Vacinação, exames preventivos e uso de preservativo compõem os cuidados necessários para prevenção aos cânceres relacionados ao vírus

O papilomavírus humano (HPV) é um dos vírus mais comuns no mundo e uma das principais infecções sexualmente transmissíveis. Ele é o causador de 99% dos casos de câncer do colo do útero — o terceiro tipo mais incidente entre as mulheres no Brasil — e de cânceres de ânus, vulva, vagina, pênis e orofaringe.
A vacinação é uma das estratégias globais propostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para acelerar a eliminação do câncer do colo do útero como problema de saúde pública. Uma das metas propostas é ter 90% das meninas de até 15 anos imunizadas até 2030.
“A vacina é fundamental para prevenir a infecção e o desenvolvimento de câncer relacionado. Além disso, o uso de preservativos, a detecção precoce de lesões pré-cancerosas, por meio de exames como o papanicolau, e o rastreamento de câncer de ânus em populações de risco são ações essenciais para reduzir o impacto do vírus”, explica Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD Brasil.
De acordo com ela, embora a vacinação ocorra geralmente antes do início da vida sexual, quando o organismo ainda não entrou em contato com o vírus, a vacinação de pessoas sexualmente ativas ou que já tenham se infectado pode proteger contra tipos diferentes do vírus ou aumentar a resposta imunológica.
Autocuidado e prevenção
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima-se que, entre 2023 e 2025, cerca de 17 mil mulheres desenvolvam câncer do colo do útero a cada ano, correspondendo a um risco de 15,38 casos a cada 100 mil.
Com mais de 200 tipos conhecidos, o HPV tem ao menos 14 variedades consideradas de alto risco para o desenvolvimento de câncer — dentre esses, os tipos 16 e 18 são responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo do útero. Já os tipos 6 e 11 estão presentes em 90% das verrugas genitais.
O contágio acontece por meio do contato com a pele ou mucosas infectadas, principalmente durante relações sexuais — por isso, o uso de preservativos é muito importante. “Embora não previnam completamente a transmissão, uma vez que o vírus pode ser encontrado em toda a região genital, podem ajudar a reduzir o risco”, aponta a especialista.
Estima-se que cerca de 80% das pessoas sexualmente ativas possam ter HPV em algum momento de suas vidas, mas a maioria das infecções é eliminada naturalmente pelo organismo. No entanto, em alguns casos, ela pode se tornar persistente, levando ao desenvolvimento de lesões pré-cancerosas que podem progredir para um câncer se não forem tratadas, motivo pelo qual os exames preventivos são tão importantes.
Atualmente, o SUS oferece a vacina quadrivalente, que protege contra quatro tipos de HPV, disponível para meninas e meninos de 9 a 14 anos de idade, além de pessoas imunossuprimidas de até 45 anos e, recentemente, pessoas vítimas de violência sexual de até 45 anos.
Já a vacina nonavalente combate nove tipos de HPV, oferecendo uma proteção de 90% contra as variedades mais perigosas do vírus. Ela está disponível para pessoas de 9 a 45 anos de idade, de ambos os sexos. “Os homens podem transmitir o vírus e precisam ser vacinados, pensando no coletivo, e também desenvolvem lesões e cânceres relacionados ao HPV, como o anal”, frisa Márcia.


