Marie Claire: Por que Parada LGBT de SP e Marcha Trans pedem que manifestantes usem cores da bandeira do Brasil?

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Parada LGBT de SP e Marcha Trans pedem que manifestantes usem cores da bandeira do Brasil; na foto, a 27ª de Parada SP, em junho de 2023 — Foto: Cris Faga/NurPhoto

A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo e a Marcha do Orgulho Trans, também realizada na capital paulista, convocaram que manifestantes compareçam usando verde e amarelo, em alusão às cores do Brasil. Organizações das manifestações buscam “resgatar” o verde e amarelo após camisas da seleção e bandeiras do país terem sido usadas nos últimos anos em eventos da extrema-direita – sobretudo, em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro – e nos atos inconstitucionais de 8 de janeiro.

O dress code foi pensado após o último dia 4, quando Madonna fez seu show gratuito na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. No palco, a cantora norte-americana e Pabllo Vittar vestiram a camisa e empunharam a bandeira do país ao som de Music, entoada por uma bateria de jovens músicos de escolas de samba comandada por Pretinho da Serrinha.

“Neste cenário emblemático, a arte de Madonna ao lado de Pabllo Vittar elevou nossa bandeira e nossas cores a um patamar global de amor e tolerância”, afirma comunicado do Instituto [SSEX BBOX], que organiza a Marcha do Orgulho Trans em São Paulo.

“Madonna e Pabllo Vittar ressignificaram o uso da bandeira do Brasil, que havia sido apropriada pela ala mais retrógrada da sociedade, que ataca diretamente a população LGBT+ utilizando o amor à pátria como um disfarce para propagar o ódio”, afirma André Fischer, diretor de comunicação da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOLGBT-SP), responsável pela Parada SP.

O comunicado da Marcha Trans afirma ainda que as artistas usaram as cores num contexto de celebração e afirmação da importância da existência da população LGBTQIA+. “Madonna e Pabllo Vittar nos devolveram a bandeira e as cores. O mundo pôde ver os símbolos do Brasil em um contexto de amor e tolerância, distante do autoritarismo e da depredação”, diz o texto.

“Ressignificar a bandeira do Brasil é um ato poderoso de inclusão e justiça social, essencial para reconhecer a diversidade que realmente compõe nossa nação”, afirma Van Marcelino, pessoa não binária, diretore dos Projetos no Instituto [SSEX BBOX] e idealizadore da Mostra Internacional Drag King Queer. “Esse ato transforma a bandeira em um símbolo de resistência e esperança, refletindo a contribuição de todos os grupos, incluindo a população LGBTQIAP+ e outras comunidades subrepresentadas”, diz.

Madonna e Pabllo Vittar vestem camisas do Brasil e empunham bandeiras em show em Copacabana, no Rio — Foto: Buda Mendes/Getty Images

A Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais de São Paulo, por outro lado, não vai aderir. “Para nós, essas cores ainda estão associadas à extrema direita, ao fascismo”, diz Milena Fontes, uma das organizadoras da manifestação. A decisão também está ligada ao fato de a camisa do Brasil ser ligada à CBF, e, por isso, “representa uma entidade corrupta e misógina”.

“Respeitamos a decisão da Marcha Trans, da Parada e das artistas Pabllo Vittar e Madonna de ressignificar estes símbolos, mas acreditamos que, nesse momento, a forma de enfrentar a extrema direita é nos organizando politicamente”, afirma.

A Caminhada não vai orientar que o público vista cores específicas e que frequentem como se sentirem confortáveis. Reafirma que as cores e bandeiras do evento são o roxo ou lilás, representando o feminismo; o vermelho, que simboliza a esquerda política; e a bandeira do arco-íris, símbolo da comunidade LGBTQIA+.

Fontes pensa que, neste momento, a estética verde e amarela poderia ser mais prejudicial para o movimento. “Em meio à fragilidade política que vivemos, vemos com preocupação o uso dessas cores, pois as fotos podem ser aproveitadas pela extrema-direita de forma utilitarista e para proliferar fakes news, além de deixá-los confortáveis na nossa Caminhada”, explica.

A preocupação com o uso indevido de fotos também foi citada por frequentadores em comentários na postagem da Parada LGBTQIA+ de 6 de maio, em que anunciaram a adesão das cores verde e amarelo. André Fischer, no entanto, entende a hipótese como impossível. “O verde e amarelo aparecerão ao lado do arco-íris, usadas por pessoas LGBT+ em contexto claramente antifascista”, diz.

Ele também pensa que essa foi a maneira encontrada para deixar claro que a população LGBTQIA+ é formada por “cidadãos e cidadãs que merecem ter seus direitos garantidos”. “É uma declaração de que o Brasil é de todes e para todes, celebrando a riqueza da nossa diversidade e projetando um futuro mais justo e equitativo”, acrescenta Van Marcelino.

A 7ª Marcha do Orgulho Trans de São Paulo acontecerá em 31 de maio, sexta-feira, sob o tema Renascença de Gênero. A manifestação se inicia às 11h no Largo do Arouche, centro de São Paulo.

 

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Já a 22ª Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais de São Paulo está marcada para o dia 1º de junho, sábado, com concentração marcada para às 13h na Praça da República. Neste ano, o ato pede pelo fim do lesbocídio e da bifobia, além de justiça por Carol Campêlo, brutalmente assassinada em dezembro de 2023 no Maranhão, e Luana Barbosa, morta em 2016 após ser espancada por três policiais militares em Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

 

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Por fim, a 28ª edição da Parada SP sairá na Avenida Paulista no dia 2 de junho, domingo, por volta das 12h. O tema desta edição é Basta de Negligência e Retrocesso no Legislativo, com foco em chamar atenção do Congresso Nacional.

 

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