LUSO+ estreia na Conferência Internacional de Aids como movimento do Sul Global para amplificar vozes lusófonas invisibilizadas nas decisões globais sobre hiv

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

Em parceria com a ONG Motirô BA, o movimento inaugura o Pavilhão LUSO+ na Global Village da AIDS2026, reunindo ativistas, pesquisadores, artistas e lideranças comunitárias do Brasil, Angola e Moçambique para fortalecer a incidência política dos territórios de língua portuguesa na resposta global ao hiv

O Rio de Janeiro receberá a estreia internacional da Rede Lusófona de Pessoas Vivendo com hiv (Rede LUSO+) durante a 26ª Conferência Internacional de Aids (AIDS2026), realizada entre 26 e 31 de julho. Com o lançamento do Pavilhão LUSO+ na Global Village, o movimento reúne representantes do Brasil, Angola e Moçambique para ampliar o protagonismo dos territórios lusófonos do Sul Global nos espaços onde são definidas políticas, financiamentos e estratégias de enfrentamento da epidemia.

Ao longo de quatro dias, o Pavilhão LUSO+ oferecerá uma programação que conecta ciência, ativismo, arte e sociedade civil. O espaço é coorganizado pela Motirô BA, organização sediada em Salvador que celebra 25 anos de atuação em 2026, consolidando uma parceria baseada na cooperação internacional e na experiência comunitária. Brasil, Angola e Moçambique compartilharão experiências, construirão propostas conjuntas e fortalecerão uma agenda comum de advocacy. A iniciativa conta ainda com apoio estratégico do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e parcerias com o setor privado.

“Acreditamos que o movimento social precisa unir forças para que as conquistas aconteçam de maneira mais célere e sejam, sobretudo, coletivas. Nosso compromisso é preservar a dignidade e a saúde das populações mais vulneráveis. Encontramos na Motirô uma parceria empoderadora, comprometida com o diálogo e com as comunidades, e não com interesses meramente políticos, financeiros ou pessoais. Esse é o princípio que orienta a Rede LUSO+ desde sua criação”, afirma Líria Castro, Coordenadora Global de Equidade de Gênero da organização.

O futuro da resposta ao hiv em português

Mais do que um estande, o Pavilhão LUSO+ foi concebido como um ambiente permanente de diálogo entre comunidades, pesquisadores, gestores públicos, artistas e movimentos

sociais. Entre os principais eixos estão o fortalecimento da cooperação África-Brasil, o acesso às novas tecnologias de prevenção e tratamento, a defesa dos direitos humanos, a equidade de gênero, o financiamento da resposta comunitária e a valorização das experiências produzidas pelas próprias pessoas vivendo com hiv.

A programação cultural ocupa posição de destaque com a performance musical de Tiago Ávila, “Voz no palco: tributo às vidas perdidas para a aids”; a exposição “Aids, apenas negócios?”, de Julie Lobo e Marina Vergueiro; uma conversa sobre literatura com a infectologista Márcia Rachid; e a exibição do teaser do longa-metragem “Indetectável”, de Marina Vergueiro.

“Acreditamos que a arte é uma das ferramentas mais potentes que as comunidades possuem para educar, sensibilizar e engajar pessoas. Ela cria conexões que muitas vezes os dados e os discursos institucionais não conseguem produzir. Por isso, o artHIVismo ocupa um lugar central no DNA da LUSO+”, destaca Austin Gil, Coordenador de Advocacy e Governança.

Ciência, qualidade de vida e novas tecnologias

Outro eixo estratégico será a discussão sobre os avanços científicos sob a perspectiva das pessoas que vivem com hiv. O painel “Queremos TARV injetável de longa duração” colocará a sociedade civil no centro do debate sobre acesso às novas tecnologias, qualidade de vida e políticas públicas de acesso gratuito e universal.

A programação também promoverá rodas de conversa sobre transmasculinidades, lesbianidades, neovulva e outras interseccionalidades comumente ausentes dos grandes debates internacionais. A proposta é construir respostas cada vez mais diversas, representativas e conectadas às necessidades reais das comunidades.

