04/12/2014 – 16h30
O Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo (Iamspe) atende em média mil pacientes com HIV/aids por mês, desses, mais de 60% acima dos 60 anos. Os dados foram apresentados nessa quarta-feira (3), pelo infectologista Durval Costa, durante seminário no Iamspe, em alusão ao Dia Mundial de Luta Contra a Aids, lembrado em 1º de Dezembro.
O evento reuniu nomeados especialistas para um espécie de reclicagem dos profissionais de saúde na luta contra o HIV. "Aqui, no Iamspe, a maior parte dos pacientes com HIV é de idosos por dois fatores: eles envelheceram conosco e este é um hospital de pessoas acima de 50 anos de idade", explica Durval. O Iamspe responde pelo atendimento de 10% da população idosa no Estado de São Paulo e cerca de 60% dos pacientes internados têm 60 anos ou mais.
Durval diz ainda que o hospital precisa criar diariamente mecanismos para tratar aids nesta população. "As pessoas com idades avançadas têm outras patologias além do HIV, como hipertensão, então nosso desafio é relacionar os antirretrovirais com outras drogas", observa.
A vida sexual mais ativa dos idosos, aliada ao sexo sem proteção, também pode ter contribuído para o crescimento nas notificações. A pesquisa mostra ainda que os pacientes acima de 40 anos são responsáveis por 72% dos casos de aids e por 70% dos casos de sífilis (doença causada por uma bactéria e também sexualmente transmissível), dos quais 23% são idosos.
O infectologista Caio Rosenthal, membro do Conselho Reginal de Medicina de São Paulo, também esteve no evento e falou sobre os novos dados da pandemia no mundo. Segundo ele, 35 milhões de pessoas vivem com HIV/aids no mundo e 2,1 milhões de pessoas se infectaram só no último ano. "Temos 6 mil novas infecções no mundo por dia, desses, 68% só na África Subsariana, 47% em mulheres, 33% entre jovens e 700 crianças até 15 anos infectadas", anunciou. "Além disso, um milhão e meio de pessoas morreram em decorrência da doença no último ano", completa.
No Brasil, cerca de 734 mil pessoas vivem com HIV e aids e 150 mil desconhecem seu diagnóstico. Os dados foram apresentados pelo Ministério da Sáude nesta semana e destaca o crescimento da doença principalmente entre os mais jovens. "As ONGs sempre falaram sobre a importância de campanhas direcionadas para populações específicas, temos de criar mensagem que dialoguem com os jovens", comenta Caio.
"Ainda não há cura ou vacina contra aids, a doença pode ser controlada com um coquetel antirretoriral – há, inclusive, uma recomendação recente da Organização Mundial de Saúde (OMS) para que homens que têm relações com outros homens passem a tomar esses medicamentos para prevenir a transmissão do vírus, mas sem esquecer também de usar sempre a camisinha", alerta o infectologista.
O seminário abordou ainda o panorama de infecção, transmissão e tratamento da aids no país e a cura e as perspectivas da criação de uma vacina de combate ao HIV.
Talita Martins (talita@agenciaiads.com.br)



