Desde o início da epidemia de HIV/aids, nos anos 1980, a resposta brasileira foi moldada não apenas por médicos e pesquisadores, mas também por ativistas que transformaram indignação em mobilização social. Em um contexto marcado por medo, desinformação e forte estigma, organizações da sociedade civil passaram a ocupar um papel central na defesa do acesso à saúde, à informação e aos direitos das pessoas mais afetadas pela epidemia.
Entre essas lideranças estão duas mulheres que ajudaram a construir esse caminho em diferentes frentes do ativismo: Alessandra Nilo e Marta McBritton. À frente de organizações que se tornaram referências no enfrentamento ao HIV, elas dedicaram décadas à construção de estratégias de prevenção, à defesa de direitos humanos e ao fortalecimento da participação social nas políticas públicas de saúde.
Suas trajetórias revelam como o ativismo comunitário foi — e continua sendo — um dos pilares da resposta brasileira à epidemia.
Alessandra Nilo: comunicação, incidência política e justiça social

Cofundadora da Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero, criada em 1993 no Recife, Alessandra Nilo tornou-se uma das principais referências do ativismo brasileiro no campo do HIV/aids e dos direitos humanos.
A Gestos nasceu em um momento em que a epidemia ainda carregava forte estigma social e em que a informação sobre prevenção e tratamento era limitada. Desde o início, a organização apostou em uma abordagem inovadora ao articular comunicação, gênero e mobilização social como ferramentas para enfrentar a epidemia.
Ao longo dos anos, Alessandra construiu uma atuação marcada pela incidência política — acompanhando decisões governamentais, dialogando com gestores públicos e defendendo políticas baseadas em evidências científicas e direitos humanos.
Seu trabalho também ganhou dimensão internacional, participando de redes globais de advocacy e de debates sobre acesso a medicamentos, financiamento da resposta ao HIV e equidade em saúde.
Marta McBritton: prevenção, direitos e mobilização comunitária

Outra liderança importante da resposta brasileira ao HIV é Marta McBritton, fundadora do Instituto Cultural Barong, organização da sociedade civil que atua na promoção da saúde, na prevenção do HIV e na defesa dos direitos humanos.
Desde sua criação, o Barong desenvolve projetos voltados à prevenção do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis, com foco em populações historicamente mais vulnerabilizadas pela epidemia, incluindo a comunidade LGBTQIA+ e outros grupos frequentemente impactados pelo estigma e pela exclusão social.
Sob a liderança de Marta, a organização construiu uma atuação baseada na mobilização comunitária, na educação em saúde e na produção de informação acessível sobre prevenção e direitos.
Ao longo de sua trajetória, o trabalho do Barong tem buscado fortalecer o diálogo entre sociedade civil, gestores públicos e comunidades, contribuindo para ampliar o acesso à prevenção e ao cuidado em saúde.
O protagonismo das mulheres no ativismo contra o HIV
As trajetórias de Alessandra Nilo e Marta McBritton revelam um aspecto muitas vezes pouco visível da história da epidemia: o protagonismo das mulheres na construção do ativismo social.
Em diferentes momentos da resposta ao HIV no Brasil, foram lideranças femininas que ajudaram a criar organizações, mobilizar comunidades, pressionar governos e construir pontes entre ciência, políticas públicas e sociedade civil.
No Mês da Mulher, reconhecer essas trajetórias é também reconhecer a força do ativismo que ajudou a transformar a resposta brasileira ao HIV em uma referência internacional baseada em ciência, solidariedade e direitos humanos.
Redação da Agência de Notícias da Aids



