
O Janeiro Verde é o mês dedicado à conscientização sobre a saúde cervical, com foco na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de colo de útero. A campanha reforça a importância dos exames de rotina, como o Papanicolau, e das medidas preventivas, como a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV), principal causador desse tipo de câncer.
Um ponto crucial é o acesso à vacinação contra o HPV para mulheres vivendo com HIV. Estudos indicam que a infecção pelo HIV aumenta a vulnerabilidade ao HPV e dificulta a eliminação do vírus pelo organismo, elevando o risco de lesões pré-cancerígenas e câncer de colo de útero.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente a vacina contra o HPV para mulheres de 9 a 45 anos que vivem com HIV. Essa imunização é essencial para reduzir as infecções por cepas oncogênicas do vírus, que também estão associadas a outros cânceres, como os de ânus, vulva e orofaringe.
“A vacina contra o HPV é essencial para todas as mulheres, especialmente para aquelas que vivem com HIV, pois o comprometimento imunológico aumenta consideravelmente o risco de desenvolvimento e progressão do câncer”, afirmou a infectologista Zarifa Khoury, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.
De acordo com a especialista, a prevenção do câncer cervical em mulheres vivendo com HIV vai além da vacinação e inclui exames ginecológicos regulares e o uso de preservativos, que ajudam a evitar infecções por outras variantes do HPV e coinfecções.
Desafios no acesso e conscientização
Apesar da vacinação estar disponível, muitas mulheres enfrentam barreiras como falta de informação, estigma relacionado ao HIV e dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Campanhas como o Janeiro Verde são fundamentais para divulgar informações e promover o diálogo sobre saúde sexual e reprodutiva, especialmente entre as populações mais vulneráveis.
O estudo POP-Brasil, que investigou a prevalência do HPV entre homens e mulheres de 16 a 25 anos sexualmente ativos, revelou uma prevalência de 53,6% do vírus, sendo 35,2% com genótipos de alto risco. Apenas 50,7% dos entrevistados relataram o uso regular de preservativos, enquanto 12,7% já tiveram uma IST.
Vacina quadrivalente
A vacina quadrivalente (HPV4), oferecida pelo SUS, protege contra as principais complicações causadas pelo vírus. Atualmente, o público-alvo inclui crianças e adolescentes de 9 a 14 anos (dose única), mulheres vivendo com HIV de 9 a 45 anos, pacientes oncológicos, pessoas com papilomatose respiratória recorrente (PRR), transplantados e vítimas de violência sexual. O Brasil está entre os países das Américas com maior oferta dessa vacina.
O esquema vacinal contra o HPV para pessoas com HIV é de três doses, com intervalo de 2 meses entre a primeira e a segunda dose, e 6 meses entre a segunda e a terceira dose:
Em 2024, pessoas de 15 a 45 anos que utilizam a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) foram incluídas no público-alvo da vacina contra o HPV.
Janeiro Verde
A campanha Janeiro Verde tem como objetivo promover a conscientização sobre o câncer do colo do útero. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre mulheres no Brasil, excluindo os tumores de pele não melanoma.
Redação da Agência de Notícias da Aids
Dica de entrevista
Instituto de Infectologia Emílio Ribas
Tel.: (11) 3896-1200



