Jovens reunidos na Bahia querem ampliar debate sobre aids para todas as redes

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27/11/2014 – 21j35

Estratégias para o fortalecimento de redes, protagonismo juvenil e conexão entre grupos foram os temas debatidos na tarde desta quinta-feira (27) no 3º Encontro Latino-Americano e Caribenho de Jovens Vivendo com HIV/Aids, em Salvador (BA). Eles pedem a ampliação do debate sobre aids em outras redes que não se dedicam exclusivamente  a esse tema, como nos grupos gays, redes de direitos humanos e diversidade sexual, no movimento negro.

 "Não importa se viemos de redes diferentes, temos de pensar em conjunto numa resposta efetiva contra a aids. A doença afeta a todos, então é de responsabilidade de todos também. Lutamos contra a epidemia há algum tempo e ela continua crescendo. Está na hora de mudar a forma como nos comunicar", disse a jovem argentina Mariana Iacono.

Os ativistas Oseias Cerqueira, do Brasil, e Diego Caputo, da Argentina, concordam com Mariana. "A pauta HIV precisa ocupar outros espaços. Para este evento, por exemplo, trouxemos representantes da Articulação Nacional das Travestis, Transexuais e Transgêneros do Brasil (Antra). Queremos ampliar o debate e garantir que as pessoas vivendo com HIV tenham a oportunidade de falar que é soropositivo em outros grupos que não sejam as redes destinadas a elas", explica Oseias.

Diego relatou ao grupo uma experiência do seu país. "A Rede de Jovens Vivendo com HIV da Argentina trabalha em conjunto com as mulheres do coletivo trans. Elas contribuem muito com para com as discussões e vamos aprendendo a usar termos corretos quando nos referimos a elas. Conosco elas também aprendem sobre aids e prevenção."

O militante chama atenção para a importância da comunicação e das relações pessoais. "A imprensa precisa ser vista como aliada na luta contra a aids, nossas discussões devem estar também nas mídias sociais. No Uruguai e a Colômbia, por exemplo, não há redes de jovens, então temos que pensar em quem vamos procurar quando um remédio atrasar."

Para o jovem Hugo Soares, do Pará, o caminho para o fortalecimento de redes de jovens é a criação de colegiado. "No meu estado todos os jovens com HIV falam por si e as falas são respeitadas. Não há um representante, somos protagonistas."

De El Salvador, o ativista Joel Barreras, chamou atenção para as mudanças de paradigmas. No meu país o governo entendeu que as pessoas vivendo com HIV não precisam só do medicamento, e hoje somos reconhecidos como atores fundamentais na construção de políticas públicas."

Ao longo da tarde todos os jovens tiveram a oportunidade de dizer o que mais os incomodam e lhe deixam felizes quando o tema é aids. Discriminação, falta de protagonismo e de autonomia, exclusão e falta de informação foram os mais lembrados no lado negativo. Já no positivo muitos falaram sobre o amor, sobre encontros como esse que acontece em Salvador, o acolhimento da família, a garantia dos direitos humanos, entre outros.

O debate deste dia 27 terminou com uma atividade em grupos que discutiu estratégias para o acompanhamento das atividades da Rede Latino-Americana de Jovens Vivendo com HIV/Aids. A sugestão foi a criação de um órgão responsável que receba todas as informações e repasse para o grupo. Outros sugeriram a criação de comitês para discutir políticas públicas sobre direitos de saúde sexual e reprodutiva, saúde integral da população de travestis e transexuais…

 

Nesta sexta-feira (28) o tema do debate será Estratégias de comunicação e Agenda pós-2015.

 

Talita Martins, de Salvador (talita@agenciaaids.com.br)

 

*A Agência Aids cobre o evento com apoio do Unicef.

 

 

 

 

 

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Sonhar e viver: jovens da América Latina mostram protagonismo na luta contra a aids em encontro na Bahia

https://agenciaaids.com.br/home/noticias/noticia_detalhe/22920#.VHeOrjHF-JQ

 

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