
Com o lema ” Medicina Tropical sob olhar da saúde única” iniciou na noite de ontem a edição 59 do Congresso Brasileiro de Medicina Tropical (MEDTROP), organizado pela Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, que reúne mais de mil participantes entre pesquisadores, profissionais de saúde, gestores, estudantes e membros da sociedade civil. A abertura teve lotado o auditório do Centro de Convenções Rebouças.
O Secretário de Atenção Primária à Saúde, Felipe Proenço representou o Ministério da Saúde saudando os congressistas e enalteceu a ciência como forma de combater as doenças e garantir uma qualidade de vida melhor à população. “O Brasil voltou, a ciência voltou” destacou o secretário. Para ele, eventos como estes são importantes para se ouvir os diversos segmentos que trabalham no SUS, somando esforços e ouvindo contribuições para seu aprimoramento. A presidente do Congresso, professora Hiro Goto, da Faculdade De Medicina da Universidade de São Paulo (USP) destacou que depois de 28 anos, o Medtrop retorna a São Paulo. Para ela “O MEDTROP continua a ser relevante, contribuindo para as ações na área médica, do planejamento, pesquisa, implantação de programas a prevenção e atendimento dos pacientes”. Também a presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) Rosália Morais Torres, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que é a terceira mulher a ocupar este cargo, afirmou que “o Congresso se destaca no Brasil e na América Latina por sua multidisciplinaridade, oferecendo uma plataforma única para discussão de avanços científicos e práticas inovadoras que visam promover a harmonia e o equilíbrio da saúde global.”
Sociedade Civil divulga seu manifesto

Durante a abertura os membros do coletivo de pessoas, instituições e organizações que compõe o Fórum Social Brasileiro de Enfrentamento das Doenças Infecciosas e Negligenciadas (FSBEIN), apresentaram seu manifesto intitulado “Até quando sem respostas?”, exigindo soluções para questões e urgências ” que afetam as populações mais vulnerabilizadas, acometidas também por doenças como doença de Chagas, esquistossomose, leishmanioses, hanseníase, geo-helmintíases, filariose linfática, tracoma, febre chikungunya, zika, oncocercose, raiva humana, escabiose (e outras ectoparasitoses), micoses sistêmicas, acidentes com animais peçonhentos, entre outras doenças infecciosas como hepatites virais, e as infecções por HTLV e HIV.”
Reunidos nos dias anteriores ao MEDTROP os ativistas reivindicam uma série de questões junto ao Ministério da Saúde, entre elas a atualização dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDTs), práticas de monitoramento, avaliação e disseminação de informações em saúde e auditoria sobre o preço de ferramentas diagnósticas e de prevenção.

Segundo os participantes já foram encaminhadas oito cartas, escritas pelos representantes das diversas patologias, mas sem respostas. “Por isso intitulamos até quando sem resposta”, explica Fabio Correia Costa de Recife, membro do Comitê Estadual de Tuberculose, ele destaca também que ” a mobilização dos atingidos pelas doenças negligenciadas que irá forças ações de enfrentamento, por isto é preciso que mais afetados se integrem nas ações. Para Jair Santos, coordenador da região Norte do Movimento Brasileiro de Luta Contra as Hepatites Virais e presidente do Grupo Paravidda, de Belém do Pará, “é importante que a visibilidade das doenças negligenciadas aumente, para que a sociedade saiba desta problemática e haja mais mobilização para controlá-las”
Veja o manifesto em: https://mailchi.mp/e3f44ca2cca6/manifesto-9-frum-social-brasileiro-de-enfrentamento-das-doenas-infecciosas-e-negligenciadas
Liandro Lindner, especial para Agência Aids


