Julho Amarelo reforça luta contra as hepatites virais e alerta para testagem e prevenção

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O mês de julho é dedicado à conscientização e combate às hepatites virais, um conjunto de infecções que atingem o fígado e seguem como um dos grandes desafios da saúde pública no Brasil. A maioria dos casos é silenciosa — sem sintomas evidentes — o que dificulta o diagnóstico precoce e favorece a evolução para quadros mais graves, como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.

Entre os cinco tipos mais comuns de hepatites — A, B, C, D e E — a hepatite C é a mais letal, sendo responsável por mais da metade dos óbitos por hepatites virais registrados nas últimas duas décadas no país.

Hepatite C lidera em casos e mortes

Segundo dados do Ministério da Saúde, com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), 318.916 casos de hepatite C foram confirmados entre 2000 e 2023. Desses, 57,3% ocorreram em homens, e o maior número foi registrado na região Sudeste (58,1%), seguida do Sul (27,1%).

Em termos de mortalidade, a situação é ainda mais preocupante: 68.189 pessoas morreram em decorrência da hepatite C entre 2000 e 2022, com 64,3% dos óbitos ocorrendo em homens. A maioria das mortes ocorreu no Sudeste (55,4%), seguido do Sul (23,9%).

A doutora Alda Cristina Feitosa, médica hematologista e consultora da Organização Nacional de Acreditação (ONA), alerta que o principal desafio é detectar a infecção na fase inicial, quando há mais chances de sucesso no tratamento.

“Em muitos casos, a hepatite não apresenta sintomas. Quando os sinais aparecem, a doença já está em estágio avançado. Por isso, é essencial que todas as pessoas com mais de 45 anos façam o teste gratuito nos postos de saúde. Se o resultado for positivo, o tratamento está disponível na rede pública e deve ser iniciado o quanto antes”, enfatiza.

Dados gerais no Brasil

Entre 2000 e 2023, o país registrou 785.571 casos de hepatites virais. A distribuição por tipo foi a seguinte:

Hepatite A: 171.255 casos (21,8%)
Hepatite B: 289.029 casos (36,8%)
Hepatite C: 318.916 casos (40,6%)
Hepatite D: 4.525 casos (0,6%)
Hepatite E: 1.846 casos (0,2%)

Regiões mais afetadas

Hepatite A: prevalente no Nordeste (29,7%) e Norte (25%), especialmente ligada à falta de saneamento básico.

Hepatite B: concentração maior no Sudeste (34,1%) e Sul (31,2%).

Hepatite D: extremamente concentrada na região Norte, com 72,5% dos casos nacionais.

Hepatite E: menos frequente, mas relacionada também a falhas no saneamento.

Como a hepatite afeta o organismo?

A hepatite provoca inflamação no fígado, podendo ser causada por vírus, uso excessivo de medicamentos, álcool, drogas ou doenças autoimunes. Os sintomas, quando aparecem, incluem cansaço, enjoo, febre, dor abdominal, urina escura, fezes claras e icterícia (olhos e pele amarelados).

Formas de infecção

As formas de transmissão variam conforme o tipo:

* Fecal-oral (A e E): ingestão de água ou alimentos contaminados.

* Sangue contaminado (B, C e D): compartilhamento de seringas, alicates, lâminas, escovas de dente ou material de tatuagem.

* Transmissão sexual (B e, em menor grau, C): relações sem preservativo.

* Transmissão vertical: da mãe para o bebê, principalmente nas hepatites B e C.

Vacinação e prevenção

A vacina contra a hepatite B está disponível gratuitamente no SUS e é também a principal forma de prevenção contra a hepatite D, já que essa só ocorre em pessoas com infecção simultânea pelo tipo B.

Já a hepatite A também possui vacina eficaz, indicada principalmente para crianças e populações em áreas sem saneamento básico. Não há vacina contra a hepatite C, o que reforça a importância da testagem e do uso de preservativos.

Cuidados preventivos incluem:

* Lavar bem as mãos e alimentos.
* Não compartilhar objetos cortantes ou de uso pessoal.
* Usar preservativo em todas as relações sexuais.
* Realizar testagens regulares para hepatites.

Biossegurança e ambiente hospitalar

Em ambientes de saúde, a prevenção exige ainda mais rigor. A ONA orienta a adoção de medidas de biossegurança como uso de EPIs (luvas, óculos, aventais), descarte adequado de materiais cortantes, esterilização de equipamentos e controle de qualidade em transfusões.

“Além da proteção dos profissionais e pacientes, é essencial capacitar continuamente as equipes sobre os protocolos. A testagem periódica dos trabalhadores e o controle de acidentes com material biológico são fundamentais”, afirma dra. Alda Feitosa.

A especialista também destaca a importância de parcerias com CCIHs (Comissões de Controle de Infecção Hospitalar), SESMTs (Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho) e secretarias de saúde para manter as ações atualizadas.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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