04/01/2007 – 10h40
Nesta última terça (02/01), o sul-coreano Ban Ki-moon iniciou seu mandato como secretário-geral da Organização das Nações Unidas, em substituição ao ganês Kofi Annan. Consultores da área de saúde e ativista consideram que o sucessor tem o desafio de continuar com os trabalhos de Annan na área de HIV/Aids e que este foi um “progressista” e “defensor” da luta contra a Aids.
A opinião geral das pessoas ouvidas pela reportagem é que Kofi Annan foi um marco no combate à epidemia, ao realizar, em 2001, a UNGASS – reunião extraordinária inédita sobre HIV/AIDS na Assembléia Geral da ONU.
“Annan sempre procurou fortalecer o combate ao HIV no mundo, tanto em países em desenvolvimento, quanto em países pobres. Ele é um progressista. Só que a ONU é uma complicação, as forças que atuam na organização são desequilibradas. Os países ricos têm mais poder, enquanto pobres, que contribuem menos para as Nações Unidas, são dependentes de esmolas. Um exemplo disso foi a rodada de DOHA”, afirma a ex-consultora da OMS e especialista em química e tecnologia farmacêutica, Eloan Pinheiro.
A rodada de Doha das negociações da OMC, que foi iniciada em 2001, visa diminuir as barreiras comerciais em todo o mundo, com foco no livre comércio para os países em desenvolvimento. As conversações centram-se na separação entre os países ricos, desenvolvidos, e os maiores países em desenvolvimento (representados pelo G20). A questão sobre patentes de medicamentos foi um tema que causou polêmica e os diálogos sobre o assunto não progrediram.
“Ele abordou a Aids como um assunto de interesse humanitário para o mundo. Defendeu o Fundo Global de Luta Contra a Aids, antes da França realizar a Central Internacional de Medicamentos (cobranças de taxas aéreas para a luta contra a epidemia). Annan foi o primeiro a realizar a UNGASS”, destaca o consultor do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Paulo Roberto Teixeira. “Espero que o sucessor veja a Aids da mesma forma que Annan, que a ONU continue liderando a temática da epidemia”, comenta Teixeira.
“A questão da Aids está cada vez mais complexa e isso exige maior capacidade política. O tema deixou de ser somente uma questão de saúde e o sucessor deve estar preparado para isso. Aliás, o desafio dele será superar Kofi Annan”, diz a coodenadora geral da Gestos, Alessandra Nilo.
Kofi Annan
Kofi Annan (1938) é um diplomata de Gana. Foi, entre 1º de janeiro de 1997 e 1º de janeiro de 2007, o sétimo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, premiado com o Prêmio Nobel da Paz em 2001.
Seu nome significa “nascido em uma sexta-feira”. Após começar a estudar Economia na Universidade de Ciência e Tecnologia de Kumasi, Kofi recebeu uma bolsa de estudos para continuar seus estudos nos EUA.
Annan começou a trabalhar nas Nações Unidas ao ingressar em 1962 na Organização Mundial da Saúde. Ao longo dos anos exerceu diferentes funções na ONU até chegar ao posto de secretário-geral em 1° de Janeiro de 1997.
Ban Ki-moon
Ban Ki-moon (Cheongju, Coréia do Sul, 13 de junho de 1944), ex-diplomata e ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e Comércio da Coréia do Sul, é desde 1º de janeiro de 2007 o oitavo e atual secretário-geral da Organização das Nações Unidas, tendo sucedido ao ganês Kofi Annan.
Ban Ki-moon, filho de um agricultor, estudou Relações Internacionais na Universidade de Seul e posteriormente na Universidade de Harvard. Foi embaixador da Coréia do Sul na Áustria entre 1998 e 2000.
Em 2002, o Governo da República Federativa do Brasil concedeu-lhe a Grande Cruz da Ordem do Rio Branco, principal comenda que o governo brasileiro pode oferecer a um estrangeiro, sendo um exemplo de personalidade condecorada por esta comenda o ex-guerrilheiro Ernesto Che Guevara, em 1960. Em 13 de outubro de 2006 foi eleito secretário-geral da ONU pela Assembléia Geral da organização.
Rodrigo Vasconcellos