Chamado a todos fluentes na língua portuguesa

Durante a conferência, a Rede LUSO+ também lançará uma mobilização permanente para ampliar sua base de participação. “Queremos que todas as pessoas dos países de língua portuguesa que compartilham o compromisso com a resposta ao hiv/aids façam parte desta construção coletiva. E nesta conferência queremos conhecer os companheiros de Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Timor Leste, Macau e São Tomé e Príncipe. Temos disponível um cadastro por meio do nosso Instagrampara reunir ativistas, pesquisadores, profissionais da saúde, artistas e aliados interessados em construir uma agenda comum de advocacy. Quanto mais conectada estiver nossa comunidade, maior será nossa capacidade de influenciar decisões internacionais e garantir que todas as nacionalidades lusófonas sejam beneficiadas”, afirma Henrique Ávila, Coordenador Global da Luso+ no Brasil.

Programação

Segunda-feira — 27 de julho

10h30 – Inauguração Diretoria LUSO+ & Motirô BA

11h – Diálogos Lusófonos

Líria Castro (ANG), Henrique Ávila (BRA), Austin Gil (ANG) e Joshua Muchanga (MOZ)

12h – Transmasculinidades e hiv

Lírio Nascimento (BRA), Canafístula Lima (BRA) e Austin Gil (ANG)

14h30 – TB + hiv: é preciso falar! Líandro Lidner (ARTTB)

15h30 – Arthivismo: Anos 80 é Hoje

Julie Lobo (BRA), Marina Vergueiro (BRA) e Djair Gomes (BRA)

16h30 – Motirô BA: 25 anos de luta e ativismo Javier Angonoa (BRA)

17h30 – Networking

Terça-feira — 28 de julho

10h30 – Lançamento do Manual de Advocacy da Coalizão+Brasil Reverendo Magela (BRA)

11h – Queremos TARV injetável de longa duração

Alice de Abreu (MOZ), Pisci Bruja (BRA), Susana Ploeg (BRA) e Keila Simpson (BRA)

13h45 – Homenagem às vítimas da aids no Brasil (Palco Central da Global Village) Tiago Ávila (BRA)

14h30 – Sentença de Vida & Vidas Marcadas: literatura e hiv Márcia Rachid (BRA)

15h30 – Refazendo a prevenção ao hiv Veriano Terto (BRA) e Líria Castro (ANG)

16h30 – hiv, infância e maternidade

Daniela Bertolini (BRA), Laurinha Brelaz (BRA) e Tia Rosa (ANG)

17h30 – Networking

Quarta-feira — 29 de julho

10h30 – Reunião com Redes e Movimentos Brasileiros 11h30 – Café da Manhã: Ubuntu — Eu sou porque somos! 12h – Lésbicas, bissexuais e hiv

Michele Seixas (BRA), Rafuska Queiroz (BRA) e Líria Castro (ANG)

14h – Desafios e oportunidades em Angola

Tia Rosa (ANG), Austin Gil (ANG) e Líria Castro (ANG)

15h30 – Transmissão vertical e qualidade de vida

Naila Barbosa (BRA), Micaela Cyrino (BRA) e Rabeca (MOZ)

16h30 – Comunicação, acolhimento e prevenção

Vinicius Borges (BRA), Paola Alves Souza (BRA) e Ítalo Costa (BRA)

17h30 – Cineminha

Quinta-feira — 30 de julho

10h30 – Diálogos Lusófonos II

Líria Castro (ANG), Henrique Ávila (BRA), Austin Gil (ANG) e Joshua Muchanga (MOZ)

11h – Masculinidades e hiv

Pedro Mahumane (MOZ), David Oliveira (BRA) e Henrique Ávila (BRA)

12h – Exibição do filme Cartas Pra Mim

12h30 – Advocacy e Financiamento Javier Angonoa (BRA)

14h30 – II Manifesto Lusófono

16h30 – Coquetel de Encerramento

18h30 – Rolêzim Fixe – Festa Pé na Areia

(Quiosque do Joilton – Av. Lúcio Costa, 3700 – Barra da Tijuca)

Instagram: @redeluso.mais | @motirobahia

Sobre a Rede LUSO+

A Rede Lusófona de Pessoas Vivendo com hiv é uma articulação internacional que reúne ativistas e organizações de países de língua oficial portuguesa. Seu objetivo é fortalecer o advocacy, promover a cooperação internacional, compartilhar experiências sobre a resposta à epidemia e garantir que as pautas do Sul Global sejam efetivamente consideradas nos espaços globais de decisão sobre hiv/aids.

Sobre a Motirô BA

Com 25 anos de história, a Motirô BA é uma organização da sociedade civil sediada em Salvador que atua na defesa dos direitos humanos, na prevenção, na assistência e no enfrentamento ao estigma e à discriminação relacionados ao hiv e à aids. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se como uma das principais referências comunitárias da resposta brasileira à epidemia.

Apoios