A circulação de informação sobre prevenção ao HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) ganhou espaço dentro da Universidade de São Paulo Leste na última terça-feira (7), com uma ação do Instituto Vida Nova que uniu testagem rápida, orientação e estratégias de educação em saúde voltadas ao público universitário.
Realizada em alusão ao Dia Mundial da Saúde, a iniciativa partiu de uma parceria que aposta na universidade como território estratégico para ampliar o alcance das políticas de prevenção — especialmente entre jovens adultos, público central nas dinâmicas recentes da epidemia.
Ao longo do dia, estudantes circularam pelo espaço, participaram das atividades e buscaram testagem e insumos de prevenção. A adesão chamou a atenção da equipe.
“A procura foi muito grande, muita gente participou. Isso mostra que existe interesse e abertura para falar sobre o tema”, afirma o agente de saúde Jaime Marcelo.

Informação que se constrói no diálogo
Para além da oferta de serviços, a ação apostou em uma abordagem direta, com linguagem acessível e interação constante. Uma das estratégias foi a “roleta da prevenção”, dinâmica que convidava os participantes a compartilhar o que sabiam sobre temas como HIV e PrEP, abrindo espaço para orientação a partir desse ponto.
“A pessoa girava, caía em um tema e dizia o que sabia. A partir disso, a gente complementava com informação”, explica Jaime.
A proposta transformou a ação em um espaço de troca — menos expositivo, mais construído no diálogo.
Entre o interesse e o conhecimento
A experiência também trouxe um retrato importante: embora o interesse seja evidente, o nível de informação ainda varia bastante entre os jovens.
“Cerca de 90% das pessoas não sabiam praticamente nada. Uns 8% tinham alguma noção, ainda superficial, e só cerca de 2% tinham um conhecimento mais aprofundado”, relata Jaime.
Entre os temas com algum reconhecimento, a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) apareceu de forma pontual, indicando que estratégias já disponíveis no SUS ainda precisam avançar em visibilidade e compreensão.

Um espaço que potencializa o cuidado
A receptividade do público também se refletiu na procura por preservativos e na participação nas atividades — sem resistência, em um ambiente onde o diálogo circula com mais naturalidade.
“Teve bastante procura por camisinha. Ninguém se negou a pegar”, destaca Jaime.
Para o Instituto Vida Nova, ações como essa reforçam o papel das universidades públicas como aliadas na promoção da saúde, ao aproximar serviços e informação de um público que, muitas vezes, não é alcançado por campanhas tradicionais.
“Estar nesses espaços é essencial para conscientizar e ampliar o acesso à informação de qualidade”, afirma.
A ação evidencia como iniciativas integradas entre sociedade civil e universidade podem fortalecer respostas mais próximas da realidade dos jovens, conectando informação, escuta e acesso a serviços.
Glaucia Magalhães (glaucia@agenciaaids.com.br)
Estagiária em Jornalismo na Agência Aids
Edição: Talita Martins
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