JORNAL DE DEBATES, COORDENADO PELO JORNALISTA PAULO MARKUM (ÂNCORA DO PROGRAMA RODA VIVA, DA TV CULTURA), DISCUTE A FUTURA INSTALAÇÃO DE MÁQUINAS DE CAMISINHAS NAS ESCOLAS PÚBLICAS BRASILEIRAS

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02/03/2007 – 11h50

“Máquina de camisinha na escola educa ou desorienta?” Indaga, aos internautas, o JORNAL DE DEBATES. A versão impressa da publicação, criada em 28 de junho de 1946, tinha como objetivo discutir os mais variados temas, permitindo a exposição de idéias de representantes das mais divergentes correntes políticas. Em suas páginas, foram publicados, por exemplo, artigos de líderes da extrema esquerda, como Luís Carlos Prestes (1898-1990) e da extrema direita, materializada na figura do integralista Plínio Salgado (1895-1975). Contudo, a iniciativa logo foi extinta. Sessenta anos depois, em 2006, o veículo voltou, graças ao “suporte democrático da Internet”, a debater os mais variados assuntos por meio de seu endereço eletrônico (acesse).

A coordenação do conselho editorial do JORNAL DE DEBATES é de responsabilidade do jornalista Paulo Markum, âncora do programa “Roda Viva” (TV Cultura). Ele convidou Roseli Tardeli, editora-executiva da Agência de Notícias da Aids, para discorrer sobre o seguinte tema: máquina de camisinha na escola educa ou desorienta?

Intitulado “CAMISINHA SEMPRE, EM TODA PARTE!”, o artigo da jornalista Roseli Tardeli defende a medida, que ainda será implantada na rede pública de ensino. “Eu recebi de maneira positiva o fato do governo brasileiro ter iniciado a ação de colocar camisinha nas escolas por meio de um concurso”, diz trecho do texto (leia o artigo na íntegra).

Até às 11h40 desta sexta-feira (02/03), horário de fechamento desta matéria, outros cinco artigos que tratavam sobre o tema já haviam sido publicados na página do JORNAL DE DEBATES. A diretora-executiva do Instituto Kaplan, Maria Helena Vilela, por exemplo, esclarece que “ainda” não tem uma opinião “fechada” sobre o assunto, mas ressalta que “o único mal” que as máquinas de camisinha podem vir a oferecer é para os “cofres públicos”, caso não sejam “bem administradas.” A associação que ela dirige presta, entre outros serviços, orientação sexual desde 1991.

Um padre, identificado apenas como Roger, coloca-se veemente contra a medida. “A camisinha virou símbolo de promiscuidade e sexo sem compromisso. Como ela é um produto descartável que depois de usada se joga fora as pessoas que dela utilizam estão se tratando assim também”, avalia o clérigo.

Para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que concorreu na última eleição presidencial, a disponibilização de camisinhas, por meio de máquinas, nas escolas “é uma maneira simplista de tentar resolver o assunto.” Na sua avaliação, a solução dos problemas decorrentes do sexo sem proteção estaria na “educação sexual dos adolescentes e de seus pais.”

“Será que a sexualidade e o sexo estarão condicionados ao olhar vigilante da escola? Isso não seria continuar no mesmo lugar? Fico imaginando diretoras de escolas vigiando meninas que pegam camisinhas”, comenta o leitor Marcelo Cunha Bueno, em artigo publicado em 22 de fevereiro.

Na sua opinião, antes da instalação desses equipamentos, seria “preciso mudar as relações existentes dentro da escola e nas políticas educacionais.” E conclui: “a escola deve sair de seu pedestal do saber, desse lugar higienista, machista e branco em que vive. Cada medida preventiva, cada ação do governo em busca de uma ‘conscientização’ mostra que a escola está em crise e não pode continuar sendo depósito de projetos.”

Ilustres e anônimos, seguindo as regras do JORNAL DE DEBATES, qualquer indivíduo pode dar a sua opinião sobre determinado assunto ou mesmo propor um tema. “Pluralidade” que também caracteriza a lista dos integrantes do consellho editorial do veículo. Fernando Henrique Cardoso (tucano, ex-presidente da República), Marta Suplicy (petista, ex-prefeita de São Paulo), Cacá Diegues (cineasta), Drauzio Varela (médico cancerologista), Juca Kfouri (jornalista), Pedro Malan (ex-ministro da Fazenda durante o governo FHC), entre outros.

Redação da Agência de Notícias da Aids

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