MÉDICO INFECTOLOGISTA DE SÃO PAULO DENUNCIA FALTA DE MEDICAMENTOS ANTI-RETROVIRAIS NO MUNICÍPIO

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14/12/2006 – 19h

“Em São Paulo começa a escassez da Gamaglobulina, medicamento essencial para o tratamento de crianças com AIDS, como também para muitas outras patologias. Os anti-retrovirais lopinavir/r solução oral, amprenavir, abacavir e efavirenz estão na fase vaga-lume: ora tem, ora não tem. Nós (médicos), gatos escaldados, intuímos que a falta é iminente”, afirma o infectologista Robinson Camargo, coordenador do SAE (Serviço Especializado em DST/Aids) Sapopemba, zona leste da capital paulista. Na tarde desta quinta-feira (14), o especialista divulgou carta por e-mail (leia na íntegra) cobrando das autoridades das esferas municipal, estadual e federal soluções para o problema da falta intermitente de medicamentos. A reportagem apurou que município espera repasse do Ministério da Saúde.

Na carta, o médico infectologista cobra respostas para o problema. Até o momento, segundo ele, nenhuma solução foi apontada, principalmente sobre a Gamoglobulina e lopinavir/r solução oral. Em entrevista, o Dr. Robinson Camargo diz que, além do problema com medicamentos, a falta de comunicação incomoda. “Não obtive informações, por exemplo, sobre a compra emergencial dos frascos da Gamoglobulina”, conta ao ser questionado sobre a notícia da semana passada em que o Ministério comprou 36 mil frascos do medicamento em caráter emergencial.

A assessoria de imprensa da prefeitura de São Paulo confirmou a falta dos quatro medicamentos, porém, afirmou que o problema foi de repasse do Ministério da Saúde para o município e estado.

Segundo a diretora do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Maria Clara Gianna, a situação mais preocupante é do abacavir. Ela informou que o estoque “a nível central da Secretaria de Estado de Saúde está zerado. O Ministério da Saúde prometeu uma nova grade para o início da próxima semana”. O Programa Estadual fez um remanejamento do estoque e orientou as unidades a fracionar a distribuição do medicamento, se necessário. Em relação aos outros três medicamentos, Gianna disse que não chegou a haver desabastecimento, eles já foram distribuídos e deverão chegar às unidades de distribuição entre esta próxima sexta e segunda-feira (18).

“Me incomoda saber que, com essas faltas ocasionais de dois dias ou até uma semana, quem aparece buscando medicamento perde a viagem e prejudica o tratamento”, enfatiza Dr. Robinson Camargo.

A assessoria de imprensa do Programa Nacional de DST/Aids ratificou as informações fornecidas por Maria Clara Gianna, em relação a não ter havido falta de medicamentos, mas sim fracionamento e esclareceu que o problema ocorreu devido a problemas de logística.

Maurício Barreira e Rodrigo Vasconcellos

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