências públicas, fóruns nacionais e debates internacionais sobre políticas de saúde.

Sua atuação parte de uma compreensão ampliada da epidemia. Para ela, o HIV não pode ser analisado apenas sob a perspectiva biomédica, mas como um fenômeno social profundamente atravessado por desigualdades, estigma e violações de direitos.

Esse olhar também dialoga com a atuação no Coletivo Feminista Gabriela Leite, que historicamente defende os direitos das mulheres, em especial de trabalhadoras sexuais, e amplia o debate sobre autonomia, corpo e cidadania — temas diretamente relacionados à resposta ao HIV.

Em 2020, Carla coordenou um estudo internacional apoiado pela Organização Mundial da Saúde e pela Organização Pan-Americana da Saúde sobre os impactos da pandemia de Covid-19 nas políticas de HIV e tuberculose no Brasil.

Márcia Leão: articulação política e fortalecimento da sociedade civil

À frente da coordenação executiva do Fórum ONG/Aids do Rio Grande do Sul, Márcia Leão atua na articulação de organizações e movimentos sociais que estão na linha de frente da resposta ao HIV no estado.

Também integrante do Coletivo Feminista Gabriela Leite, sua atuação está diretamente ligada ao fortalecimento da sociedade civil organizada e à defesa de políticas públicas que garantam direitos e acesso à saúde.

Em um cenário marcado pela redução de recursos e pelo enfraquecimento de políticas públicas, Márcia tem se posicionado sobre os desafios enfrentados pelas entidades, como a diminuição de repasses financeiros e a consequente redução do número de organizações ativas.

Para ela, garantir financiamento adequado e ampliar a participação social são condições essenciais para sustentar a resposta ao HIV — especialmente em contextos de maior vulnerabilidade.

Sua atuação reforça a importância da integração entre governo, serviços de saúde e sociedade civil, uma articulação histórica que permitiu avanços no enfrentamento da epidemia no Brasil.

Mulheres que sustentam a resposta à epidemia

As trajetórias de Carla Almeida e Márcia Leão refletem a força da mobilização social na resposta ao HIV/aids, especialmente em contextos marcados por desigualdades e desafios estruturais.

A atuação no Coletivo Feminista Gabriela Leite também evidencia o papel do feminismo na construção dessa resposta, ampliando o debate sobre direitos, autonomia e enfrentamento ao estigma.

Mais do que lideranças institucionais, elas representam uma história coletiva construída por ativistas que, ao longo de décadas, transformaram o enfrentamento da epidemia em uma agenda baseada em direitos, ciência e solidariedade.

No Mês da Mulher, reconhecer suas trajetórias é também reconhecer o papel essencial das mulheres — e do ativismo feminista — na construção e na sustentação de uma resposta ao HIV que se afirma como uma luta permanente por dignidade, cidadania e justiça social.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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