Mário Scheffer convoca ativismo para construir futuro da prevenção, em abertura do 2º Seminário de Vacinas Anti-HIV

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12/09/2014 – 13h

Novas tecnologias de prevenção: desafios do ativismo. Com esse tema, o professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP e ativista Mário Scheffer encantou a plateia de mais de 100 pessoas na conferência de abertura do 2º Seminário de Vacinas Anti-HIV, na noite dessa quinta-feira (11), em São Paulo. Para ele, as novidades anunciadas esse ano e com mais ênfase depois da Aids 204, na Austrália, são bem-vindas mas trazem com elas um nó que a militância precisa desatar: Como focalizar as populações-chave sem discriminá-las?

No seminário do ano passado, em Salvador (BA), Scheffer já havia colocado a necessidade da reflexão sobre como dar mais atenção às populações vulneráveis sem trazer de volta velhos estigmas. Ele retomou o tema. “Com o pretexto de proteger esses grupos, nós os abandonamos ou deixamos de nos dirigir a eles da maneira mais adequada.”

Scheffer apontou dualidades entre o que chamou de prevenção idealizada e prevenção vivida. Uma delas, é a política de fazer a prevenção generalizada, enquanto dados mostram a epidemia concentrada. “Temos de sair dessa espiral. Assumir a vulnerabilidade acrescida e ter políticas boas para combatê-la.”

Para uma plateia muito atenta, o professor mostrou um panorama do que os novos tratamentos — como prevenção pré-exposição (PrEP, ainda não adotada no Brasil), prevenção pós-exposição (PEP) e tratamento como prevenção — prometem e o que é o mundo real. Lembrou que a porta de entrada dos serviços de saúde nem sempre está aberta para todos.

“A PEP, por exemplo, criou duas categorias de indivíduos”, comentou. “Se a pessoa se expos a um risco acidental de infecção, ela é considerada com mais direito de receber os medicamentos. Se foi por prazer, a história muda. Casais sorodiscordantes casados são privilegiados em detrimento de quem não tem parceiro fixo.”

Mário Scheffer também falou da atual situação do Sistema Único de saúde (SUS), com baixa qualidade de serviços, superlotação no atendimento, privatização das gestões, entre outras questões. “Precisamos retomar a defesa do SUS porque, sem ele, as novidades não serão implementadas.”

Reação
“Achei a fala dele muito interessante. Ele deu muitas explicações técnicas, mas de um jeito que a gente conseguiu entender. Vou levar o que aprendi com ele para a minha cidade”, disse Alice de Oliveira, coordenadora da Associação de Prostitutas do Ceará (Aproce).

“Achei muito boa a palestra. Apesar de estar cansada, por causa da viagem até aqui, aprendi muita coisa. A gente precisa ter informação para entender o que está acontecendo”, comentou Cris de Madri, da Associação das Travestis e Transexuais de Alagoas.

“É isso mesmo que ele disse. A gente tem de rever conceitos e refletir para poder enfrentar os desafios”, refletiu Jaci Carioca Sampaio, do Grupo Pela Vidda Niterói.

“Quero entender melhor as novas tecnologias e a palestra dele me esclareceu muita coisa”, disse Silvia Aloia, do Movimento das Cidadãs Posithivas de Porto Alegre (RS).

O  2º Seminário de Vacinas Anti-HIV é promovido pelo Grupo de Incentivo à Vida (GIV)  e está acontecendo no Hotel Braston Augusta, em São Paulo. O encerramento será nesse sábado (13) às 11h30.

Dica de entrevista:
GIV
Tel.: (11) 5084-0255(11) 5084-0255

Fátima Cardeal (fatima@agenciaaids.com.br)

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