07/02/2007 – 19h30
Um homem acorda atordoado, fruto de uma ressaca típica de carnaval. Na cama, há uma pessoa ao seu lado. Não é possível identificar o seu sexo, pois seu corpo está escondido debaixo das cobertas. O homem está nitidamente preocupado, mas fica tranqüilo ao vislumbrar alguns pacotes de camisinha abertos. Esse é o roteiro da campanha de carnaval que o Ministério da Saúde exibe, a partir de domingo (11/02), em vários canais da TV aberta brasileira.
O teor da campanha televisiva do carnaval 2007 foi antecipado por Alexandre Magno, assessor de imprensa do Programa Nacional de DST/Aids (PN), durante a 84ª Reunião da Comissão Nacional de DST e Aids (CNAIDS), que reuniu gestores públicos e ativistas ao longo desta quarta-feira (07/02) em um hotel de Brasília (DF).
Apelidada, segundo Magno, de “Sorrisão”, a campanha teve como linha criativa o “humor”. “Usando a camisinha você fica tranqüilão”, resumiu o espírito do vídeo. Além disso, Alexandre Magno explicou que a equipe do PN teve a preocupação de que a campanha “não fale exclusivamente com as pessoas que não tem o vírus.” Ele ressaltou a importância da prevenção positiva, ou seja, “incluir nas campanhas as pessoas que vivem com HIV/Aids.”
Sobre os cartazes que serão utilizados no carnaval deste ano, Magno esclareceu que o conceito vem sendo “trabalhado desde o carnaval de 2004, 2005”. Intitulados “Vista-se”, serão distribuídos 80 mil cartazes aos programas estaduais e municipais de todo o país. No caso de “folhetinhos”, nas palavras de Alexandre Magno, serão dois milhões de unidades.
Antes da sua exposição a respeito das campanhas de prevenção a serem promovidas pelo Programa Nacional nos próximos dias, o assessor de imprensa Alexandre Magno procurou rebater as críticas feitas por diversos ativistas ao cartaz que traz a imagem de uma garrafa de cerveja ao lado de uma camisinha. Na parte inferior do cartaz, há uma frase que diz o seguinte: “Beba com moderação, mas use camisinha à vontade” (leia mais sobre o caso).
Ele lembrou aos presentes que a proposta havia sido trazida a uma das reuniões da CNAIDS em 2005, mas avaliou que a “decisão final” é do governo federal. “A Coca trabalha com distribuidores, mas ele pode ou não colocar um cartaz social. A decisão de afixar o cartaz ou não é do proprietário”, disse Magno, explicando porque houve uma sobra de material (exatos 30 mil unidades), que foram redistribuídos no início deste ano.
Sobre os cartazes intitulados “Vista-se”, um dos ativistas presentes, Oswaldo Braga, do Fórum de ONG/Aids de Minas Gerais, foi direto: “Tá parecendo que ela [a campanha] tá mais pobre que dos anos anteriores.” Na seqüência, Alexandre Magno defendeu a opção por um conceito já utilizado anteriormente porque a mensagem do cartaz estaria “se consolidando”. “Vamos torcer pra dar certo, vamos torcer pro povo usar camisinha”, concluiu Braga.
Em razão da vinda do Papa Bento XVI ao país, que vai ocorrer em maio, os ativistas lembraram da importância de responder às idéias defendidas e propagadas pelo novo pontífice. “Onde o Papa vai, ele leva essa idéia de combate aos homossexuais e à camisinha”, avalia o mineiro Oswaldo Braga. Léo Mendes, do Fórum de ONG/Aids de Goiás, invocou o Estado laico e disse que é necessário se “precaver” em relação a discussão que pode surgir em razão da visita ao país do clérigo de origem alemã. “Precisamos dar uma resposta a altura dessa figura diabólica que vai pisar no Brasil”, atacou Mendes.
Léo Nogueira



