4/3/2007 – 18h
O jornal O Globo deste domingo divulgou a resposta do diretor de Farmanguinhos, Eduardo Costa, referente a uma reportagem afirmando que “a Fiocruz gasta 94% a mais com remédio”, publicada no veículo de comunicação carioca dia 25 de fevereiro. A matéria fez comparação de preço das aquisições de matéria-prima entre a instituição da Fundação Oswaldo Cruz e a Fundação para o Remédio Popular (FURP), de São Paulo (saiba mais). Na resposta, Costa diz que “O GLOBO interpretou a nova política de compras de Farmanguinhos pelo equivocado viés do denunciante. A diferença nos preços finais de aquisição do princípio ativo não chega a 35% do mencionado da Furp”.
O jornal respondeu que “o contrato a que se refere a matéria não está contemplado na chamada nova política de compras de Farmanguinhos. Todos os dados publicados foram checados com diversas fontes. O fato de os representantes da indústria chinesa estarem envolvidos em máfias e que havia uma disputa judicial com Farmanguinhos consta da matéria. O jornal cumpriu seu papel de publicar fatos de uma importante política governamental, que, estranhamente, ainda não tinham sido divulgados”.
Leia na íntegra:
Farmanguinhos
Na reportagem “Fiocruz gasta 94% a mais com remédio”, de 25/2, refutei os números e os justifiquei, mas O GLOBO interpretou a nova política de compras de Farmanguinhos pelo equivocado viés do denunciante. A diferença nos preços finais de aquisição do princípio ativo não chega a 35% do mencionado da Furp, e decorrem da diferença de incidência de impostos sobre a produção nacional.
E, além disso, pelos ganhos no processo industrial, será possível entregar neste ano os medicamentos para AIDS, cerca de 20% mais baratos, gerando um “lucro” de mais de R$ 10 milhões, ao invés de “prejuízo de 7,3 milhões”, como estimou O GLOBO. A política e os procedimentos são justos, eficientes, capazes de dar ganhos de qualidade na performance industrial, acabando assim com custos de reprocessamento (o que compensa gastos um pouco maiores na aquisição de princípios ativos com maior qualidade) e com atrasos nas entregas ao Ministério da Saúde que afetam diretamente os pacientes que deles dependem. Os novos procedimentos permitem aumentar a garantia da qualidade.
Além disso, o novo procedimento, que pode ser resumido como deixar de comprar o princípio ativo por pregão internacional para comprar o serviço de produção do princípio ativo com fornecimento no Brasil, ajustase perfeitamente aos objetivos da política de ciência e tecnologia e da política industrial brasileira para o setor farmacêutico. Por isso, tem apoio de vários setores do governo, e está em estudo uma portaria interministerial que torna esse procedimento padrão para alívio dos gestores dos laboratórios oficiais que sofrem com o sistema de compras atual pelos atrasos nas entregas. Todo o novo processo é legal. É, pois, um ovo de Colombo, mas fere interesses comerciais estruturados há cerca de uma década em torno dos laboratórios oficiais, que estão respondendo a processo por fraudes em licitações.
Foi um dos indiciados que deu o roteiro e as informações para o jornalista questionar o novo procedimento de Farmanguinhos.
EDUARDO COSTA , diretor de Farmanguinhos (por e-mail, 2/3), Rio
NOTA DA REDAÇÃO: O contrato a que se refere a matéria não está contemplado na chamada nova política de compras de Farmanguinhos.
Ele é para compra de matéria-prima, nos mesmos moldes dos anteriores. As empresas vencedoras concordaram com a redução dos preços sob condições. Por isso, o preço final do pregão foi mantido na reportagem e informada a possível redução. Os preços pagos pelo Ministério da Saúde estão até 50% acima dos obtidos por Farmanguinhos.
Portanto, dar 20% a mais de medicamento não constitui lucro. A Furp informa que os preços finais são os relatados na reportagem.
Todos os dados publicados foram checados com diversas fontes. O fato de os representantes da indústria chinesa estarem envolvidos em máfias e que havia uma disputa judicial com Farmanguinhos consta da matéria. O jornal cumpriu seu papel de publicar fatos de uma importante política governamental, que, estranhamente, ainda não tinham sido divulgados.
Fonte: O Globo
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