
Uma colcha gigante criada para homenagear pessoas que morreram em decorrência da Aids no Reino Unido será exibida publicamente no Turbine Hall da Tate Modern, em Londres, entre os dias 12 e 16 de junho deste ano. Trata-se da primeira vez que a Colcha Memorial da Aids do Reino Unido será apresentada em uma grande instituição cultural do país.
A obra surgiu na década de 1980, no auge da epidemia, como forma de combater o estigma e humanizar as vidas perdidas em decorrência da doença. Com painéis de 1,80 m por 0,90 m – o tamanho médio de um túmulo – a colcha reúne nomes, cores, tecidos e memórias de pessoas cujas histórias, muitas vezes, foram silenciadas por preconceito e abandono. Entre os homenageados estão o estilista Ray Petri, o escritor Bruce Chatwin e o ator Ian Charleson.
Inspirada na Colcha de Retalhos contra a Aids dos Estados Unidos, idealizada pelo ativista Cleve Jones em 1987, a versão britânica foi iniciada por Alistair Hume, após uma visita a São Francisco. Embora tenha tido aparições pontuais desde o fim dos anos 1980, como na conferência europeia sobre Aids realizada em 2021 no centro ExCeL, em Londres, esta será sua exibição mais ampla e simbólica até hoje.
“A colcha tem uma longa tradição de ocupar lugares públicos e icônicos como forma de protesto e memória”, afirmou o crítico de moda e autor Charlie Porter, um dos responsáveis por levar a obra à Tate Modern. Para ele, exibi-la no Turbine Hall – um dos espaços mais emblemáticos da arte contemporânea mundial – é uma forma potente de retomar sua mensagem. “É sobre quem perdemos na crise da aids, mas também sobre o estigma que persiste até hoje”, disse.

A diretora da Tate Modern, Karin Hindsbo, reforçou a importância do momento: “Será uma honra receber essa colcha. É uma expressão criativa profundamente humana, que certamente tocará o público.”
O retorno da colcha ao centro da cena pública também acontece em um momento crítico para a resposta global ao HIV/aids. Alertas internacionais foram emitidos após o anúncio de cortes significativos no financiamento dos EUA a programas internacionais de combate à epidemia. A suspensão de 83% dos contratos de ajuda externa e o enfraquecimento da USAID preocupam especialistas, que temem um retrocesso com aumento de infecções e mortes.
“Estamos prestes a entrar em um período muito assustador para muita gente”, alertou Porter. “Não há lugar melhor para trazer isso à tona do que aqui.”
Siobhan Lanigan, da UK Aids Memorial Quilt Partnership, resume o espírito do projeto: “Trata-se de restaurar o propósito original da colcha: uma exibição pública, uma homenagem visual ativa e um protesto contra o esquecimento. Essas pessoas foram alvo de ódio – e isso jamais deve ser apagado.”
Redação da Agência Aids com informações do The Guardian



