Julho amarelo: hepatites virais podem causar doenças graves de fígado

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As hepatites virais fazem parte das doenças mais comuns no fígado, mas quando não são tratadas ou atingem um estágio avançado, alguns de seus tipos podem comprometer o órgão e causar quadros mais graves, como o câncer. Para conscientizar a população da importância de estar atenta à saúde hepática, a campanha Julho Amarelo divulga os principais sintomas, tratamentos e reforça a relevância da vacinação para prevenir a doença.

De acordo com Henrique Sérgio Coelho, hepatologista do Hospital São Lucas Copacabana, que faz parte da Dasa, a maior rede de saúde integrada do Brasil, as hepatites virais são divididas em cinco tipos mais comuns (A, B, C, D e E), cada um tem sua forma de contágio e tratamento específicos. Porém, os sintomas costumam ser os mesmos.

“O paciente, geralmente, apresenta dor abdominal, náusea e vômitos, perda de apetite sem motivo, urina com tom escurecido e fezes mais claras. Nos casos mais avançados, pode ocorrer icterícia, quando a pele e os olhos adquirem um tom amarelado”, diz Coelho.

O diagnóstico das hepatites virais é realizado por meio do histórico clínico do paciente, de exame físico e de testes laboratoriais. De acordo com Alberto Chebabo, infectologista do laboratório Sérgio Franco, no Rio de Janeiro, que também faz parte da Dasa, é necessário avaliar os sintomas e saber se o paciente foi exposto a algum fator de risco, além de analisar o exame clínico e os testes de sangue.

Conheça os principais tipos de hepatite viral

Hepatite A: é transmitida pelo consumo de água e/ou alimentos contaminados. A maioria dos casos é considerada aguda, e o vírus não costuma causar complicações graves.
Hepatite B: relações sexuais desprotegidas e compartilhamento de seringas, agulhas e objetos cortantes contaminados são as principais formas de contágio. É necessário um acompanhamento mais próximo, já que pode causar danos sérios ao fígado.
Hepatite C: ocorre pelo contato com sangue contaminado, por meio de transfusão ou compartilhamento de agulhas. Assim como o tipo B, pode se tornar uma infecção crônica.
Hepatite D: transmitida da mesma forma que a hepatite B, mas é considerado menos frequente e agressivo.
Hepatite E: assim como a hepatite A, é transmitida pelo consumo de água e alimentos contaminados, porém não costuma provocar infecções crônicas.

Tratamentos mais indicados para cada tipo de hepatite

Nas hepatites A e E, os sintomas tendem a sumir em alguns dias, mas se o paciente não melhorar no período esperado, ele deve buscar a orientação de um hepatologista. Já a hepatite D é combatida com antivirais, que são medicamentos orais de ação direta contra o vírus. “

“As hepatites B e C têm um perfil mais desafiador, já que possuem chances de evoluir para hepatite crônica. Nesse caso, o paciente pode ser tratado com antivirais, e o hepatologista deve acompanhá-lo para evitar novas complicações, como câncer de fígado, cirrose e insuficiência hepática grave. Se os tratamentos tradicionais não alcançarem o resultado desejado, o transplante de fígado é uma alternativa”, afirma Henrique Sérgio Coelho.

Na maioria dos casos, a hepatite A não se torna crônica, mas quando acontece, pode evoluir com grande destruição do fígado, levando à falência hepática e à morte caso os sintomas persistam. Já o vírus B tem chances de se tornar crônico em 2% a 6% das pessoas acima de 5 anos e em até 90% dos lactentes. A hepatite C evolui com infecção crônica em 55% a 85% dos pacientes.

Vacinação é aliada na prevenção das hepatites

Chebabo defende a vacinação como a melhor forma de evitar as hepatites:

“A maioria das pessoas não se vacina e acaba descobrindo a doença quando faz um check-up ou exame pedido pelo médico. Então, a maneira mais eficaz de controlar a disseminação do vírus é imunizando-se.”

Há três opções de imunizantes disponíveis: as doses para o vírus A, as exclusivas contra o tipo B e uma vacina combinada contra os vírus A e B, para quem não foi protegido contra as duas hepatites. A vacina para a hepatite é segura e sem riscos de transmissão da doença, uma vez que não possui o vírus, e sim, uma pequena partícula inativa dele.

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