Uso da IA permite maior precisão para o diagnóstico precoce, além de reduzir o tempo do exame de colposcopia anal
15/10/2025 – O Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Hospital 100% SUS em São Paulo, passou a realizar um exame de colposcopia anal com o uso de Inteligência Artificial, que é inédito no Brasil. O exame faz parte de um estudo internacional que envolve centros de pesquisa do Brasil, da França e de Portugal. Dentre as vantagens, está a alta precisão na identificação de lesões precursoras do câncer de ânus.
A colposcopia de ânus ou anoscopia de alta resolução é um exame detalhado da região anal e do reto baixo, que funciona como espécie de “lupa” potente para examinar a pele e a mucosa dessas áreas, procurando por pequenas alterações que não podem ser vistas a olho nú. O principal objetivo desse exame é identificar lesões pré-cancerígenas ou outras alterações causadas pelo vírus HPV na região anal.
O primeiro exame foi realizado em junho em um paciente do sexo masculino de 48 anos. Tanto para a equipe médica, quanto para o paciente, não há grandes mudanças na forma como é realizado o exame, apesar disso o uso da IA tem impacto relevante para a equipe médica e para os pacientes. “As vantagens para a equipe médica são o menor tempo do exame, mais precisão para realizar a biópsia no local adequado e maior chance de identificar uma lesão suspeita. Para o paciente, a maior vantagem é ter um diagnóstico precoce de uma lesão suspeita de câncer de ânus, chamada de lesão de alto grau ou lesão precursora do câncer de ânus”, explica Thiago Manzione, que é médico proctologista do Instituto Emílio Ribas e um dos pesquisadores envolvidos com o projeto internacional.
Manzione, que também é membro da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e doutor pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, conta que o Emílio Ribas foi escolhido para participar do projeto devido ao grande volume de Pessoas Vivendo com HIV.
Juntos os vírus HIV e HPV são considerados os principais fatores de risco para o câncer de ânus. Ele explica ainda que o hospital é bastante reconhecido internacionalmente pelos trabalhos realizados desde os anos 90. Cerca de sete mil Pessoas Vivendo com HIV fazem acompanhamento médico no Ambulatório do Instituto. O HIV também responde por 70% das internações do hospital em períodos sem outras epidemias.
Segundo Manzione, os centros escolhidos nos três países enviaram imagens, com as respectivas biópsias. O próximo passo do estudo é utilizar a IA para identificar as lesões evidenciadas na colposcopia anal e com isso aumentar o banco de imagens para que a capacidade analítica da IA evolua ainda mais. De acordo com Thiago, o uso da IA começou a ser pensado para a colposcopia por já ser uma realidade na medicina de maneira geral, principalmente na área de exames por imagem como endoscopias e colonoscopias.




