23/1/2007 – 9h30
Três médicos argumentam, em um artigo publicado em uma revista especializada internacional, que as pessoas que recusarem tratamento para uma forma de tuberculose resistente a remédios deveriam ser detidas, à força se necessário, na África do Sul. Trata-se de uma medida extremada para impedir a disseminação do mal.
Desde a detecção da tuberculose extensamente resistente a medicamentos, ou XDR-TB, na África do Sul em 2006, autoridades sanitárias vêm pedindo por medidas cada vez mais amplas para combater as cepas envolvidas, incluindo melhor vigilância, melhores diagnósticos e remédios.
Em artigo no periódico Public Library of Science Medicine (PLoS Medicine), os médicos Jerome Amir Singh, Ross Upshur e Nesri Padayatchi propõem que os pacientes de XDR-TB que recusem tratamento sejam detidos compulsoriamente. Singh e Padayatchi são do Centro para Programas de Pesquisa da Aids da África do Sul, e Upshur é diretor do Centro Conjunto de Bioética da Universidade de Toronto, no Canadá.
Um assessor do Departamento de saúde da África do Sul, Ronnie Green-Thompson, disse que a idéia já foi discutida e é possível.
“A questão de deter o paciente contra sua vontade não é ideal, mas pode ter de ser considerada, no interesse público”, diz nota emitida pelo Departamento de Saúde, com declarações de Green-Thompson. “Comentários e opiniões legais, bem como… a opinião de grupos de defesa dos direitos humanos são importantes”.
Nos anos 90, o Estado de Nova York deteve pessoas que rejeitaram tratamento de tuberculose, o que provocou uma queda significativa no número de casos.
Em setembro de 2006, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que havia 53 casos confirmados de XDR-TB na África do Sul, 52 dos quais se provaram fatais. A maioria dos pacientes também era de portadores de HIV. Até o momento, mais de 300 casos foram identificados, e pelo menos 30 novos são registrados a cada mês.
A XDR-TB existe por todo o mundo, mas o grande número de portadores de HIV na África torna a doença, ali, particularmente preocupante. Não só o vírus da aids impulsiona a disseminação da tuberculose, como a infecção pelas duas doenças ao mesmo tempo representa morte quase certa.
Fonte: AP


