Instituto Vida Nova e MNCP reúnem mulheres de diferentes estados em debate sobre os desafios da tuberculose

Ouça esta postagemCarregando...
1.0x

 

Na última sexta-feira (1º), mulheres que vivem com HIV de diferentes partes do Brasil participaram de uma roda de conversa virtual promovida pelo Instituto Vida Nova em parceria com o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP). O encontro teve como foco a tuberculose, uma das coinfecções mais graves para pessoas que vivem com o HIV.

Com mediação das educadoras Vanessa Sodré, psicóloga do Instituto Vida Nova, e Rafaella Vieira, obstetriz, pesquisadora e mestranda em Saúde Coletiva pela Faculdade de Medicina da USP, a conversa trouxe informações técnicas e acessíveis sobre sintomas, prevenção, tratamento e os desafios da coinfecção tuberculose-HIV.

“Começamos com uma abordagem leve, de apresentação e interação, e aos poucos fomos aprofundando a discussão. Explicamos o que é a tuberculose, suas formas — pulmonar e extrapulmonar —, os sintomas, a transmissão, o diagnóstico e o tratamento. Trouxemos dados epidemiológicos e ressaltamos o impacto da coinfecção com o HIV, especialmente em pessoas com imunidade comprometida”, explicou Rafaella Vieira.

Vanessa destacou a importância de desmistificar informações sobre a tuberculose, que ainda atinge mais de 84 mil pessoas por ano no Brasil, com cerca de 6 mil mortes anuais, segundo o Ministério da Saúde. A coinfecção com o HIV pode aumentar de 21 a 34 vezes o risco de adoecer, o que reforça a urgência da prevenção e do diagnóstico precoce.

“Enfatizamos que toda pessoa vivendo com HIV tem o direito de solicitar o teste para tuberculose ao seu médico. A tuberculose latente, quando a bactéria está presente no corpo, mas ainda inativa, precisa ser investigada, pois pode se tornar ativa em casos de queda da imunidade”, afirmou Vanessa.

Durante o encontro, também foi abordada a tuberculose extrapulmonar, menos conhecida e mais difícil de diagnosticar. As participantes compartilharam relatos pessoais e experiências, como o caso de uma mulher que levou dois anos para ter o diagnóstico correto de uma tuberculose óssea. Houve ainda a menção de casos raros, como tuberculose nas cordas vocais e no cérebro, ilustrando como a doença pode afetar diferentes partes do corpo.

As educadoras reforçaram que o tratamento da tuberculose é feito exclusivamente pelo SUS, com medicamentos gratuitos e acompanhamento profissional. Após 15 dias de tratamento, a pessoa diagnosticada com tuberculose pulmonar deixa de transmitir a doença, desde que siga corretamente as orientações médicas.

Além das informações clínicas, o encontro também teve espaço para troca de dúvidas e reflexões sobre o estigma e a importância do acesso à informação. Rafaella destacou que rodas como essa vão além da educação em saúde. São espaços de acolhimento, empoderamento e construção coletiva de saberes.

“Existem muitos estigmas em torno da tuberculose, o que acaba afastando as pessoas da prevenção e do cuidado. Promover espaços de diálogo é essencial para romper essas barreiras”, concluiu.

Américo Nunes, coordenador do Instituto Vida Nova, também acompanhou o encontro e celebrou o engajamento das participantes:

“Foi incrível ver a paixão e o compromisso das Cidadãs Posithivas presentes no encontro. Com isso, podemos fazer a diferença e trabalhar para reduzir o impacto da tuberculose. Obrigado a todas!”

Dica de entrevista:

Instituto Vida Nova

Instagram: ividanovasp

Cidadãs Posithivas

Site: mncp.org.br/

Apoios