A ampliação da vacina contra o HPV para usuários da profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), oficializada pelo Ministério da Saúde em 2024, marca uma virada concreta na política de prevenção no Brasil. O imunizante está disponível gratuitamente no SUS para pessoas entre 15 e 45 anos que fazem uso da PrEP — e representa um passo decisivo para reduzir não apenas infecções, mas também o risco de desenvolvimento de até seis tipos de câncer.
Mais do que uma recomendação, trata-se de um direito que precisa ser conhecido, acessado e incorporado à rotina de cuidado.
Uma proteção que vai além do HIV
A PrEP é hoje uma das estratégias mais eficazes na prevenção do HIV, reduzindo significativamente o risco de infecção quando utilizada corretamente. Mas ela não atua sobre outras infecções sexualmente transmissíveis — e é nesse ponto que o HPV exige atenção.
O papilomavírus humano é altamente prevalente, com mais de 200 tipos identificados, sendo pelo menos 12 associados ao desenvolvimento de câncer. Os tipos 16 e 18, por exemplo, estão presentes em cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero.
Ao incluir usuários de PrEP como público prioritário da vacinação, o Ministério da Saúde reconhece que a prevenção precisa acompanhar o risco real de exposição, ampliando o cuidado para além de um único vírus.
Quem usa PrEP pode — e deve — se vacinar
A vacina contra o HPV ofertada pelo SUS é a quadrivalente, que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do vírus. Para usuários de PrEP entre 15 e 45 anos, o esquema é de três doses.
O acesso é direto: basta procurar uma sala de vacinação da rede pública ou um Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie) e apresentar um comprovante de uso da PrEP — como prescrição médica, cartão de acompanhamento ou o próprio medicamento.
A imunização é indicada tanto para quem nunca se vacinou quanto para aqueles que iniciaram o esquema e não completaram as doses.
Prevenir o vírus, evitar o câncer
Disponível no SUS desde 2014, a vacina contra o HPV protege contra a infecção e atua diretamente na prevenção de seis tipos de câncer: colo do útero, vagina, vulva, pênis, ânus e garganta.
Esse é o ponto central da estratégia: interromper uma cadeia silenciosa que pode levar anos até se manifestar como doença grave.
Na maioria das vezes, a infecção por HPV não apresenta sintomas. As lesões podem permanecer invisíveis por longos períodos — especialmente em regiões internas do corpo.
O HPV infecta pele e mucosas, como boca, genitais e ânus, e sua transmissão ocorre principalmente por contato sexual, embora também possa acontecer durante o parto.
O uso de preservativos, a realização de exames preventivos — como o papanicolau — e a vacinação formam a base da prevenção. Ainda assim, a alta circulação do vírus torna a imunização uma ferramenta central, especialmente em populações mais expostas.
Além dos usuários de PrEP, o SUS já oferta a vacina contra o HPV para diferentes públicos:
* Crianças e adolescentes de 9 a 14 anos (dose única)
* Pessoas vivendo com HIV/Aids, transplantados e pacientes oncológicos de 9 a 45 anos (três doses)
* Vítimas de violência sexual (duas ou três doses, conforme a idade)
PrEP: porta de entrada para um cuidado mais amplo
Disponível no SUS desde 2018, a PrEP utiliza antirretrovirais antes da exposição ao HIV, reduzindo significativamente o risco de infecção. É indicada para pessoas com maior vulnerabilidade, como casais sorodiferentes, pessoas com histórico de ISTs, profissionais do sexo ou quem utiliza repetidamente a profilaxia pós-exposição (PEP).
Mas seu impacto vai além da prevenção ao HIV. Ao vincular usuários a serviços de saúde, a PrEP cria uma oportunidade única de ampliar o cuidado — incluindo testagem regular, acompanhamento clínico e, agora, vacinação contra o HPV.
Redação da Agência de Notícias da Aids



