Integrantes de ONGs/aids fazem curso para aperfeiçoar elaboração de projetos

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14/10/2014 – 20h50

Cada vez mais os editais que selecionam projetos de ONGs estão fazendo mais exigências. Cada vez mais, as ONGs precisam se capacitar para inscrever seus trabalhos e ter chances de vê-los aprovados. Partindo dessa constatação, o Fórum de Ongs/Aids de São Paulo (Foaesp) decidiu fazer uma série de cinco oficinas para ensinar aos integrantes das organizações como elaborar um projeto. A primeira aconteceu em Santos (SP), a segunda está acontecendo em São Paulo – começou nessa terça-feira (14) e termina na quarta (15). Quem está ministrando as oficinas é o ativista José Roberto (Betinho) Pereira, da ONG Bem-Me-Quer.

“Estamos tendo um resultado muito positivo da participação do pessoal”, conta Betinho. “Todos se mostram muito interessados em aprender, fazem muitas perguntas e querem mesmo elaborar projetos mais aperfeiçoados.”

O primeiro dia da oficina é composto de conteúdo teórico. Os 25 inscritos no curso em São Paulo puderam ouvir e discutir temas como conceitos, metas, objetivos, planejamento estratégico, como fazer prestação de contas, entre outros. O segundo dia é reservado aos exercícios práticos.

“Há muitas ONGs fazendo trabalhos impecáveis mas não conseguem transportá-los para o papel”, disse Betinho. “Noto que a dificuldade maior é do entendimento conceitual.”

“Eu vim fazer o curso para me aperfeiçoar na forma de escrever um projeto”, contou Natália de Oliveira, de 27 anos, que trabalha no setor de captação de recursos da ONG É de Lei.

“Eu escrevo projetos para o GIV (Grupo de Incentivo à Vida) e outras instituições”, disse o jovem Victor Silba. Fazer esse curso é uma forma de me empoderar melhor para o trabalho. Fiz um outro, de gestão de projeto, no Senac, mas esse é mais voltado para as ONGs/aids e foi uma indicação do GIV.”

Oficineiro de ioga no Bem-me-Quer, Alexandre Viola também faz parte da diretoria do projeto e atua como agente de prevenção. “Vim aprender um pouco sobre como fazer projetos para ajudar o Betinho nesse trabalho.”

Jéssica Ferreira, 23 anos, secretária, também da Bem-me-Quer, quer aprender tudo sobre projetos, não apenas como elaborar. “Acho importante desenvolver vários conhecimentos quando se trabalha numa ONG”, explicou ela.

Betinho produziu uma apostila contendo todo o conteúdo teórico de seu curso, que as pessoas levam para casa e podem consultar sempre que quiserem. Ele destacou, durante o curso, a importância de as ONGs fazerem planejamento estratégico. “Toda empresa faz. Se você vai trabalhar 280 dias no ano, tem de parar cinco para planejá-lo.”

Tão importante quanto planejar, ele frisou, é monitorar o trabalho ao longo do ano. “Só vou saber se a minha ONG está funcionando bem se eu fizer o monitoramento de tempos em tempos.”

Lembrando que há no Brasil cerca de 300 mil ONGs (dessas, cerca de 600 trabalhando com aids, ele estima), Betinho destacou também que quem é mais eficiente consegue manter mais portas abertas e contar com parceiros. “Quanto mais resultado eu mostro, mais eu me valorizo como profissional.”

As próximas oficinas serão em Campinas, no início de novembro. Depois, Araraquara e Ribeirão Preto, ainda este ano.

Dica de entrevista:
Foaesp: (11) 3334-0704

Fátima Cardeal (fatima@agenciaaids.com.br)

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