30/04/2014 – 11h30
A semana começou bem para os Programas estadual e municipal de DST/Aids de São Paulo. Na segunda e na terça (28 e 29) os dois realizaram mais mil testes de HIV gratuitos via oral no Centro de São Paulo. Os técnicos do estado estiveram em dois locais: na segunda, a ação foi na Casa das Rosas, com 253 testes realizados e três resultados positivos. Na terça, a equipe ocupou o térreo do Centro de Referência da Diversidade (CRD), com quase 100 exames. Já a tenda do município foi montada na Praça da República, onde, em dois dias, aproximadamente 700 exames foram realizados. A novidade foi o teste rápido detectado pelo fluido oral, sem a necessidade de agulhas. O resultado sai em 20 minutos e tem precisão de 99%.
“Esse novo exame funciona com a análise de amostras do fluido oral colhidas com cotonete apropriado e o resultado pode ser facilmente interpretado”, afirma a coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids, Eliana Battaggia Gutierrez. "Esse novo exame é prático até para descartar, pois não tem sangue", continua a coordenadora. "Aqui na República os homens estão felizes porque não precisam nem furar o dedo para fazer o teste."
A coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Maria Clara Gianna, também considera bom esse novo método de testagem do HIV. "Nossa avaliação é positiva, o teste é simples e funciona muito bem ns atividades extra muro."
Segundo Maria Clara, o próximo desafio do estado é compartilhar com os municípios de São Paulo a experiência com a nova tecnologia. "Temos sempre de buscar estratégias para o diagnóstico precoce do HIV", diz a coordenadora estadual.
O teste oral detecta anticorpos no fluído coletado e pode ser executado em qualquer local. "A ação no Centro de São Paulo é estratégica porque conseguimos alcançar um público prioritário na luta contra o HIV, como os jovens gays, homens que fazem sexo com homens e travestis", declarou Maria Clara.
Dados do Programa Estadual revelam que, nas últimas décadas, houve aumento de incidência de casos de aids entre homens que fazem sexo com homens (HSH) em São Paulo. Em 2007, esse grupo correspondia a 29,8% das infecções no sexo masculino acima de 13 anos, passando para 43% em 2012.
Numa pesquisa recente sobre conhecimentos, atitudes e práticas relacionadas às DST/Aids, realizada pelo Programa Municipal, os dados apontam que apenas 35% dos paulistanos sexualmente ativos já realizaram testes de HIV ao menos uma vez na vida, o que abre a oportunidade e o desafio de oferecer maior acesso ao teste, pois o conhecimento do status sorológico é um direito do cidadão.
Veja o que o público disse sobre a ação:
O jovem estudante Paulo, 22 anos, fez o exame pela primeira vez. "Vi uma chamada na TV e corri aqui para a Praça da República para fazer o teste, sempre tive curiosidade sobre minha sorologia, até mesmo porque fiz uma tatuagem há seis meses", disse.
Já tradutora Joyce, 23, também fez o teste na República. "Quando vi o anúncio de que o teste seria via oral resolvi fazer, vi que a galera do Porta dos Fundos também usou esse exame na série viral."
A travesti Ana Keila sempre faz o teste na região central, no trailer do programa Quero Fazer, que estaciona no Largo do Arouche aos domingos. "Meu exame sempre é negativo, mas não custa nada fazer novamente como forma de prevenção."
Na primeira hora da ação no CRD, quase 20 pessoas fizeram o exame, entre elas, o professor aposentado Milton* , de 73 anos. "Saí de Santo André, no ABC Paulista, para essa ação. No meu município o teste ainda é muito restrito apenas aos serviços de saúde. Aqui tenho a possibilidade de conhecer meu diagnóstico em meia hora e dessa vez nem precisei furar o dedo."
O operador de telemarketing, Marcos Vinicius, de 25 anos, disse que sempre faz o teste. "Essa é a forma que encontrei de me prevenir contra o HIV."
O estudante Hugo Mendes estava passando em frente ao CRD quando viu um banner enorme sobre o teste gratuito . "Estou mega feliz com a possibilidade de fazer o exame, nunca tenho tempo de ir ao serviço de saúde."
A testagem para o diagnóstico é gratuita e está disponível em todos os serviços de saúde, assim como a retirada de preservativos e a realização de testes para sífilis, hepatites B e C.
Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)


