Julho Amarelo: usuários de PrEP têm acesso à vacina contra hepatite A pelo SUS; saiba quem pode receber

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Medida do Ministério da Saúde amplia a proteção de pessoas em uso da profilaxia pré-exposição ao HIV e reforça a prevenção das hepatites virais no Brasil

O Julho Amarelo, mês dedicado à conscientização sobre as hepatites virais, traz um importante alerta para quem utiliza a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP): usuários da estratégia de prevenção têm direito à vacinação contra a hepatite A pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme estabelecem documentos oficiais do Ministério da Saúde.

A ampliação da oferta foi oficializada em 2025 por meio da Nota Técnica Conjunta nº 184/2025, elaborada pelo Departamento do Programa Nacional de Imunizações (DPNI) e pelo Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis (DATHI). A medida também passou a integrar as recomendações do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da PrEP, reforçando que o cuidado oferecido às pessoas que utilizam a profilaxia vai além da prevenção da infecção pelo HIV.

A decisão foi tomada diante da mudança no perfil epidemiológico da hepatite A no país. Desde a introdução da vacina infantil no Calendário Nacional de Vacinação, em 2014, houve uma redução superior a 95% dos casos entre crianças. Com isso, a doença passou a concentrar-se principalmente na população adulta, onde costuma apresentar maior gravidade.

Segundo o Ministério da Saúde, surtos registrados nos últimos anos demonstraram maior ocorrência da doença entre homens que fazem sexo com homens (HSH), grupo que representa a maior parte dos usuários de PrEP no Brasil. Além da transmissão pela ingestão de água e alimentos contaminados, o vírus da hepatite A também pode ser transmitido durante práticas sexuais que envolvem contato oro-anal, justificando a ampliação da vacinação para essa população.

Atualmente, mais de 120 mil pessoas utilizam a PrEP pelo SUS. A expectativa do Ministério da Saúde é vacinar cerca de 80% desse público, reduzindo o risco de surtos, internações e casos graves da doença.

Como funciona a vacinação

A recomendação é que a imunização seja realizada em duas doses, com intervalo mínimo de seis meses entre elas.

As orientações do Ministério da Saúde estabelecem que:

* pessoas sem comprovação de vacinação devem receber duas doses;
* quem já recebeu apenas uma dose deve completar o esquema vacinal;
* pessoas com duas doses registradas não precisam ser revacinadas;
* quem apresentar sorologia reagente para anticorpos contra o vírus da hepatite A também não necessita da vacina.

O documento destaca ainda que a ausência do exame sorológico não deve impedir a vacinação. Caso esse teste não esteja disponível na rede de saúde, a orientação é aproveitar a oportunidade da consulta para realizar a imunização e evitar a perda de seguimento do usuário.

Outra facilidade prevista na nota técnica é que não há necessidade de autorização especializada para receber a vacina. A apresentação da receita da PrEP é suficiente para comprovar a indicação. A vacinação é ofertada nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) e em outros serviços públicos habilitados, conforme a organização de cada estado e município.

Muito além do comprimido

O PCDT da PrEP destaca que a profilaxia deve ser entendida como parte da prevenção combinada do HIV. Isso significa que o acompanhamento periódico inclui consultas, testagem para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, monitoramento clínico, atualização do calendário vacinal e orientações sobre saúde sexual.

Durante o acompanhamento, os profissionais de saúde também avaliam a situação vacinal para outras doenças preveníveis, como hepatite B e HPV, quando indicadas, fortalecendo uma abordagem integral da saúde das pessoas que utilizam a PrEP.

Julho Amarelo reforça importância da prevenção

Criado para conscientizar a população sobre as hepatites virais, o Julho Amarelo destaca a importância do diagnóstico precoce, da vacinação e do acesso ao tratamento.

Embora a hepatite A não evolua para infecção crônica, ela pode causar inflamação aguda do fígado e, em adultos, apresentar formas mais graves, com necessidade de internação e, em casos raros, evolução para insuficiência hepática.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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