1/3/2007 – 18h10
A Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE), com sede em Viena, Áustria, alertou hoje que a enxurrada de medicamentos falsos disponíveis em muitos países pode ter conseqüências fatais para os consumidores. No relatório anual divulgado também no Rio de Janeiro nesta quinta, a Junta também faz um apelo para que países-membros [da ONU] reforcem a legislação para assegurar que drogas entorpecentes e substâncias psicotrópicas não sejam produzidas ilegalmente ou desviadas da produção lícita para mercados não-regulamentados. O relatório também afirma que o Brasil é um dos principais consumidores de drogas para o emagrecimento, em texto com o título “Obsessão Pela Magreza”.
O perigo dos mercados não-regulamentados é o tema do primeiro capítulo do Relatório Anual. A Junta pede que o tema seja tratado com prioridade. Com os mercados não-regulamentados, remédios fora do padrão – e muitas vezes letais – estão sendo vendidos para o consumidor desavisado. Esses mercados são muitas vezes supridos por remédios roubados, produzidos ilegalmente por indústrias farmacêuticas ou por meio de vendas ilegais na internet e distribuídos por correio ou outras formas de envio postal.
“A existência de mercados não-regulamentados, a venda de remédios roubados falsificados e a compra de medicamentos que contém substâncias controladas sem prescrição médica são todas contravenções aos tratados internacionais de controle de drogas. É importante que o consumidor perceba que o que parece um remédio a preço reduzido, comprado no mercado não-regulamentado, pode até matar, caso o produto seja falsificado ou for tomado sem cuidados médicos. Em vez de curar, essas substâncias podem custar vidas”, disse o presidente da JIFE, Dr. Philip O. Emafo.
O perigo é real e de tamanho considerável. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 25% a 50% dos remédios consumidos em países em desenvolvimento sejam falsificados. O problema é agravado pelo fato de que drogas falsificadas são relativamente fáceis de produzir e podem parecer muito com as verdadeiras, com semelhanças em embalagens e rótulos. Sem saber, consumidores têm tido experiências terríveis, algumas até resultaram em mortes. Na África, por exemplo, o uso de vacinas falsificadas em 1995 resultou em 2,5 mil mortes. Narcóticos, benzodiazepínicos, anfetaminas e outras drogas controladas internacionalmente estão facilmente disponíveis em mercados ilegais, e muitas vezes são vendidos até nas ruas. As drogas também são vendidas em farmácias ilegais na internet, sem a exigência de receita médica.
“O problema de medicamentos falsos e abuso de remédios que contém substâncias controladas, compradas sem receita, existe há algum tempo. Contudo, a rápida expansão desses mercados desregulados agravou a situação drasticamente”, disse Dr. Emafo.
Obsessão Pela Magreza
No mundo todo, cinco países e um território têm os índices mais elevados de uso per capta de estimulantes da magreza (anorexígenos): Brasil, Argentina, Coréia, Estados Unidos, Cingapura, Hong Kong (em ordem decrescente). Com algumas exceções, enquanto o uso de anorexígenos na Ásia parece apresentar tendência de queda, os mais altos índices de consumo continuam nas Américas.
O consumo per capta de anorexígenos no Brasil está quase 40% mais alto que nos Estados Unidos. Os números elevados são incentivados pela produção doméstica. Em 2005, 98,6% do fenproporex e 89,5% da anfepramona usada no mundo todo foram produzidas no Brasil. A maior parte foi consumida no próprio país. A produção dessas substâncias também tem cresceu no Brasil, e o rendimento aumentou 20%, de 2004 a 2005.
Em 2005, os índices mais altos de consumo calculados por cada 1 mil habitantes (por dia) de estimulantes corresponderam ao Brasil (12,5), Argentina (11,8 ), Coréia (9,8) e Estados Unidos (4,9).”
“A Junta tem pedido sistematicamente aos governos interessados que dêem a atenção devida aos elevados níveis de consumo [de anorexígenos]. Os governos de alguns países, como Chile, Dinamarca e França começaram a aplicar medidas especiais para controlar o uso inadequado de estimulantes e, com isso, têm conseguido diminuir significativamente o uso de estimulantes nesses países. Contudo, em outros países, particularmente na Argentina, Austrália, Brasil, Coréia e Cingapura, o consumo per capta de anorexígenos aumentou significativamente.”, ressaltou Dr. Phillip O. Emafo, Presidente da JIFE.
Redação da Agência de Notícias Aids
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